segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Fim do Campeonato Brasileiro

Com já disse, pouco me interesso pelo esporte. Se "meu time" está de fora então, menos ainda. Mas bem sei que ontem, Flamengo foi campeão e Curitiba caiu. Sei por que vi a barbárie de seus torcedores. Ridículos.

O campeonato acaba com imagens deploráveis. Que acabe de vez então, até que este país amadureça e seja capaz de promover o esporte como o que se tornou: espetáculo, e não show de horrores.

Ópera do Malandro

No sábado, dia 5, fui ver a montagem da Ópera do Malandro, musical escrito por Chico Buarque, de uma companhia de ballet de Campinas. Fui um tanto receoso, afinal, a história do cronista não combina muito com a dança clássica. Mas o que vi foi muito surpreendente e belo.

É bem verdade que o tal ballet não apareceu. Melhor. Apareceu uma montagem extremamente qualificada do texto genial de Chico. Mais do que reproduzir as falas, a companhia conseguiu compreender o espírito da peça, e por isso incluiu toques muito refinados e interessantes. Além disso, todos estavam ótimos: dançarinos, atores, e principalmente os cantores (que também atuavam) que interpretaram as letras sem melodia do Chico, com graça e perfeição.

O ponto alto, como não podia deixar de ser, foi quando Geni cantou sua música (Geni e o Zepelim). Mais uma vez a interpretação foi perfeita, dessas que tocam e arrepiam.

Ver uma montagem tão boa ajuda, e muito, a curtir o texto genial de Chico. Como sempre acontece com esse poeta e suas músicas, cada vez que vejo (ouço) essa ópera, entendo coisas a mais. E o que entendi ontem é mais uma prova da capacidade desse carioca (não sei se de nascença mas, certamente, de preferência) de criar histórias lindas, profundas e cheia de significados ocultos, que quando entendidos, revelam muito sobre o conto, sobre o país, sobre todos nós.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Futebol

Não sou grande fã do esporte. Acompanho, me interesso por alguns assuntos. Mas perto da maioria dos brasileiros, e principalmente dos companheiros de faculdade, sou um zero a esquerda no assunto.

Contudo, ontem com o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2010, fiquei um tanto empolgado. Não é para menos, o evento é gigante e alguns dos melhores jogadores do mundo se enfrentam. Soma-se a isso tudo que está envolvido em um evento desse porte, os muitos jogos bons, a expectativa de saber quais seleções se enfrentarão na sequência do campeonato.

Até nesse último ponto me empolguei, e por isso esse post. Depois de ver muitos comentaristas fazendo suas previsões, resolvi fazer as minhas também. Do alto de minha incapacidade e desconhecimento, imaginei os confrontos das oitavas, quartas, semi... Até chegar na grande final: para mim, ela será disputada entre Portugal e Alemanha. O Brasil, chuto, se classificará em segundo no grupo, pegando Espanha logo nas oitavas, mas caindo só diante da Itália nas quartas.

Pensei nos outros jogos também, mas como a possibilidade de acerto é quase nula, guardo-os para mim. Afinal, foi apenas um exercício de diversão mesmo. Torço para estar errado.

(No link há uma tabela legal da copa, feita no excel, que pode ser preenchida com os resultados dos jogos - http://www.guiadecompra.com/copa_do_mundo.php)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Viagem

Até hoje a papelada de preparação para a viagem ainda estava jogada na gaveta. Foi com muito carinho que a preparei, mas depois de ter voltado ela simbolizava algo que havia passado, e por isso ficou largada. Resolvi então organizá-las. Não vou fingir que a tarefa tomou longo tempo, aliás, foi rápido. Coloquei tudo dentro de um mesmo saquinho, e guardei no compartimento "lembranças". Reviver o que passei por lá? Isso faço todos os dias.

Muitas pessoas perguntam, evidentemente por educação. É bem verdade que muitas delas realmente se interessam, por mim ou pelo destino, mas isso não faz com que a pergunta "como foi lá?" seja genérica. Pergunta-se por educação, e eu, pelo mesmo motivo, respondo brevemente: "foi muito bom". Depois mais uma ou duas frases quaisquer.

É evidente que foi mais que bom! Já ouvi dizer que a felicidade pode ser medida pelo número de vezes que se diz "nunca tinha feito isso". Se é assim, uma viagem não pode ser mais feliz que essa. O mais longe que tinha ido: Paraná. Quatro dias, era a maior permanência longe. Seis horas, o máximo de tempo em um veículo de transporte.

Eis que, de repente, tomo muitas horas de avião, fico dez dias em outro país, e conheço o lugar mais divertido do mundo! Isso posso afirmar, mesmo sem ter ido a nenhum outro lugar. Mas acho que há ainda um outro adjetivo, melhor: mágico! A magia está em cada lugar, em todos os aquários, todos os brinquedos, em cada um dos shows, ao ver a grande bola prateada, ou ao vislumbrar o castelo da Cinderela.

Talvez volte a falar da Disney, talvez não. Vai depender da vontade de escrever, uma vez que sei que se depender da vontade de ler, não voltarei a citar a tal viagem. Histórias de viagem são sempre mais legais para quem as contam do que para quem as ouvem, sem fotos ou vídeos então, se torna tarefa árdua.

De qualquer forma, é bem verdade que, através de palavras ou qualquer outro meio, é impossível transmitir o que senti. Foi super divertido, maravilhoso, inesquecível... Mágico.

Orkut, Facebook e Relações Sociais

Fiz meu facebook sem querer. Procurava a agenda de um cantor da região (Teco Seade, muito bom) e não encontrava por nada. Acabei achando-o no tal facebook, e para ter acesso às suas informações, fui me cadastrando... No fim, preciso da autorização dele para ver o que queria (que até agora não veio) e acabei entrando sem querer em mais um "site de relacionamento".

Não gosto desses sites! Não acessava meu orkut há muito tempo. Ontem resolvi entrar e me surpreendi com as mensagens de aniversário... Tinha me esquecido disso! Também não entro no msn. É bem verdade que ele não está funcionando direito aqui em casa, entro e alguns minutos depois ele fecha sozinho. Mas não vou me esforçar para concertá-lo.

Penso que não gosto desses sites mais como forma de protesto do que por sentimento mesmo. Acho que são formas fúteis e plastificadas de se manter amizades. É uma forma maquiada de proximidade, apenas para que as pessoas possam se distanciar na vida real. No orkut, todos são amigos, 300, 400, 700 contatos, precisar de dois orkuts então, é o máximo! Todos eles, amigos de mentirinha, colegas virtuais, que têm que compartilhar seus interesses através de comunidades inúteis. Amigos, que precisam criar bonecos em 2D para se amar, se odiar, ou se abraçar. Amigos que sabem cada momento da vida do outro, as vezes sem nem ao menos conhecê-lo. Amigos que se comunicam por frase de 180 caracteres, e se julgam conhecedores uns dos outros. Amigos...

Pensei em escrever este post com mais moderação. Pensava em falar sobre um dos adjetivos que talvez eu tenha mais recebido em toda minha vida "antissocial", e por isso pensei em indicar a possibilidade de me entregar a esses sites. Mas não consigo. Não gosto desses sites. Não quero ter que gostar.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Volta, Em Comemoração À Volta!

Sou pouco ligado em música. Gosto de ouvir, mas muito raramente ligo o rádio, por exemplo. Tenho alguns CD's, que ouço algumas vezes, mas que ficam longos períodos esquecidos na gaveta.

Mas há algumas bandas que realmente gosto, e algumas músicas que realmente curto. Se me perguntassem minha banda preferida (parece-me uma pergunta interessante para se fazer às pessoas...) eu teria alguma dificuldade inicial para decidir entre Scorpions e Cranberries, mas minha escola seria certamente esta última.

Consciente dessa inútil decisão, fui vendo, ao longo dos meses, grandes shows internacionais vindo para o Brasil, entre eles minha segunda banda preferida. A tristeza (nem tanto) era saber que minha banda predileta, não viria. Até porque tinham se separado em 2003, e desde então a vocalista (Dolores) seguia carreira solo.

Eis que, passeando pela internet, encontro uma enquete, perguntando "em que show você gostaria de ir em 2010?" E entre as opções, Cranberries! Achei que a enquete apenas se referia a sonhos sem fundamentos, mas resolvi ir atrás. Foi então que descobri que, de repente não mais que de repente, a banda resolveu se re-unir, e sua primeira turnê será no Brasil!! Serão quatro datas, em quatro cidades diferentes. Em São Paulo é dia 29 de Janeiro, no Credicard Hall.


Voltamos!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Filme

Assinei uma coleção da Veja, chamada Cinemateca. Estou para receber os cinco últimos volumes, de um total de cinquenta, que trazem um livro com diversas informações sobre um filme, bem como o DVD do mesmo. Ontem, para evitar a triste síndrome da musiquinha do fantástico, escolhi um filme para assistir. Não muito aleatoriamente, escolhi "Um Sonho de Liberdade".

Como li no livrinho, o filme foi um fracasso nos cinemas, conseguiu algumas indicações a prêmios, mas não levou nenhum. Contudo, pouco a pouco, o filme foi ganhando o reconhecimento que definitivamente merece. A história contada é emocionante, renovadora e leve, sem deixar de ser realista. Traz ótimas atuações, tanto dos protagonistas Tim Robbins e Morgan Freeman, quanto dos coadjuvantes.

Mas acho que o que mais me impressiona nesse filme é seu diretor: Frank Darabont. Ele desenvolve o filme de forma extremamente segura, dando tempo para que o espectador se deleite com as imagens e diálogos da história. O que pode parecer lentidão para muitos, soa como apreciação para mim, sabendo que o roteiro, a imagem, as personagem são capazes de envolver o espectador, de mantê-lo dentro do filme, enquanto Darabont nos guia nessa jornada.

Frank trabalha pouco, mas com muita qualidade. Desde 1990 trabalhou apenas em cinco filmes, dos quais não vi apenas o primeiro, "Morto, Mas Nem Tanto". Depois comandou "Um Sonho de Liberdade" (1994), "À Espera de Um Milagres" (1999), "Cine Majestic" (2001) e "O Nevoeiro" (2007). Todos ótimos filmes, não extremamente criativos ou inovadores, mas cinema de primeiríssima qualidade.

domingo, 2 de agosto de 2009

A gripe e as férias

Existem algumas coisas com as quais sonhamos, mas sem realmente acreditar que sejam possíveis. Às vezes me pego fazendo cálculos de como gastaria o dinheiro ganho na mega sena, mesmo sabendo que não ganharei. Ou então, preparando um discurso para quando receber um prêmio importante, que possivelmente não virá.

O sonho de, de repente, não mais que de repente, ter as férias aumentadas, parece se encaixar nesses sonhos impossíveis. Mas eis que a uma semana da volta às aulas, vem a notícia que ela havia sido adiada para 17 de Agosto (notícia já nem um pouco bombástica, uma vez que esse não é mesmo um blog de furos jornalísticos).

O motivo: a gripe suína que por ai vai a aterrorizar pessoas inocentes. Como o bicho papão materializado em bactéria, a NOVA gripe assusta, aparentemente muito mais do que deveria. Se até agora ela matou 70 pessoas (perdoem caso o número não for esse, afinal como disse a pouco, esse blog não tem intuitos jornalísticos) a gripe normal mata cerca de 400 por mês, e ninguém faz "auê" por causa disso.

Não vou chegar ao ponto de dizer que a medida é errada (apesar de achar isso) pois muitas pessoas competentes devem ter concluído que essa era a melhor solução. Mas são duas as questões que me incomodam: a primeira que, como ouvi um médico dizer, "o prolongamento das férias é para que as pessoas fiquem em casa", o que, obviamente, não irá acontecer. Segundo que, a meu ver, daqui 15 dias o número de pessoas com a gripe só deve aumentar, ai então reunir essas pessoas na faculdade seria uma ideia ainda pior do que ela é agora... Já me disseram que o que justificaria isso é o período de latência do vírus, mas não cheguei a entender plenamente...

Enfim, o fato é que até dia 17 as férias prolongar-se-ão. Divirtam-se!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sonho

Uma das peças que mais gostei até hoje é Café com Queijo, do grupo LUME de Teatro. Tão boa, que já vi duas vezes, e adorei as duas. Nela, quatro atores estupendos interpretam diversos personagens, estes baseados em pessoas que eles encontraram durante uma longa viajem pelo país. São todas pessoas simples, mas com histórias maravilhosas para contar.

Uma dessas pessoas é seu Teotônio Ferreira. É a personagens por quem eu mais me interesso, talvez por ter a história mais grandiosa e inacreditável. Além de dizer que não sente nenhum dor, no alto de seus 100 anos, conta histórias maravilhosas. Diz ter sido professor, lecionado em São Paulo, diz ter sido convocado para falar diversas vezes em Brasília e, diz ainda, que quando esteve no Vaticano, teria conversado longamente com o Papa.

Adoro as histórias, mas sempre fiquei me perguntando se eram verdadeiras. Mas enfim chego ao sonho que da título a esse post. Raramente lembro dos meus sonhos, mas deste lembrei, e nele eu e meu amigo nos encontrávamos com ninguém mais ninguém menos que seu Teotônio Ferreira, com quem conversávamos longamente, viajando junto com ele para os lugares onde ele dizia ter ido. Delicioso...

Quando acordei, com aquela sensação gostosa depois de um sonho bom, tive a clareza de que pouco importa se as histórias são verdadeiras ou não, o que importa é que elas me fizeram sonhar!

domingo, 19 de julho de 2009

Assuntos

Faz tempo que não escrevo por aqui. Várias coisas passaram pela minha cabeça essa semana como possíveis assuntos para um post. Mas, por mais incrível que isso pareça, pois estamos em plenas férias, faltou-me tempo.

O primeiro, dando sequência ao post anterior, é o Festival Paulínia de Cinema. Tive a oportunidade de ir outros dois dias. Na segunda, terrível! Além de um curta extremamente babaca, um longa que não funciona em quase momento algum. Já na quarta tivemos melhor sorte, e os filmes foram bastante interessantes, especialmente o bom documentário sobre Hebert Vianna, vocalista do Paralamas do Sucesso (que não gosto muito, por sinal). Além dos filmes, peguei o autógrafo do Rubens Edwald Filho, crítico de cinema que sempre comenta o Oscar, e cujo autógrafo talvez só eu queira.

Outro assunto que passou pela minha cabeça estava um tanto enterrado. Há um bom tempo, tinha visto uma teoria da conspiração dizendo que o homem não havia chegado à Lua, e que as cenas que vimos eram produzidas em estúdio. Depois vi um episódio dos Caçadores de Mitos (programa muito legal da Discovery) que derrubava os argumentos da tal teoria conspiratória. Estava convencido. Até que essa semana saíram filmes "remasterizados" da chegada do homem a Lua. Mas esses filmes são dos arquivos de redes de televisão que transmitiram o evento, e não as imagens originais porque TERIAM GRAVADO OUTRO MATERIA POR CIMA DO VÍDEO ORIGINAL. Isso bastou para que aquela pulginha volte a se colocar atrás da minha orelha.

Passou também a estréia de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, que estranhamente ainda não vi. Lembro de fazer as contas para quantos meses faltavam para a estréia desse filme, já quando saia da sessão de estréia do Harry anterior. Agora que chegou, a empolgação parece ter diminuído... Melhor talvez, com expectativas menores, mais chances do filme agradar.

E que venha a próxima semana!

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Festival de Paulínia


Ontem fomos ao II Festival Paulínia de Cinema. Sem muita fé na programação, confesso que esperava bem pouco do evento. Mas o que encontrei lá não apenas superou minhas expectativas, como também me surpreendeu positivamente.

Com o necessário glamour do cinema, a entrada do Theatro Municipal de Paulínia, que já é bastante luxuosa, estava precedida pelo característico tapete vermelho. Ainda que com as luzes e holofotes apagados e as arquibancadas vazias, a sensação de atravessar o tapete vermelho foi interessante. Dentro do teatro, magnífico por sinal, foi colocada uma grande tela de cinema, onde os filmes são projetos, com grande qualidade.

Foi ai que começou o que eu realmente não esperava, primeiro pela produção de algumas pessoas, que não dispesaram o vestido longo e o terno. Mas o mais legal foi que os filmes, antes de serem passados, eram apresentados, e diretor e equipe subiam ao palco para falar um pouco de sua produção. Muito interessante! Inclusive, no último filme da noite, acabamos sentando na fileira de trás de onde fiou toda a equipe do filme, entre ela a cantora Leilah Moreno, que provou que o tamanho do decote é inversamente proporcional a qualidade como atriz (ela estava com um decotão...)

Mas o mais legal mesmo foi vivenciar esse Festival. Se Paulínia pretende que ele se torne importante no cenário brasileiro com o passar dos anos, está começando muito, muito bem!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Saramago - Universidade

Que sou fã do Saramago já ficou evidente. O número de coisas dele que poderia aqui colocar é enorme, mas essa merece especial destaque. Em seu blog, ele falou sobre educação, universidade e democracia:

"Não ignoro que a principal incumbência assinada ao ensino em geral, e em especial ao universitário, é a formação. A universidade prepara o aluno para a vida, transmite-lhe os saberes adequados ao exercício cabal de uma profissão escolhida no conjunto de necessidades manifestada pela sociedade, escolha essa que se alguma vez foi guiada pelos imperativos da vocação, é com mais frequência resultante dos progressos científicos e tecnológicos, e também de interessadas demandas empresariais. Em qualquer caso, a universidade terá sempre motivos para pensar que cumpriu o seu papel ao entregar à sociedade jovens preparados para receberem e integrarem no seu acervo de conhecimentos as lições que ainda lhe faltam, isto é, as da experiência, madre de todas as coisas humanas. Ora, se a universidade, como era seu dever, formou, e se a chamada formação contínua fará o resto, a pergunta é inevitável: “Onde está o problema?” O problema está em que me limitei a falar da formação necessária ao desempenho de uma profissão, deixando de lado outra formação, a do indivíduo, da pessoa, do cidadão, essa trindade terrestre, três em um corpo só. É tempo de tocar o delicado assunto. Qualquer acção formativa pressupõe, naturalmente, um objecto e um objectivo. O objecto é a pessoa a quem se pretende formar, o objectivo está na natureza e na finalidade da formação. Uma formação literária, por exemplo, não apresentará mais dúvidas que as que resultarem dos métodos de ensino e da maior ou menor capacidade de recepção do educando. A questão, porém, mudará radicalmente de figura sempre que se trate de formar pessoas, sempre que se pretenda incutir no que designei por “objecto”, não apenas as matérias disciplinares que constituem o curso, mas um complexo de valores éticos e relacionais teóricos e práticos indispensáveis à actividade profissional. No entanto, formar pessoas não é, por si só, um aval tranquilizador. Uma educação que propugnasse ideias de superioridade racial ou biológica estaria a perverter a própria noção de valor, pondo o negativo no lugar do positivo, substituindo os ideais solidários do respeito humano pela intolerância e pela xenofobia. Não faltam exemplos na história antiga e recente da humanidade.

Aonde pretendo chegar com este arrazoado? À universidade. E também à democracia. À universidade porque ela deverá ser tanto uma instituição dispensadora de conhecimentos como o lugar por excelência de formação do cidadão, da pessoa educada nos valores da solidariedade humana e do respeito pela paz, educada para a liberdade e para a crítica, para o debate responsável das ideias. Argumentar-se-á que uma parte importante dessa tarefa pertence à família como célula básica da sociedade, porém, como sabemos, a instituição familiar atravessa uma crise de identidade que a tornou impotente perante as transformações de todo o tipo que caracterizam a nossa época. A família, salvo excepções, tende a adormecer a consciência, ao passo que a universidade, sendo lugar de pluralidades e encontros, reúne todas as condições para suscitar uma aprendizagem prática e efectiva dos mais amplos valores democráticos, principiando pelo que me parece fundamental: o questionamento da própria democracia. Há que procurar o modo de reinventá-la, de arrancá-la ao imobilismo da rotina e da descrença, bem ajudadas, uma e outra, pelos poderes económico e político a quem convém manter a decorativa fachada do edifício democrático, mas que nos têm impedido de verificar se por trás dela algo subsiste ainda. Em minha opinião, o que resta é, quase sempre, usado muito mais para armar de eficácia as mentiras que para defender as verdades. O que chamamos democracia começa a assemelhar-se tristemente ao pano solene que cobre a urna onde já está apodrecendo o cadáver. Reinventemos, pois, a democracia antes que seja demasiado tarde. E que a universidade nos ajude. Quererá ela? Poderá ela?"

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Férias

A princípio, o título do post seria "enfim, férias". Mas pensei sobre o "enfim" e resolvi tira-lo, para não dar a impressão de que venho esperando pelas férias desde que a anterior acabou. É bem verdade que durante o semestre vamos nos enchendo das coisas da faculdade, e torcemos para que cheguem logo os tempos de sossego e descanso.

Peguei 5 livros para ler. Realmente gostaria de lê-los todos, mas não sei se serei capaz. Os dias passam rápido, acordamos um tanto mais tarde, paramos para almoçar, aquele descanso depois do almoço, e de repente lá se vai o sol, chega a noite e a impressão de dia acabado.

São ainda os primeiros dias, mas vou tentar manter um mínimo de disciplina. Se acordo às 6 da manhã para ir para a unicamp, posso acordar às 8 para ter mais tempo de fazer as coisas que quero. Se era capaz de dedicar em torno de 6 horas por dia nas matérias da faculdade (me refiro as aulas), posso pegar um terço disso para ler os livros que peguei.

Mas talvez o mais interessante das férias, seja não ter disciplina, dormir sem hora pra acordar, ler conforme der vontade, curtir bons programas... É, estou vendo que nem todos os livros serão lidos...

Enfim, boas férias!!

sábado, 27 de junho de 2009

Monge indiano, será?

Hoje tive que fazer várias coisas no centro de valinhos. Várias idas e vindas, e em uma delas fui parado por um rapaz simpático, que se dizia monge da Índia. Falou-me que sabia um pouco de português, e que estava em um projeto para a divulgação da Yoga. Ofereceu-me um livrinho (que até pretendo ler) e conseguiu pedir discretamente uma contribuição.

Rapidamente fui convencido. As roupas pareciam realmente com as de um monge, o livrinho parecia interessante, e me surpreendi com a força de vontade para vir da Índia direto para Valinhos. Sem trocados na carteira, fui até uma loja onde ia comprar mais uma coisa, e voltei para dar dois reais ao monge.

Comecei o caminho para casa feliz, alegre por ter ajudado um projeto interessante. Não foram necessários muitos passos para começar a achar força de vontade demais vir da Índia e acabar em Valinhos. Na verdade, não faz sentido algum alguém realmente fazer isso, ainda mais para transmitir os ensinamentos de um cara com nome estranho. Pouco depois comecei a pensar que deve ser fácil fazer uma roupa de monge, ainda mais com a novela das 9 falando do tema (Índia). Não demorou muito para achar o sotaque do tal monge muito mais parecido com o de um latino do que com o de um indiano.

Não sei se fui enganado ou não, se de fato ele era um monge, desses que passam por longos períodos de meditação, que sobrevivem de esmolas, que são sempre simpáticos, que não se apegam as coisas materiais, ou se era um bom imitador de monge que me vendeu um livrinho que valia 50 centavos por 2 reais.

Não sei, mas acho que era monge...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Futebol 3 (racismo)

A recorrência do tema futebol pode incomodar, mas é certo que essa atenção ao esporte é passageira. Mas acontece que acabo de ver uma matéria no Globo Esporte, sobre o jogo de ontem entre Cruzeiro e Grêmio, no qual um jogador do Grêmio teria chamado um do Cruzeiro de Macaco. Um terceiro, também do Cruzeiro teria tomado as dores do companheiro, e dito, através de gestos e palavras, "cor não! Cor não..."

O programa mostrou ainda que o jogador agredido (não cito nomes por não sabê-los mesmo) registrou o ocorrido, e a polícia foi buscar o jogador agressor dentro do ônibus do time. Ele foi liberado depois de dar seu depoimento. O apresentador feliz do Globo Esporte, junto com dois comentaristas (desses sei os nomes, Casa Grande e... droga!) falaram sobre o assunto, dizendo que xingamentos e ofensas são normais no futebol, mas que chamar de macaco era outra coisa. Casa Grande chegou a dizer que "se eu xingo a mãe do Caio (!o nome do outro comentarista!), ele sabe que eu não quis dizer isso. Mas racismo é outra coisa, é um preconceito interno".

Relevando o novo conceito, "preconceito interno", me parece que a questão do racismo ganhou um certo "não me toque". Basta um loiro argentino (fato certamente mais importante do que deveria ser) chamar outro de macaco que um estardalhaço se justifica. Não digo que o jogador não mereça ser punido, mas dizer que outros xingamentos pode, e só esse que não, é uma besteira sem tamanho.

Não imagino o número de ofensas proferidas em um campo de futebol. Certamente muitas delas se referem a outras tantas formas de preconceito, como "sua bicha", "seu viado", "seu cego", e nem por isso se faz o auê que se fez no caso que motivou esse post.

Volto a dizer, não estou dizendo que a questão não mereça atenção, estou apenas tentando mostrar que a questão vai muito mais fundo, e se é para se combater a ofensa, que se combata ela toda, e não apenas um assunto que se tornou tabu. Quantas vezes já vi pessoas com medo de dizer que algo é preto, preferindo a palavra negro, para não ofender. O racismo é estúpido, patético e atrasado, mas assim o é tanto quanto outras formas de preconceito, que se transmitem nas outras ofensas proferidas. Se é para registrar BO e ir tirar jogador do ônibus, que isso seja feito também quando se tratar de um brasileiro.

Dizer que filho da puta pode, mas macaco não, é erro crasso. Falsa moral de um canal bastante habituado a essas bobagens.

domingo, 21 de junho de 2009

Violência no futebol 2

Não sei por que volto a tocar no assunto. Mas ontem aconteceu o derbi de Campinas, Ponte Preta e Guarani, e obviamente ocorreram situações de conflito. Vi apenas os torcedores de ambos os times entrando em choque com a polícia, e um policial saindo de ambulância do estádio. Isso porque nem vi o jogo, nem ouvi noticiários posteriores, mas de certo outros tantos problemas se desenvolveram, tanto no entorno do estádio quanto longe dali.

O Galvão Bueno adora falar sobre a paz nos estádios e outras balelas que apenas ele acredita serem verdades. O "derbi da paz", como havia sido combinado pela torcida organizada dos dois times, junto com governantes da cidade, que realmente se reuniram e assinaram documentos dizendo de que a única disputa seria no campo (faz-me rir), acabou sendo como é todo jogo de futebol no país, um péssimo exemplo, tanto de cidadania quanto de organização.

Estádio de futebol não é lugar de PM. Se o Guarani, ou seja lá qual time, é o organizador do evento, deve zelar pela segurança de seus clientes. Assim, certamente diretorias e torcidas organizadas teriam uma relação menos amigável, pois as primeiras sentiriam na pele os desgastes causados pelas segundas.

Enquanto os clubes não se reconhecerem, enfim, empresas, nosso futebol estará fadado a esses péssimos espetáculos, inseguros, de baixo nível, e desinteressantes. Os tempos de amor ao clube e a camisa acabaram. É uma pena, mas se o país quiser um campeonato forte e de valor, precisa caminhar, pois nessa transição entre paixão e empresa, o futebol brasileiro parece ter parado no meio.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Folha de São Paulo

Achava (confesso que sem embasamento) que a Folha de São Paulo era um jornal competente. Pela sua grande repercussão nacional, e por alguns pensadores que por lá escrevem, achava que a Folha representava um jornalismo de credibilidade, sensato e coerente, adjetivos que não se aplicariam a muitos jornais menores e várias revistas.

Mas essa opinião se modificou um pouco quando soube que, em seu editorial, a Folha havia se referido à ditadura brasileira como "ditabranda". Branda foi, para eles que apoiaram os militares. Para os que sofreram, e ainda sofrem, devido aos atos de tortura, não foi branda, e não é ainda hoje.

Como se não bastasse, a Folha escreveu o editorial, que reproduzo na íntegra abaixo:

"Moinhos de vento na USP

Acossada por movimentos políticos munidos de carro de som e bastante tempo ocioso, a Universidade de São Paulo passa por uma nova rodada de protestos e greve.

Nesta semana, a polícia foi chamada duas vezes para impedir o bloqueio de unidades no campus paulistano, uma delas a própria reitoria. A PM afirmou que o policiamento vai continuar enquanto durem os piquetes.

A associação dos docentes da USP julgou a medida "intimidadora", "autoritária" e uma "ameaça à comunidade universitária". Contra ela, reuniram-se 120 membros, que decidiram pela greve, juntando-se a parte dos funcionários e dos alunos. A universidade tem 9.000 docentes.

É de se perguntar se os termos escolhidos pela Adusp não qualificam, com mais propriedade, a atuação da própria entidade e de outras associações universitárias, permeadas por sindicatos e partidos políticos de exígua expressão fora dos campi.

O estatuto da USP determina que cabe ao reitor exercer o poder disciplinar. A invasão da reitoria em 2007, que durou 50 dias devido à falta de pulso da direção, parece ter dado a essa minoria truculenta a sensação de que tudo ali é permitido.

Se é preciso chamar a polícia para conter a barafunda que pressupões depredação de patrimônio público e lesão ao funcionamento da instituição, que seja chamada. A USP funciona com verbas provenientes de impostos pagos por toda a sociedade. Não é um mundo à parte.

Desta vez manifestantes também atacam a abertura de cursos a distância pela instituição. Traduzida, esta reivindicação equivale a tentar impedir que mais estudantes, com renda abaixo da média dos alunos da universidade, possam desfrutar dos serviços educacionais da USP.

O paroxismo mostra a que ponto desceram as agremiações uspianas em seus arranques alucinados contra moinhos de vento. Refresca saber que a imensa maioria da comunidade universitária simplesmente as ignora."

Quando um jornal escreve em seu editorial uma coisa como essa, desmoraliza todo seu trabalho. Nunca li uma notícia da Folha inteira. E nem pretendo ler.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Os 25 melhores

A revista norteamericana "Paste" lançou uma lista com os 25 filmes estrangeiros mais importantes da década. A lista é muito interessante. Trás filmes muito elogiados pelas críticas, e que são constantemente esquecidos nas grandes premiações. Assisti alguns deles, e gostei muito (como o primeiro da lista). Quanto aos que não vi, alguns deles eu já conhecia e tinha o interesse de assistir, alguns poucos eu não conhecia, mas já me interessei!

1. “O labirinto do fauno”
2. “O tigre e o dragão”
3. “O escafandro e a borboleta”
4. “Cidade de Deus”
5. “Fale com ela”
6. “A viagem de Chihiro”
7. “Amor à flor da pele”
8. “A vida dos outros”
9. “Amores brutos
10. “Cache”
11. “4 meses, 3 semanas e 2 dias”
12. “O fabuloso destino de Amélie Poulain”
13. “E sua mãe também”
14. “The best of youth”
15. “Ninguém pode saber”
16. “Entre os muros da escola”
17. “Yesterday”
18. “Paradise now”
19. “A queda – As últimas horas de Hitler”
20. “Gomorra”
21. “Oldboy”
22. “Deixe ela entrar”
23. “Volver”
24. “Persépolis”
25. “Maria cheia de graça”

A revista diz ter feito essa lista porque o material cinematográfico produzido nos EUA tem sido muito pobre, e os filmes mais reconhecidos a cada ano, têm sido os estrangeiros.

Nada mais que a verdade.

domingo, 14 de junho de 2009

Viola Enluarada

Ontem falei da música, então resolvi colocar a letra. A composição é dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. No link, uma interpretação belíssima de Leila Pinheiro.

(http://www.youtube.com/watch?v=YM7ctPdNG4o&feature=related)

"A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra.

A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino,
Louva à morte.

Viola em noite enluarada
No sertão é como espada,
Esperança de vingança.

O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta,
Capoeira.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!

Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade,

Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!

Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.
Liberdade, liberdade, liberdade..."

A música, além de uma letra linda, e melodia graciosa, tem muito significado. Ela foi feita no período da ditadura brasileira, e se tornou um hino da resistência, apesar de hoje ser pouco conhecida.

Eu adoro!

sábado, 13 de junho de 2009

Música Popular Brasileira

Ontem tive a oportunidade de ouvir um dos melhores intérpretes que já vi. Teco Seade é campineiro, mas viveu em outros Estados antes de voltar para cá. Conheci-o no espetáculo Palavra Caipira, que fez parte da Campanha de Popularização do Teatro de Campinas esse ano. Cantou tão maravilhosamente bem a música caipira, que achei que essa fosse sua vida.

Procurando um lugar onde houvesse música ao vivo, me surpreendi ao ouvir a moça do estabelecimento dizendo "hoje temos Teco Seade". Eu conhecia o nome, não sabia de onde. Procurei no youtube, e a imagem me fez lembrar, era mesmo o gordinho que cantava muito bem! Ansioso, fui ao lugar, querendo ver como ele cantaria músicas não caipiras... Acabei ouvindo uma das melhores seleções de MPB, interpretadas de forma renovada e belíssima!

Tive a audácia de pedir uma música, e Teco tocou Viola Enluarada da melhor forma que já ouvi. Mas a interpretação dele de Oceano (Djavan) ganhou a noite! Simples, Teco não é de ficar querendo aparecer, usa um violão bastante simples, uma mesa de som pequena, sem apetrechos adicionais. O show estava marcado para começar às 21h, mas quando cheguei lá, 20h40, ele já estava cantando. Acho que esse é o segredo, ele faz o que gosta, e faz muito bem!

Fora isso, gostaria de falar da riqueza da música popular brasileira. Não sei por conhecimento próprio, apenas imagino, mas me afirmaram que depois que você sai do Brasil, e ouve as músicas de lá, percebe o quanto brasileiro você é. O quanto é rica e bela nossa música, diversificada, inteligente, melódica e alegre.

Incrível como basta uma voz e um violão quando a música que as embasam são verdadeiramente belas!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Brincando de cinema

Desde pequeno brinco de fazer cinema. Divertia-me imaginando os mais variados filmes, sendo os mais diferentes personagens. Na maioria das vezes tinha a companhia de um amigo. Estou certo que imaginávamos coisas totalmente diferentes (como é vasta e bela a imaginação de uma criança), mas fazíamos juntos o filme, seja lá qual fosse o tema.

Crescido, minha imaginação se enfraqueceu (batalho constantemente contra isso, mas tenho perdido). Contudo, no último fim de semana, tive a oportunidade de voltar a brincar. Uma vez mais me coloquei a pensar sobre uma história, imaginei as ações, como seriam os personagens, quais seriam as músicas ideais, e como seria ser um dos atores.

Essa nova oportunidade veio cheia de presentes: o primeiro é que pude brincar com vários amigos, e não apenas com um. O segundo é que tudo aquilo que imaginava, ia se tornando real, possível de tocar e, principalmente, de ver! Ver a brincadeira ter um resultado, de três minutos apenas é verdade, mas algo concreto, belo, e feito por nós.

Mas não há presente maior do que a oportunidade de brincar de cinema novamente. Voltar aos tempos em que acreditava que bastava imaginar para que as coisas se tornassem possíveis. Um tempo em que tinha a liberdade de sonhar sem os freios da dificuldade e da impossibilidade. Um tempo em que mergulhava na imaginação sem medo de parecer bobo, ou idiota, sem medo que os transeuntes olhassem entranho, certamente se perguntando "o que eles estão fazendo?", e como é bom poder responder de novo "estou fazendo algo que gosto, estou me divertindo, estou brincando..."

(não posso deixar de agradecer a todos que participaram, que brincaram comigo, e assim tornaram a diversão possível. E principalmente àquele que primeiro encarou as tais barreiras da dificuldade e impossibilidade para me dizer, numa mensagem, recebida logo de manhã de uma sexta qualquer "será que rola fazermos um curta?". Valeu!)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Rubem Alves

O cronista, escritor e educador Rubem Alves esteve na Faculdade de Educação Física na quarta-feira passada (dia 3). Desde então, estou tentando postar algo por aqui sobre a palestra, mas faltou tempo.

Pois bem, ele chegou, todo simpático, todo velinho, pontualmente às 9 horas. E para alcançar o auditório (fechado até então) passou por entre todos nós, cumprimentando e sorrindo. Quando a palavra lhe foi passada a primeira coisa que disse foi: "estou vendo várias pessoas com caderno na mesa e caneta na mão... Peço que guardem tudo". A partir daí conversou conosco, ao longo de 2 horas, sem precisar se levantar, sem apresentação de slides, sem mirabolantes tecnologias desnecessárias. Fiquei pensando comigo "quem tem o que dizer, não precisa de data show".

É bem verdade que ele está um tanto vidrado na morte. Falou diversas vezes sobre a tristeza de estar velho, do quanto é humilhante precisar de ajuda para realizar as tarefas do dia a dia (não que ele precise), e do quanto ele se aproximava do fim da caminhada. Nem por isso deixou de retirar boas gargalhadas de todos nós. Com suas histórias que vinham em uma velocidade tão grande, que por diversas vezes parou para nos perguntar "o que eu estava falando mesmo?".

Do pouco que tomei conhecimento, Rubem Alves parece ser um educador questionador, inquieto e revolucionário. Utiliza muito Nietzsche em seus textos, e penso que pode ser considerado para a educação o que o filósofo alemão é para a filosofia. Rubem não esconde de ninguém suas criticas: se opõe profundamente ao modelo educacional em que vivemos. Quase surta de raiva ao saber os conteúdos que os alunos são obrigados a apreender, sempre indagando "para que serve esse conhecimento?"

Há muito mais de Rubem Alves para se ler e ouvir. Suas ideias soam como um grito de revolta perante as mazelas da educação. Mas não consigo deixar de questionar, e ouso aqui transcrever: as criticas do autor são extremamente interessantes. Concordo com elas, compartilho da indignação perante a educação com ela é hoje, e sei que ela pode ser melhorada... Mas não vejo, ao menos até agora, nenhuma indicação de como isso deve ser feito.

Entendo bem que cada um deva buscar sua forma de educar, e que será ótimo se esse educador tiver como base as ideias de Rubem Alves. Mas para tentar explicar minha inquietação (um tanto indefinida, por mim mesmo) uso como exemplo o momento em que o autor falou sobre o vestibular. Ele falou sobre o caos que ele causa em todas as séries da escola, até mesmo no fundamental. Concordo plenamente. Mas ao falar qual seria então a melhor opção, disse ter concluído que a melhor forma de escolher quem merece entrar na faculdade é o sorteio.

Acho que discordo...

domingo, 31 de maio de 2009

Tintin

The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn, esse é o título oficial do primeiro filme da trilogia Tintin. E a data de estréia foi confirmada sexta: 23 de Dezembro de 2011! Um pouco mais cedo nos países de América Latina, Europa e Índia (devido a um plano da distribuidora que não entendi...).

Como diziam os rumores, os filmes estão na responsabilidade de dois monstros da indústria cinematográfica Steven Spielberg (que recentemente tem feito filmes terríveis, como o último Indiana Jones) e Peter Jackson (não preciso dizer nada). Com uma dupla dessas, só se pode esperar grandes filmes. Spielberg disse que ele ficará responsável por um dos filmes, Peter por outro, e o terceiro pode ser dirigido por ambos, ou por um terceiro diretor.

Outros nomes que já estão associados aos filmes são: John Williams, que já fez milhares de trilhas sonoras, algumas inesquecíveis como as de Harry Potter, Star Wars, ET e Tubarão! Jamie Bell, de Jumper, foi o escolhido para interpretar Tintin, enquanto que Daniel Craig, o atual 007, interpretará o terrível Rackham. Outros atores confirmados são Andy Serkis (o Gollum do Senhor dos Anéis), Simon Pegg, Nick Frost, Gad Elmaleh (Amar... Não Tem Preço), Toby Jones (O Nevoeiro) e Mackenzie Crook (Piratas do Caribe: No Fim do Mundo).

Existe um site: tintin.com, para quem se interessar.

É esperar pra ver...

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Sopram ventos de greve...

Lá pelas bandas da FEF nada chegou. Tudo corre normalmente, sem nenhum tipo de estranheza. Contudo, às quintas feiras, tenho aula na Faculdade de Educação, e por lá a greve deu as caras. Numa atitude que considero impecável da professora, não esperava tal atitude, ela nos disse que não pararia, por desacreditar do movimento de greve, depois de ter feito várias delas ao longo dos 27 anos de carreira na universidade. Mas disse que todos estavam à vontade para assumirem a greve, parando as ações, e que esses nem falta levariam.

Dito isso, a grande maioria dos alunos saiu da sala, uma vez que um pessoal do movimento estudantil tinha nos convidado para uma conversa sobre a greve, onde todos os alunos da educação deveriam se reunir para discutir. Fiquei por ali cerca de uma hora, ouvindo sobre as reivindicações dos estudantes e outros papos, enquanto a nossa volta, três salas de aula continuavam cheias, com o professor passando o conteúdo normalmente.

As reivindicações são justas, como de costume. Qualquer um que ouça sobre a UNIVESP (Universidade de São Paulo, que pretende disponibilizar cursos de graduação à distância) será contra o projeto. O sucateamento da universidade pública, especialmente dos cursos de humanas, é evidente, está lá para ser olhado (ou não, como no caso absurdo do Instituto de Artes que não tem um teatro). O número reduzido de professores, os baixíssimos salários dos trabalhadores, a falta de estrutura são todas "fato consumado".

Frente a isso, paramos as aulas.

...

...

Quando os funcionários de uma fábrica de carro cruzam os braços, carros deixam de ser produzidos. Quando o mais inútil dos empacotadores para de empacotar, alguma coisa estará sem pacote. Quando alunos deixam de ter aulas, a única coisa que para é seu aprendizado! E isso não afeta em nada as instituições que precisam ser afetadas, não se faz ouvir, não se impõe.

Não estou defendo a alienação e nem sou contra a greve. Mas definitivamente ela precisa ser feita quando tiver função. Ela deve ser último recurso após uma série de tentativas que falharam e, principalmente, ela tem que servir como unificadora e impactante.

Entendo e valorizo aqueles que, mesmo sabendo da dificuldade de se fazer uma greve realmente forte na UNICAMP, lutam, discutem, vão às salas de aula para falar sobre o assunto, participam das assembléias. Eles são gritos de oposição contra coisas que precisam ser barradas e impedidas. Mas até onde seus gritos ecoarão? Quanto à paralisação de aulas afeta a engrenagem educacional, que está errada sim, mas que pouco se importa se alunos tiveram aula ou não, especialmente em lugares como a Faculdade de Educação, onde todos já acham que ninguém tem aula mesmo...

Confesso uma profunda angústia. Concordo plenamente com a manifestação, me oponho veementemente à UNIVESP, acho que a universidade merece melhores condições estruturais, mas olho para o movimento de greve sem conseguir dele me aproximar. Vejo ali um grito, necessário e correto, mas não vejo solução. Vejo reinvidicações coerentes, mas não as vejo sendo atendidas.

Vejo os problemas, mas não vejo como resolvê-los...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

A raiz do problema

Estou fazendo estágio obrigatório em uma escola aqui de Valinhos. Não presenciei o ocorrido, mas me contaram...

Um menino apareceu com o olho roxo, logo na primeira aula do dia. Chorando, foi reclamar com a professora, falando quem havia dado o soco. A professora chamou o outro aluno, questionando. E ele disse: "fui eu sim professora. Ele estava falando como uma bicha do meu lado. Eu falei para ele parar, e como ele não parou dei um soco na cara dele".

A professora mandou os dois para a secretaria que, passando o problema para frente, chamou o pai dos dois. O pai do menino que deu o soco disse estar surpreso, que o filho não era agressivo e que era a primeira vez que aquilo acontecia. E para fechar disse: "mas podem ficar tranquilos, a hora que ele chegar em casa ele vai levar um surra".

Esses garotos estão na quinta série, completando 11 anos. E já tem enraizado, claro e evidente, o preconceito, no caso a homofobia. Esse pai não percebe, que ao dar uma surra no filho, valida sua atitude. Esse garoto vai entender que quem faz coisa errada deve apanhar, e como "agir como bicha" continuará sendo algo errado para ele, novos socos estão aguardando. Ai entra a responsabilidade da escola, que ao invés de discutir o fato, seja com os alunos, seja com a sala, seja com a escola, passa o problema para que os pais cuidem, empurra as mazelas com a barriga, se retira do dever de educadora.

E depois perguntam se o Brasil é um país preconceituoso...

sábado, 16 de maio de 2009

Tirinha

Abaixo, uma tirinha retirada do blog Um Sábado Qualquer... As piadas são muito inteligentes e engraçadas. Elas trazem Deus, no começo da criação, com suas dúvidas e ingenuidades! Vale a pena conhecer!!





quinta-feira, 14 de maio de 2009

Trote

- Alô?
- Oi, tem um fusca verde na frente da sua casa?
(...)

O Gugu no meu quintal














Existe um quadro no Domingo Legal (programa do Gugu de domingo, para os que, com eu, não lembram que esse é o nome do programa) que reforma a casa das pessoas. Eis que a sortuda da vez foi uma casa próxima à minha. Durante alguns dias houve certa movimentação, especialmente de trabalhadores. Numa tendinha montada na frente da casa, me disseram que se lia: gravação de entrega da casa na quinta, dia 14.

Acordei às 8 da manhã com certo movimento na rua, pouco maior do que de costume, uns carros a mais subindo e descendo a rua. Duas horas depois minha rua estava um completo caos, cheio de pessoas curiosas para ver o tal de Gugu. Vencido (eu tentava estudar enquanto o fuzuê da rua aumentava), saí para dar uma olhada. Andei um pouco e percebi que tinha chegado tarde demais, mesmo em se tratando da minha rua. Um pouco impaciente com o número de pessoas que não têm nada melhor para fazer, voltei para casa (uma das poucas em segurança, pois as do outro lado da rua, que faziam fundo com a casa reformada, foram praticamente invadidas por curiosos).

Quando eram quase 10h30 da manhã, chegou um animador de tumulto. Ai o estudo que já estava difícil ficou ainda mais complicado. Entre outras bobagens, o tal animador puxou "contagem regressiva para a chegada do Gugu" umas 50 vezes, que sempre era acompanhada pelo povo, e que sempre terminava com gritos idolátricos, mesmo sabendo que ninguém ia aparecer no final. Quando o apresentador enfim apareceu, pude ouvi-lo rapidamente, como se hoje fosse domingo, e meu pai passasse, por engano, pelo sbt.













Como se não bastasse, havia um guindaste cobrindo a casa, e quando o pano foi levantado, pegou na rede elétrica causando um curto e queda de energia. Ainda que, por sorte, o fio não arrebentou, se não o povo em volta ficaria certamente mais eletrizado. Por fim, depois de esperar que um policial militar tirasse o carro de frente da minha garagem, pude sair, e quando voltei a platéia já estava dissipada, e minha rua parecia voltando à calmaria de sempre.

domingo, 3 de maio de 2009

Saramago

Não sou bom de memória. Especialmente sobre coisas minhas do passado. Mas uma coisa que lembro bem é quando, rodando por alguma livraria, lá com meus 14 anos, via algum livro de José Saramago. Querendo me mostrar culto, sempre dizia aos amigos: "Nossa, Saramago! Ele é considerado um dos autores mais difíceis de se ler". Essa informação não era inventada, tinha ouvido-a no jornal, no tempo em que Saramago tomou o noticiário por ter ganhado o Nobel de Literatura.

Eis que, seis anos depois, e sem me lembrar do que contei acima, fui incentivado a ler Ensaio Sobre a Cegueira. Adorei a história, sua simbologia e importância. E me apaixonei pelo autor. Gênio da prosa poética, conta suas histórias com uma fluidez inigualável, e mergulha em reflexões profundas e belas, sem abrir mão da simplicidade sempre evidente (humana) em suas histórias.

Trechos não mostram bem o que é ler Saramago, mas como são tudo o que posso aqui reproduzir, espero que sirvam de petiscos. Todos são do livro O Evangelho Segundo Jesus Cristo:

“Jesus acordou, mas agora a valer, que antes mal abrira os olhos quando sua mãe o enfaixara para a viagem, e pediu alimento com a sua voz de choro, única que ainda tem. Um dia, como qualquer de nós, outras vozes virá a aprender, graças às quais saberá exprimir outras fomes e experimentar outras lágrimas”

“Certos momentos há da vida que deviam ficar fixados, protegidos do tempo, não apenas consignados, por exemplo, neste evangelho, ou em pintura, ou modernamente em foto, cine e vídeo, o que interessava mesmo era que o próprio que os viveu ou tinha feito viver pudesse permanecer para todo o sempre à vista dos seus vindouros, como seria, neste dia de hoje, irmos daqui até Jerusalém para vermos, com os nossos olhos visto, este rapazito, Jesus filho de José, enroladinho na curta manta de pobre, a olhar as casas de Jerusalém e a dar graças ao Senhor por não ter sido ainda desta vez que perdeu a alma”.

“(...) Roma, regida, como sabemos, por falsos deuses e falsos homens, em primeiro lugar, porque tais deuses de facto não existem, e em segundo lugar porque, tendo, apesar de tudo, alguma existência enquanto alvos de um culto sem efectivo objecto, é a própria vanidade do culto que demonstrará a falsidade dos homens”.

Genial!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O cúmulo

Ouvi no vento algo que me recuso aceitar como verdade. Achei que meu incômodo perante parte dos companheiros de faculdade era por vezes exagerado. Mas o que ouvi é o fim.

Em uma aula do período noturno, para o pessoal do segundo ano de Educação Física, a professora iria passar um filme. Ao aparecer a primeira legenda do filme, vieram os pedidos: "coloca dublado" (!). Pedidos, repito, pois não foi apenas um. Vários alunos pediam para que o filme fosse colocado no dublado (!!). Entre o tumulto, sobe a reclamação: "é muito difícil ler e ver a imagem ao mesmo tempo" (!sic!).

A Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas é considerada uma das melhores do país, e assim o é! Mas é impossível de se acreditar que uma turma de segundo ano universitário reclame filme dublado. Talvez para facilitar as conversinhas constantes em todas as aulas desse instituto. É inconcebível que aquilo que se considera "os melhores profissionais formados no país" realmente peçam o que pediram. Ao menos tivessem vergonha na cara para ocultar a própria ignorância, num silêncio atento, se dedicando ao herculiano esforço de ver as imagens de um filme e ao mesmo tempo ler sua legenda.

Muitas pessoas têm dedicado a vida e os estudos na busca de uma Educação Física mais próxima daquilo que deve ser. Eu mesmo pretendo caminhar na busca de uma Educação que seja capaz de formar o homem completo, capaz de comandar sua vida e sua vida em sociedade. E é doloroso ver que o trabalho de tanta gente vai se indo pelo ralo devido a crianças que se esqueceram de crescer, e que reproduzem ações e pedidos que faziam na quinta série. E pior, como já disse, sem disso se envergonhar.

Falta crescimento, amadurecimento, responsabilidade. Falta seriedade naquilo que para alguns é objeto de pesquisa e fonte de mudança, mas que muitos tratam com infantil desrespeito e descuidado. Falta, da parte dos professores, exigirem o respeito que merecem. Falta merecer esse respeito.

Falta, e falta muito...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Diretor da Comvest atribui aprovação na UNICAMP à sorte

Um diretor da Comvest, órgão responsável pela elaboração do vestibular da Unicamp, disse, de forma explicada e clara, que o candidato depende da sorte para ser aprovado no vestibular. Em um debate realizado na Faculdade de Educação Física (debate esse importantíssimo e, parece ser consequência, com ninguém na platéia) ele deu uma série de argumentos, bastante fortes, que mostram que o sistema do vestibular que é aplicado não tem sido mais sustentável, e tem feito com que a sorte seja um dos fatores para a aprovação.

Não escreveria esse post se não fosse um importante professor da Fef. Após o tal diretor falar sobre a sorte, ele retrucou dizendo: temos que tomar cuidado com o que dizemos. Por que se tivesse um jornalista da Folha aqui, amanhã tava no jornal "diretor da Comvest atribui aprovação na UNICAMP à sorte". E finalizou com uma risadinha: Agente tem que tomar cuidado com o que torna público...

Jornalista da Folha, lá não havia. Mas havia esse blogueiro. Que isto escreve mais para que se torne público, e menos por achar que o que o diretor disse é um absurdo. A sorte é fator primordial quase que constantemente, apenas temos medo de assumir isso. Haja vista o brilhante filme de Wood Allen, "Ponto Final", e saberemos que a sorte permeia a todos nós.

Alguns mais, outros menos... Depende da sorte.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O dom de criticar

Sempre fui uma pessoa crítica. Se não soubesse que não é assim que as coisas se dão, diria que nasci crítico, por isso a utilização (irônica) da palavra dom. Isso deve vir do meu pai, que também parece ser crítico desde sempre. Nada passa por ele sem que manifeste sua posição, que na grande maioria das vezes, é contrária a o que foi dito.

Diferente de meu pai, inclusive rateando com ele, penso que certos assuntos já não vale mais a pena criticar. Ao ver o jornal, com uma notícia sobre político corrupto, meu pai logo chia. Reclama, esbraveja, não se conforma. Um tanto irritando digo que se conforme, que é sempre assim. Tome o cuidado de não me considerar um conformista, mas há três motivos para eu reclamar quando ele reclama: primeiro, a reclamação dele não muda nada. Segundo, não gosto de ver meu pai se exaltando, mesmo que seja pouco, mesmo que seja com o político da TV. Terceiro, porque sou filho dele.

Meu tom crítico já me rendeu diversos adjetivos, como mal-humorado, velho, ranzinza, zangado, preconceituoso. Este último parecia passar junto com os outros, em tom de ironia, mas incomodou um tanto mais. Contudo, com a devida ajuda sempre necessária, percebi que era também o mais real. Não percebia que no meu valioso "olhar crítico" muitas vezes se escondeu discriminação. Não sei por quantas vezes, julgando-me crítico respeitável, deixei de perceber e de reconhecer a força e a beleza do outro. Quantas vezes meu olhar distante (como dói dizer "superior") me fez olhar para tudo com pré-conceitos, cometendo assim o erro comum de ao olhar, ver apenas o que desejo para confirmar aquilo que esperava, e não ver realmente.

Difícil perceber isso em mim, ainda pior escrever.

sábado, 18 de abril de 2009

Susan Boyle - Nos ensina o que já deveríamos saber

Vi pela primeira vez na unicamp, almoçando em um restaurante, onde passava o Video Show. Programa chato, como sempre, eu pouco prestava atenção. Levantei-me, um tanto apressado para a aula, mas passando em frente a TV ouvi começarem a falar de um vídeo que estava fazendo grande sucesso. Como sempre ouço comentários sobre esses vídeos, mas nunca sei do que se tratam, parei para assistir.

Estava em pé, mas precisei sentar. Uma mulher de cabelo e roupa fora de moda e que aparentemente não tinha porque subir em um palco, ainda mais diante do chato Saimon (que conhecia do American Idol's), estava lá, obviamente desacreditada por todos, e já servindo de chacota. Então, a velha e mal cuidada senhora começa a cantar... Foi ai que sentei. Uma voz linda, doce e imponente. Sentei sem pressa, querendo ouvir mais aquela voz.

Não me emocionei porque não sou dessas coisas, mas que foi bonito foi. Pena que pessoas como ela precisem aparecer para que aprendamos o que já deveríamos saber. Não devemos jamais julgar as pessoas por aquilo que elas aparentam ser. Levantar conceitos prévios a partir de nada mais do que nossas impressões, tende a levar-nos para o erro e a discriminação. Susan não se parece com as cantoras que conhecemos, nem por isso é menos cantora do que elas. Aliás, é muito mais cantora do que muita gente famosa...

(Para os que, como eu, não acompanham esse vídeos virais, o link é:
http://www.youtube.com/watch?v=xRbYtxHayXo)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Momento

Vinha caminhando apressado pela praça central da unicamp (ao lado do ciclo básico). Vinha de bem longe, um tanto cansado de andar, mas a passos rápidos, pois havia várias coisas por fazer, mesmo já tendo resolvido outras tantas. Os compromissos giravam na minha cabeça, os textos, os trabalhos, as futuras provas, o dinheiro, enfim, tudo passava com pressa pelo cérebro agitado.

Mas um som me interrompe. Impede-me de seguir. Paro, feito bobo, no meio do caminho. Pouco a minha frente, um grupo de cinco pessoas toca uma música. Imediatamente todas as coisas pararam de girar, e deram espaço para a doce melodia. Era coisa simples, dois tambores desgastados, um triângulo (costumeiramente irritante), um estranho instrumento a base de côcos e uma flauta de madeira. Mas que juntos, tocavam algo doce, alegre e tranquilizador.

Fingi que planeja desde antes me sentar ali por perto. Sentei e olhei para frente. Vi um dos vários caminhos que partem da praça em direção aos institutos. O caminho era acompanhado por árvores, o sol iluminava algumas das copas, o vento fazia-as dançar, e refrescava meu rosto. Fiquei ali, de repente atônito. Era como se a natureza cantasse! Uma música melódica e leve, e que me enchia da paz.

Por ali fiquei alguns minutos, meia hora no máximo. Nem sei se eram bons músicos, mas tocaram mais do que música. Tocaram a mim. Talvez exatamente por não quererem isso. A simplicidade das músicas, aprendidas ali, na hora mesmo, pareciam a vós da natureza, estonteantemente bela e despretensiosa.

Fui me distanciando, ouvindo a música baixando ao longe... Tudo aquilo que passava pela minha cabeça pareceu reconhecer-se supérfluo...

domingo, 12 de abril de 2009

Páscoa

Fui ao supermercado ontem. Ao passar por aquele corredor de ovos de páscoa me surpreendi: ele estava quase vazio! De ovos, não de gente. Pois pessoas procurando por ovos, havia várias, o que faltava era ovo mesmo. Tudo bem que ontem já era véspera de Páscoa, mas ver as "prateleiras" quase vazias!? Levando em consideração os preços dos ovos!?

Passei por uma menininha que mal sabia falar, mas cuidava bem de pedir à sua mãe um ovo de "pácoa". Tentando parecer firme, a mãe dizia: Não minha filha, você já abriu três (!!). Não vou dizer que antes só abríamos os ovos no domingo, nem, saudosisticamente dizer, que antes os ovos tinham um significado. Por que talvez, de fato, só tenham tido na cabeça de quem os inventou e, talvez ainda, o significado que o tal inventor queria era vender chocolate mesmo.

Aliás, estacionou pertinho de minha casa, ontem, um caminhão que vendia chocolate. Um carro de som passava anunciando: "um caminhão recheado de chocolate está estacionado ao lado da torre do castelo, e está com uma super promoção - 50 barras (!!) por 10 reais (!!!). E para não voltar com a carga, você ainda leva mais 20 barras (!!!!)". Nem me preocupei em ir olhar. De certo carga roubada, tanto que minutos depois apareceu um carro de polícia, e mais alguns depois o caminhão não estava mais por aqui.

Mas enfim, não há gosto de chocolate igual ao do ovo de Páscoa! O formato, o recheio, os bombos sortidos, a exuberância dos pacotes, a enorme quantidade à disposição. Uma data mágica para o alimento mágico! Por isso, boa Páscoa, e muitos ovos para você!!!

(em tempo, aquele anjinho que aparece em nosso ombro veio me dizer que o mais importante dessa data não são os chocolates, mas sim a mensagem de paz, entrega e renovação. Discuto com ele: quem dera fosse meu caro, quem dera fosse...).

sábado, 11 de abril de 2009

"As paixões tornam-se más e pérfidas quando são consideradas más e pérfidas. [...] Não é algo terrível transformar sensações regulares e necessárias em fonte de miséria interior, e assim pretender tornar a miséria interior, em cada pessoa, algo regular e necessário?"
Nietzche

Algumas frases dizem tanto, que a melhor forma de falar sobre elas, é simplesmente reproduzi-las.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Contrastando com a alegria com a peça, o que havia dito no post "Histórias que se perderão...", de 28 de Dezembro de 2008, aconteceu.

As histórias ficam na memória... O contador, se foi.

Clarices

Quinta-feira, fomos ao teatro. A peça: Clarices. Parte de uma programação especial sobre Clarice Lispector, resolvemos ir de última hora, sem muita segurança sobre o que veríamos. E vimos o maravilhoso!

Certamente uma das melhores peças que já vi, Clarices leva a arte do teatro ao extremo da perfeição. Com três atrizes estupendas, trilha sonora perfeita, iluminação adequada, um cenário preciso e, como base de tudo, textos de Clarice Lispector, tratados com excelência. A cada frase nos arrepiávamos com as belas, simples e profundas palavras de Clarice, interpretadas com graça e muito sentimento.

Poderia discorrer mais uma lista de elogios. Mas, mais do que isso, voltei para casa extremamente feliz! Como é bom ver uma peça como essa, perfeita, profunda, simples e tocante. Como é bom saber que Clarice é genial.

Se eu Fosse Eu - Clarice Lispector

"Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase "se eu fosse eu", que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.

E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro."

(Texto extraído do livro A Descoberta do Mundo, Clarice Lispector, editora Rocco, pg. 156).

Faz de conta - Clarice Lispector

“Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos (...) faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, (...) faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua (...) faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta (...)”

p.s.: Discussão interessante depois da peça: estávamos em dúvida se íamos ou não. O ingresso custou 2 reais. Se custasse 10, de certo, não iríamos...

A peça vale muito mais que 10 reais, mas não iríamos...

domingo, 29 de março de 2009

Ah Rubinho...

Eu acompanho a fórmula 1. Gosto. Não sei bem o porquê, mas gosto. Antes assistia, mas ficava um tanto incomodado pelo nada que acontecia nas corridas. Hoje, dificilmente fico entediado. É bem verdade que as corridas ganharam em emoção depois da aposentadoria do todo poderoso (e eternamente melhor de todos) Schumacher. Mas muitos ainda reclamam do marasmo do programa, eu não.

Nesse fim de semana a corrida foi as 3 da madrugada. Sim, acordei para ver, e pior, acho que valeu a pena! O grande destaque, claro, foi a escuderia Brown GP, que fez sua estréia, e conquistou a primeira fila da largada, e a dobradinha na corrida. Incrível! Tão "in-crível" quanto Barrichello...

Nunca gostei muito dele como piloto. Aceitando o segundo plano na era Schumacher e sempre parecendo não ter garra suficiente nos momentos que precisava, Rubinho parecia acabado em Dezembro passado. Sua aposentadoria saia sem sua vontade, e o apelo para continuar na ativa soaram quase infantis, como quem não se toca que já está indo tarde.

Eis que surge uma nova escuderia, ele é contratado como piloto, e na primeira corrida do ano, faz o segundo lugar no treino classificatório. É bem verdade que seu companheiro de equipe ficou em primeiro, e Barrichello manteve seu eterno papel de segundão. Mas a situação requeria certo respeito. Poxa, um cara que estava fora há três meses, volta dessa forma?! Será que ele não merece respeito, perguntei-me.

Mas então vem a largada, antes Rubinho diz que largar na frente era mais fácil. Largam. Por algum motivo, ele fica, e cai da segunda para décima (acho) posição... Pronto, volto a ter certeza, ela é um "pé de chinelo".

Mas como se já não bastassem reviravoltas para um único post, Barrichello termina a prova em segundo, fazendo a dobradinha da Brown... É bem verdade que a sorte estava do lado do brasileiro, mas caramba, será (de novo) que ele não merece respeito?!

Ó dúvida cruel...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Vale-Cultura

Há uma lei sendo discutida no país. A Lei Rouanet de incentivo a cultura propõe, entre outras coisas, a criação do Vale-Cultura. Segundo o Ministro da área, Juca Ferreira o vale seria "muito semelhante ao vale-refeição. Só que em vez de alimentar o estômago vai alimentar o espírito e gerar benefício para área cultural". Esse vale seria no valor de R$ 50, sendo pago um tanto pela empresa, outro pelo governo, e outro pelo empregado. A proposta está sob consulta pública no site www.cultura. gov.br/reformada leirouanet.

Não participei da consulta. Não sei o que acho. A princípio a ideia é interessante, 50 reais garante certo acesso, ao menos para uma peça de teatro, duas entradas de cinema, ou um best-seller meia boca todo mês. A questão de como esse dinheiro seria gasto pela população (será que ela teria discernimento sobre o que ver, ler e ouvir?) fica até em segundo plano diante da questão: será que ela quer esse vale?

50 reais que obrigatoriamente devem ser investidos em cultura é, além de um assistencialismo ao extremo, bem ao moldes do que Stalin e Lênin seriam capazes de fazer, criar uma vale-cultura é exigir que o povo seja o que não é. Antes de alimentar qualquer espírito a grande massa precisa alimentar o corpo, e em seguida precisa se tornar consciente das possibilidades que podem se abrir através do cinema, teatro ou da literatura para então, emancipado, conhecedor de sua vontade pelo "cultural", reivindicar e criar seus acesso aos eventos dessa ordem.

Imposto de cima para baixo, esse vale diversão parece não apenas dizer ao povo com o que ele deve se divertir ou não, como também relembra a política do pão e circo, renomeados de Bolsa-Família e Vale-Cultura. O homem devia ser capaz de, a partir de seu trabalho, sustentar de forma adequada sua família, e ter acesso a diversas formas de cultura, uma vez que é isso que o identifica como ser pensante, curioso e reflexivo. E isso é alcançado de forma muito mais plena quando parte do indivíduo do que quando é feito através de políticas paternalistas, que são a pior forma de política que existe. O descaso de um governo ao menos gera certo inconformismo, o assistencialismo cria uma massa que aceita a ração dura e sem gosto que lhe é dada, e ainda aprende a respeitar o dono, mantendo a falsa impressão de que a ascensão social está logo ali.

Mas, uma família pobre de São Paulo, pode pegar esse dinheiro e numa sexta a noite ir ao Centro Cultural Fiesp e assistir a um espetáculo de alta qualidade. Será que não é um começo?

domingo, 22 de março de 2009

O que dizer?

Vou ser sincero: começo o post sem saber o que dizer. É que me veio aquela sensação de domingo, aquela... Não sei explicar qual.

Não fiz muita coisa. O que salvou meu dia foi treinar kung fu, o que além de me tirar um pouco de casa, me recolocou nos exercícios físicos depois de alguns dias em descanso, me recompondo de uma gripe. Valeu a pena.

Mais tarde, minha mãe vem me dizer que precisa gastar ovos. Tinham muitos ovos em casa, e eles estragariam até o fim da semana. Então a idéia era usar para não jogar fora. Sem a empolgação habitual para a cozinha, escolhi a receita que mais pedia ovos: bolo-pudim. 4 ovos no bolo, 5 no pudim. Era a receita. Segundo meu pai, ficou parecendo uma omelete. Mole, e temperado com açúcar. O cheiro tomou a casa toda, e ao invés de jogar ovos fora, vamos ter que jogar a coisa toda (só não tive coragem de fazer isso hoje, mas amanhã certamente).

Ah sim, vi o jogo também! Corinthians 1 x Santos 0, joguinho. E ainda sobrou tempo para mais cenas de violência nos estádios, no final do jogo. Culpa de diversos processos históricos fadados a se perpetuarem, e também de um juiz que quis aparecer mais que o jogo, e acabou contribuindo para a irritação dos torcedores.

No mais... Domingo...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Quem muito fala morde a língua...

Não sei se a frase do título já é um ditado popular, mas soa como um. E como todo bom ditado, sempre chega uma hora em que você percebe o quanto ele é verdadeiro. Há alguns dias reclamei da demora para o retorno das aulas (post - Vai, não vai...). Pois bem, elas começaram! E como...

Sem que me desse conta, me vi em plena segunda-feira com muitas coisas para fazer, e outras tantas atrasadas, especialmente textos, especialmente os das matérias chatas. Para coroar a correria, veio a impossibilidade de correr: peguei uma gripe no domingo como há muito não pegava. Febre, dor na garganta e no corpo, tosse e todo o kit desgraça como diria um amigo. Só não perdi o apetite, que costuma ser o primeiro sintoma para muitas pessoas. Isso é bom pois ao me alimentar, reforço meu organismo, mas estava em um ponto de querer comer, mas não ter pique para fazê-lo.

Agora estou melhorando, e como não fui em várias aulas essas semana, os textos que estavam atrasados agora são passado. Até o fim de semana devo estar cem por cento e ai volto para a correria. Sem reclamar. Um porquê até gosto de ter várias coisas para resolver, dois porquê não quero morder a língua de novo... Dói!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Eleição para reitor

As eleições para novo reitor da UNICAMP ocorreram nos dias 11 e 12, agora. Como era fácil de prever, Fernando Costa saiu vitorioso. Os resultados das urnas mostram o quanto era fácil acertar que ele sairia vencedor: Glaucia Pastore teve mais votos que ele, se considerarmos que cada voto tem o mesmo peso. Porém, com o peso triplo dos votos dos professores, o azulzinho acabou tendo cerca de "60%" dos votos.

Fatos curiosos:
1) O candidato mais votado não será o novo reitor. Assim como Al Gore não foi, e deu no que deu.
2) Cerca de 2 mil alunos votaram. Nem 10% do total.
3) O DCE, que representa os alunos da unicamp, decidiu pelo voto nulo. Nem 10% dos alunos que votaram, seguiram o que sua assembléia geral decidiu.
4) 5.546 funcionários votaram. 3.739 na Glaucia.

Tem alguma(s) coisa(s) errada(s) nessa Universidade...

domingo, 8 de março de 2009

O aborto

Ainda estou pensando se devo ou não falar sobre o caso que vem tendo repercussão nacional. Uma menina de 9 anos, estuprada pelo padrasto, realizou o aborto dos gêmeos que gestava. O arcebispo de Recife e Olinda excomungou a mãe da menina e os médicos que realizaram a operação, defendo que o aborto é crime. Com a repercussão mundial, o vaticano se pronunciou, se dizendo perplexa com a situação, mas defendendo a ação do arcebispo como correta.

É óbvio que discordo da posição da igreja. Isso nem precisaria ser dito. Mas gostaria de contar uma história que ouvi: uma mulher tinha 3 filhos, um de 9, outro de 4 e um ainda de colo. Grávida do quarto filho foi ao médico pedindo pelo aborto. Disse ao médico que vivia em condições precárias e que não teria como sustentar mais um filho, que três era o limite. O médico então respondeu - Tudo bem, entendo sua situação. E olhando para as três crianças que acompanhavam a mãe, perguntou - Qual deles você quer que eu mate? A mãe ficou atônita, e enroscando nas palavras disse que não era nada disso, que apenas não poderia ter mais um filho. O médico então concluiu - Você tem 4 filhos, 3 fora, e 1 dentro. Se acredita que o máximo que pode sustentar são 3, é só escolher qual dos 4 a senhora não quer mais.

O assunto é delicado para ser tratado de forma tão curta. Existem milhões de fatores envolvidos, e que precisam ser considerados, bem sei. A história serve para esquentar a discussão, se é que é preciso esquentar o que já está há ferver.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Do que importa

Ontem fui ao debate para sucessão ao cargo de reitor da UNICAMP. Depois passei o dia pensando em colocar um post aqui sobre ele. O que vi foi interessante e com certeza vale o comentário. Contudo, ocorreu algo ontem que, surpreendente para mim também, merece mais destaque nesse blog do que o debate: Ronaldo entrou em campo! (Para jogar futebol, é bom que se diga).

O debate chama a atenção pelas curiosidades envolvidas. Cheguei ao local do debate antes de todos (por sobra de tempo, não por ansiedade) e presenciei tudo, do início ao fim. No lado direito da mesa, com seus respectivos apoiadores do lado direito da platéia, estava Fernando Costa, cabelos brancos, traje tradicional e com o azul como cor de candidatura. Do lado esquerdo da mesa, e com sua gente no lado esquerdo da platéia, Glaucia Pastore, vestida de vermelho, e com vermelho no logo, falou de mudança, mas evidenciando desconhecer parte da máquina administrativa. Enquanto que o outro falava como grande conhecedor das coisas da universidade, e insistia na tradição e continuação (de algo que só ele julga estar bom).

Enfim, o debate tem conclusão simples. Um é o "mais do mesmo". Outra quer mudar, alterar o jogo de xadrez, sem saber direito o que as peças atuais fazem.

Agora, Ronaldo sim, é um acontecimento. Confesso que desacreditei quando ele chegou ao Corinthians. Achei boa jogada de marketing, mas que seria só isso. Mas ontem, me empolguei com o futebol como há muito não me empolgava. Tentei controlar, é verdade, mas não pude. Quando Ronaldo ia entrar, tomei posição melhor, sentei-me apreensivo, e não pude segurar o sorriso todas as vezes que o fenômeno tocava na bola.

E, cá entre nós, as poucas vezes que tocou, fez mais bonito do que o time todo do Corinthians vem fazendo. Craque é craque, e que ninguém ouse duvidar disso.

E que não duvide também que, nas eleições, o tucano sairá vencedor, e a vermelha sairá feliz por ter disputado.

terça-feira, 3 de março de 2009

Vai, não vai...

Logo no começo do mês de Dezembro do ano passado, as férias começaram. Lá se vão três mêses, e aqui estou eu, sentado em frente ao computador, em plena terça a tarde. É bem verdade que estive fora a manhã toda, e que sairei logo mais para resolver outros tantos problemas. Mas as aulas, que deveriam começar ontem... Só amanhã.

Fui à UNICAMP. Devo ter sido o único que não sabia que não haveria aula, uma vez que me vi solitário nos arredores da sala onde deveria ter minha ansiosamente esperada aula de estatística. Não reclamo, resolvi coisas que precisavam ser resolvidas, e ainda cheguei em casa a tempo de pegar o almoço. Mas depois de três mêses, todo o Carnaval passado, e a visão de vários feriados em dias de semana pela frente, o mínimo era que as aulas começassem na data programada.

Não quero parecer "Nerd". Não estou ansioso pela volta às aulas. Mas acredito que o mínimo que devo a todos aqueles que pagam impostos, e consequentemente, meus estudos, é voltar a estudar ao menos na data prevista, considerando os três mêses ociosos, para mim, e onerosos para a população.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Oscar 2009

Pensei em não comentar muito sobre o Oscar. Mas tendo visto três dos grandes nesse dias, preciso fazer algumas considerações.

Não vi Milk, por isso não posso falar sobre o trabalho de Sean Penn, mas Mickey (o Rourke, não o Mouse) está estupendo em O Lutador. Seu trabalho é de uma sinceridade e cumplicidade que não me lembro de ter visto antes. O fato de revisitar situações pelas quais ele mesmo passou não torna o trabalho mais fácil, acredito que o torne mais difícil, na verdade. Vale destaque a trilha sonora do filme, não que merecesse uma indicação ao Oscar, pois são músicas clássicas do Rock anos 80, e isso a torna excitante.

Infelizmente cada uma das categorias em que Dúvida foi indicado já tinham vencedores certos (melhor ator coadjuvante, atriz, atriz coadjuvante e roteiro adaptado), mas a grande injustiça foi deixá-lo de fora da disputa pelo melhor filme. Dúvida é uma obra-prima, com um roteiro magistral e um desfile de atuações incomparáveis. Os indicados a melhor filme são, diga-se de passagem, a grande injustiça desse ano. Dúvida e Batman - O Cavaleiro das Trevas mereciam estar na disputa muito mais do que a história sem graça de Button (que a própria academia reconheceu fraco, ao dar apenas 2 estatuetas), ou o clichê holocáustico de O Leitor.

Mas se o Oscar faz justiça, o fez com Quem Quer Ser Um Milionário? A premiação nas 8 categorias (melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha sonora, canção original e mixagem de som) são corretas e merecidas. O filme sabe ser um agradável entretenimento sem deixar de tocar em assuntos cruéis e assustadores. Um filme magistral.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de cinzas

"O mais sólido conhecimento (aquele acerca da total falta de liberdade da vontade humana) é não obstante o mais carente de sucesso: pois ele sempre tem o mais sólido adversário, a vaidade humana"

"Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez - a sí próprio?"

"Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais fundo e descobrirá que não ama eles: ama isso sim as sensações agradáveis que tal amor produz em você. Ama o desejo, e não o desejado"

Hoje é quarta-feira de cinzas, dia de silêncio, internalização, reflexão, jejum. Nada mais adequado que Friedrich Nietzsche.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval

Acabo de assistir a única coisa que me interesso no Carnaval: a apuração. Na verdade vi apenas alguns pedaços, não tenho lá muita paciência. Especialmente depois que a Gaviões levou alguns nove e tanto, e já não tinha mais chances. Ah! Preciso dizer: Mocidade campeã! Não que isso tenha muita importância pra mim, mas o trabalho para fazer um desfile é tão absurdamente grande que ao menos citar o nome da campeã eu devo. Apesar de achar uma tremenda perda de tempo e dinheiro.

Contudo muitas pessoas diriam o mesmo sobre muitos filmes. Logo não vou ficar criticando o Carnaval. Como disse Tom Jobim, "a felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval", mas da mesma forma poderia ser dito que a ilusão do cinema é a felicidade da classe média, que quer ser alta, mas tem que escolher dias de promoção, e que quer se afastar da baixa, e escolhendo o programa mais "cult".

Ok.
Já há controvérsias demais para um único post.

p.s.: O que mais gosto do Carnaval é que ele abre a contagem regressiva para a Páscoa!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscar 2009

Felizmente não dependo das minhas previsões para viver. Das 24 categorias do Oscar, acertei 9 palpites. Venho fazendo isso há alguns anos, mas ainda cometo alguns erros bobos, como na categoria Atriz Coadjuvante, na qual todos sabiam quem ia ganhar, e principalmente, quem não ia. Eu apostei nessa última como vencedora! Tosco.

Os destaques certamente foram Quem Quer Ser Um Milionário, que levou 8 estatuetas, vencendo até em categorias que não merecia, mostrando que Bollyhood (indústria do cinema indiano) realmente chegou a Hollywood. Não exatamente uma surpresa, mas o Oscar póstumo de Ledger foi, acima de tudo, merecido. E também a cerimônia, enxuta e muito bem apresentada. Foi a primeira vez que não dormi no meio!

Uma noite memorável para os fãs de cinema. Muito melhor que desfile de carnaval!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Palavra Caipira

Ontem fui a um espetáculo da 24ª Campanha de Popularização do Teatro de Campinas, iniciativa muito interessante. A peça, ou melhor, espetáculo cênico musical, se intitulava Palavra Caipira. O suficiente para espantar muita gente. A questão é que, para mim, atrai.

Cresci ouvindo música caipira nos churrascos de família, nunca cheguei a realmente detestar, mas reclama pela diversão da piada. É bem verdade que certas coisas são caipiras em excesso, vamos dizer. Mas ontem percebi o quanto gosto do estilo. O espetáculo é a união entre 3 músicos, cada um de um lugar do país, todos dedicados à música caipira. Todos ótimos instrumentistas e grandes cantadores.

Teco Seade toca violão e cuida da percussão com pequenos apetrechos extremamente divertidos, imitando os sons de animais, além de ter a performance mais teatral dos três. Carlos Kbelo e Agnaldo Araújo, além de cantarem muito bem, revezam entre violão, viola caipira, violão de 7 cordas, baixolão e um tipo de cavaquinho do interior com impressionantes 10 cordas. Excepcional.

Duas horas se passaram sem que eu me desse conta. No repertório os grandes clássicos da música caipira, e também composições dos três que surpreendem pela beleza da letra, e pela musicalidade impecável. Eles voltam a se apresentar no clube da Bosch, dia 28 de Março! Vale muito à pena!

Putz! É... Eu gosto de música caipira...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Violência no futebol

Sou corintiano. Já fui mais. De chorar quando meu time perdia para o Palmeiras. Mais por medo das brincadeiras na escola no outro dia, do que pelo jogo em si. Num desses dias meus pais me revelaram algo que mudaria minha visão do futebol para sempre: você não precisa chorar. Eles, ganhando ou perdendo ganham o dinheiro deles, e é muito dinheiro. E você vai ficar ai sofrendo?!

Desde então pude começar a encarar o futebol como ele é: um show, muitas vezes "de horrores", em que 22 pessoas atuam, como se tentassem fazer gols, impedir o adversário de fazê-lo, e recheado de pancadaria para animar a coisa. Bastou isso para vários outros esportes parecerem muito mais interessantes. Hoje torço a distância, e faz muito tempo que não assisto a um jogo por inteiro.

Mas ainda assim, o clássico do fim de semana reverberou pelos jornais, devido aos problemas no estádio e em seu entorno. Com saldo de um morto em Belo Horizonte, e dezenas de feridos pelo país, uns 40 só em São Paulo. Espalhar a culpa é simples: primeiro, os clubes São Paulo e Corinthians, que ao longo da semana deram declarações descuidadas, aumentando clima de guerra; segundo a polícia, que mesmo sabendo que haveriam problemas, não se prepara como deveria, e parece querer que o circo pegue fogo mesmo; e claro, os vândalos-torcedores que insistem em ir aos estádios, e óbvio que com apenas pequena porcentagem do Morumbi para os corintianos eles conseguiram selecionar apenas os piores torcedores, como um exército, que manda apenas a cavalaria, já que a massa toda não entra.

A solução é, teoricamente, simples. Como diz Heloísa Reis, pesquisadora de FEF sobre violência no esporte, "um ambiente hostil gera hostilidade". Para se resolver o problema é preciso transformar o ambiente do futebol, começando por acessos adequados ao estádio, compra de ingressos antecipadamente e a preços acessíveis, boas instalações, especialmente se referindo a banheiros, jogadores minimamente profissionais, policia que tranquilize e não que aumente o pânico. Enfim, um ambiente confortável e agradável certamente diminuirá o problema. E pra isso é preciso apenas um planejamento a longo prazo, adequado e responsável.

E talvez seja exatamente esse o problema desse país, em tudo. Não há um planejamento de longo prazo. Há operações "tapa-buraco" que vão maquiando o problema.

Resta a esperança em acreditar que cada vez mais pessoas não serão enganadas pela maquiagem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Whose line is it anyway?

Não sou muito lá de comédias. Os pastelões americanos deixam-me especialmente irritados. Assim como coisas do tipo A Praça é Nossa e Zorra Total. É incrível como conseguem fazer quadros péssimos e piadas toscas. Dizer que gosto de humor inteligente seria um tanto prepotente, uma vez que considera que apenas o humor que gosto é refinado, e os outros não. Apesar de ter a certeza que muito concordariam que o programa de sábado da Globo está longe de ser inteligente, prefiro dizer que gosto de humor de referência, e que não apele para os palavrões para fazer rir (como faz constantemente Rafinha Bastos).

Mais fácil do que tentar explicar qual é meu tipo de humor, é dar exemplos. E Whose Line Is It Anyway é o exemplo máximo. Esse é uma série americana que deixou de ser feita há alguns anos. Ela passava na Sony, mas agora acredito que só através do Youtube para ver mesmo. Para mim, o humor é genial. É um programa de improvisação, em que quatro comediantes participam de jogos, que muitas vezes terminam de ser elaborados pela platéia. Aquele Os Improváveis certamente copiaram a idéia desse programa, mas ainda estão muito longe do original americano. Muito!

No Youtube tem alguns quadros com legendas. E caso goste, procure o programa com a participação de Robin Williams. Você pode assisti-lo na íntegra! E eu acho hilário!

Afinal, rir é o melhor remédio, não?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A maior batalha

Juro ter ficado durante meia hora a escrever e apagar aqui nessa página. O botão que diz "publicar post" já me olha com cara de entediado, e o vídeo que deixei carregando no youtube já está pronto há muito tempo. Cansei...

"A maior batalha que nós travamos e contra nós mesmos"

É isso. E como é!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Coisas que nunca fiz

Ontem demorei um pouco para dormir. Não estava exatamente com sono quando fui deitar, mas a tv definitivamente não ajudava. Deitei, depois sentei, levantei, e sentei de novo. Foi quando, com as pernas para fora da cama, pensei: nunca deitei "ao contrário", ou seja, com a cabeça no lugar dos pés. Sei de histórias de pessoas que dormiram com a cabeça em seu devido lugar e acordaram com ela no final da cama. Mas eu nunca tinha feito isso.

A sensação foi ótima. me senti deitado em algo completamente novo. Ao deitar assim, fico bem ao lado da janela, e pude sentir um friozinho de chuva no meu rosto. Olhei em volta, vi a parede que nunca vejo. Ela é a única diferente do meu quarto, pintada, por mim, de um vermelho bem escuro. Senti-me aquecido pela cor forte, e ao mesmo tempo refrescado pelo vento geladinho da janela.

Só não dormi assim por medo do que meus pais diriam ao me encontrar dormindo dessa forma tão... Não normal. Dormi bem do lado certo, é verdade. Mas foi ao mudar de posição, coisa tão simples, que me reencontrei com o meu quarto, pude vê-lo diferente, renovado, vivo.

E você? O que ainda nunca fez??

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Curioso (e só) caso de Benjamin Button

Acredito ser a primeira vez que escrevo, efetivamente, sobre cinema. Vamos lá...

O Curioso caso de Benjamin Button conta a história de homem que nasce velho, e ao longo do tempo vai rejuvenescendo. Similar a Forrest Gump (o que não é de se estranhar, uma vez que roteirista e diretor são os mesmos) mas de trás para frente, o filme mostra as desventuras de um Benjamin que parece nunca estar satisfeito onde está (característica marcante do contador de histórias interpretado por Tom Hanks).

Benjamin Button é um exercício cinematográfico perfeito. Levado em marcha lenta pelo diretor, o filme permite que se aprecie cada detalhe dos magníficos cenários, e a fotografia nos faz ter a impressão de ver um quadro cuidadosamente pintado a cada nova cena. Não ficam para trás a discreta e adequada trilha sonora, nem o perfeito figurino. Mas o maior destaque é, certamente, a maquiagem, que nos faz realmente ver um Brad Pitt tanto com 70, quanto com 20 e poucos anos.

Irretocável em seus quesitos técnicos, Benjamin Button falha ao acreditar que isso basta. Praticamente sem expressões, talvez para não estragar a maquiagem, Brad e Blanchet dirigem suas atuações no piloto automático, e se a rosto distante de Pitt parece adequado no começo da trama, a impressão de indiferença do ator fica muito acentuada no final. Do mesmo modo, o diretor David Fincher parece ter percebido que, no ritmo inicial, o filme teria mais de 5 horas, e se utiliza de cartões postais para acelerar a passagem de anos, fazendo um final que desrespeita o próprio filme.

Cheio de sub-tramas desnecessárias (como o relógio que anda para trás, a amante de Button, e principalmente, o furacão em Nova Orleans) o caso de Benjamin Button se mostra sim curioso, e é contado com perfeição. Mas confesso ter saído do cinema da mesma forma que entrei. Tomei conhecimento de uma história curiosa, e que me foi contada impecavelmente, mas não tirei dela nada de novo, nenhuma reflexão foi despertada, nenhum questionamento ou dúvida. Aprendi que o tempo passa para todos... Mas isso a vida ensina bem.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

É...

Claro. O grão de areia que ficou indo e voltando no meu olho gerou cerca de 15 micro-cortes. Agora tenho que passar uma pomada altamente desagradável ao longo de 3 dias, 4 vezes ao dia. Meu olho fica todo melecado e enxergo embaçado por horas!

Boa "jeitinho brasileiro"... Boa!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Areia no olho

Já devem fazer uns 10 dias que joguei vôlei de areia. Só para variar, diversos grãos foram parar dentro dos meus olhos. Mas já estou acostumado, lavo bem, pingo colírio e espero pacientemente até que os grãos se dissolvam. Dessa vez parece que um deles não vai se dissolver, e mais uma vez (sim, já tive que fazer isso antes) vou ao oftalmologista para que ele tire o "corpo estanho" do meu olho.

Engraçado como demorei para marcar a consulta. Por longas dez noites tive que esperar ter muito sono para poder dormir, pois só assim o incômodo nos olhos não me impedia de fechá-los. Não sei se me surpreendo com habilidade de adaptação, ou se me espanto com a inércia perante o problema. O incômodo é real, e vem agindo a mais de uma semana. Fui forte e "sem frescura" ao esperar que o problema se resolvesse? Ou fui estúpido e preguiçoso, uma vez que posso descobrir que ao longo dos dias o grão de areia acabou machucando meu olho?

Seríamos nós, seres humanos, BONS por conseguimos nos adaptar às situações difíceis da vida? Ou RUINS pela inatividade perante os problemas?

Vivas, ou insultos ao jeitinho brasileiro?

Bom, da minha parte, ao empurrar o problema com a barriga só ganhei alguns dias a mais com dificuldade para dormir...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ah não! Política...

Ontem assisti, em parte, o Jornal Nacional. Raramente faço isso, não por algum motivo em específico, simplesmente por geralmente não estar em casa no horário. É ainda mais raro eu falar sobre política, acho que nesse blog ainda não havia feito isso, mas uma notícia que vi ontem me obriga a escrever.

Não me atentei a números, mas fiquei sabendo que o governo realizou, dias atrás, um super corte no orçamento da união para 2009. No dia seguinte, colocou meio bilhão de reais a mais no programa Bolsa Família. Em seguida da informação, mostraram uma família, que sobrevive do trabalho do pai, que cobre o aluguel, enquanto que os 150 reais do bolsa família cobrem as despesas restantes, sendo o pai, a mãe e duas filhas. Ao ser entrevistada, a mãe diz que a ajuda é bem vinda, mas que o que ela queria de fato era ter um emprego. Não sei o quanto essa vontade é dela, e não do jornal nacional em sí, mas de qualquer forma, é consciência rara.

Vendo essa reportagem me lembrei de um dos motivos para meu desagrado com o governo Lula. Seu assistencialismo é covarde, atrasado e populista. Dar os peixes, sem ensinar a pescar é não só infrutífero, como também uma forma de atar a massa de manobra às vontades do governo. Ao invés de manter investimentos nas áreas que geram desenvolvimento e, consequentemente, empregos, o governo prefere refrear áreas que poderia gerar autonomia, para incentivar a dependência dos indivíduos pobres perante o Estado. Reforça a lógica de coisa pobre para os pobres, e espalha as migalhas que sobraram do livre comércio. Sem, contudo, modificar em nada a realidade avassaladoramente desigual.

Se a direita simplesmente entrega a população às revelias do mercado, a esquerda lulista tapa o sol com a peneira, e transforma o excluído do mercado não só num indivíduo pobre, como também num indivíduo manipulável e acrítico. E que, certamente, elegerá Dilma, a mãe do PAC. Criando assim o tão polêmico, e tão simples, terceiro mandato de Lula.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Oscar – 2009

Os indicados à 81ª premiação do Oscar saíram no dia 22 passado. A cerimônia de entrega dos prêmios da academia ocorre no dia 22 de fevereiro.

Abaixo, meus palpites:

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Mickey Rourke - O Lutador

Melhor Atriz
Kate Winslet - O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger - Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz Coadjuvante
Taraji P. Henson - O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Diretor
Danny Boyle - Quem Quer ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original
Martin McDonagh - Na Mira do Chefe

Melhor Roteiro Adaptado
Quem Quer ser um Milionário?, Simon Beaufoy

Melhor Filme Estrangeiro
Waltz with Bashir

Melhor Animação
WALL•E

Melhor Fotografia
O Curioso Caso de Benjamin Button, Claudio Miranda

Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
O Curioso Caso de Benjamin Button
Melhor Documentário
Man on Wire

Melhor Documentário em Curta-Metragem
The Witness - From the Balcony of Room 306

Melhor Montagem
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button, Greg Cannom

Melhor Trilha Sonora
WALL-E

Melhores Efeitos Visuais
Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Canção Original
“Down to Earth”, WALL-E

Melhor Curta de Animação
This Way Up

Melhor Curta-Metragem
New Boy

Melhor Edição de Som
Quem Quer se um Milionário?

Melhor Mixagem de Som
O Curioso Caso de Benjamin Button

Façam suas apostas!!

(Ou não...)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Quê??

Luiz Gonzaga Belluzzo é um dos figurões da economia do país. Um dos fundadores do Instituto de Economia da UNICAMP, ele ainda aparece por lá raras vezes. Aliás, sua ausência nos eventos à que é chamado é uma das grandes piadas do instituto. Ele foi apontado como um dos 100 economistas heterodoxos mais importantes do Século XX, em 2001, e ganhador do Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, em 2005.

Eis que hoje pela manhã, um amigo me informa que esse senhor, renomado e vangloriado, conquistou a presidência da Sociedade Esportiva Palmeiras. Ontem, ele recebeu 145 votos, contra os 123 de seu oponente. A princípio parecia piada. Mas é verdade.

Já tinha ouvido histórias de que na Europa quem estuda futebol são mesmo os economistas, e não os educadores físicos (faculdade que por lá nem bem existe). É justo. Futebol virou mercadoria, e jogador moeda de troca. Agora, um dos mais importantes economistas do Brasil surgir de repente como presidente do Palmeiras?!

Não digo que seja negativo, apenas imaginei que a mudança seria mais gradual. De qualquer forma será interessante observar como a teoria de Belluzzo poderá se aplicar à prática (quebrada) do Palmeiras (ou qualquer outro clube de futebol que fosse). Mas, mesmo para mim que tenho apenas duas décadas, fica a estranha e incômoda sensação de que o futebol da passos à frente, mas no caminho "errado". Torcida, identificação e amor a camisa, parecem ser características do anarquismo real em que vivia o futebol. Características que agora estarão, enfim, superadas pela perfeição estrutural do capitalismo, que vai avançando por cima de todos os campos, agora até, pelos de grama.