domingo, 30 de janeiro de 2011

Acertos 2


Talvez o título devesse ser outro... Ah, as pampas com o cuidado jornalístico (não preciso tê-lo)! Novo título: Golaço do governo Dilma!
Segundo o jornalista Lauro Jardim, o ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, Henrique Meirelles, será APO - Autoridade Pública Olímpica. Um homem sério, rigoroso, eficiente, e de grande conhecimento econômico. Além disso, um "figurão" da política, que certamente botará medo em Carlos Artur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e seus comparsas, e dará credibilidade junto ao Comitê Olímpico Internacional.
Claro que se trata de um golaço, mas a partida ainda está sendo perdida de forma vexatória. Afinal, a escolha de Meirelles só é correta pois se assume, de forma declarada e explícita, e por isso definitiva, que o evento olímpico é encarado pelo governo como um evento de negócios. Fosse um momento especial de atenção ao desenvolvimento do esporte no país, seria um educador físico a figurar no cargo.
Mas enfim, comemoremos o gol, a partida já está perdida.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Será?



Um jornalista que costumo acompanhar, e concordar, é Juca Kfouri. Em seu blog (www.blogdojuca.uol.com.br) ele coloca muitos fatos interessantes sobre o futebol (um deles merecerá o post futuro), sempre em um tom bastante crítico e, no meu ver, acertado na grande maioria das vezes.
Mas uma afirmação dele me pôs a pensar, e resolvi pensar via post. Kfouri compara os cerca de 1.000 mortos nos desastres no Rio de Janeiro, com os cerca de 1.000.000.000 de reais gastos para a reforma apenas do Maracanã (que já passou por duas grandes reformas na última década). "Uma questão de prioridades", como é o título do post de Juca.
Tal comparação seria prova irrefutável (isso eu estou concluindo a partir do que ele disse e vem dizendo) de que a Copa do Mundo e as Olimpíadas, aqui não podem ser. Concordo com a conclusão, mas talvez não com a prova. Como o próprio autor diz, nada garante que o dinheiro injetado no Maracanã se direcionaria aos desabrigados das chuvas, casa não houvesse a necessidade de sediar alguns jogos nos anos de 2014 e 2016.
Se é bem verdade que esse dinheiro até deveria ser direcionado para essa, e outras tantas questões mais "doloridas" (e urgentes), também é verdade que sem a Copa e as Olimpíadas grande parte desse dinheiro nem estaria sendo levantado. Se há rios de dinheiro rolando em leitos errados (como na construção de elefantes brancos pelo país afora), também há certo montando buscando melhorias, por exemplo, na mobilidade social dentro das cidades sedes. Há também uma atenção especial aos atrasados aeroportos brasileiros. E também podemos ter (quase) a certeza de que episódios ocorridos aos montes de quedas de estádios graças a degradação e má conservação, causando mortes de torcedores, não mais se repetirão depois da Copa.
Que fique claro que estou longe de achar que esses dois grandes eventos realmente deveriam ser aqui (o que não me impede de pensar que eles até serão bastante positivos, em determinadas áreas). Mas meu problema maior permanece extremamente claro: a forma com que as montanhas de dinheiro serão usados, e com que objetivo esses eventos ocorrerão. É para servirem de impulso do desenvolvimento do país e do esporte livre, divertido e democrático? Ou será uma forma de marketing populacionista, somada a uma mega estrutura pensada para que as grandes empresas que controlam esses eventos façam seus lucros graças aos países emergentes, e por tanto, cheios da grana? Ou mesmo para encher os bolsos de Sr. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, organizador da Copa do Mundo no Brasil, que sem o menor resquício de vergonha na cara fez se assinar um contrato em que ele próprio ficará com 0,1% dos lucros gerados pela Copa?
Não concordo com o argumento de Juca Kfouri. O dinheiro destinado à Copa e às Olimpíadas terá seu retorno (ainda que esse retorno pudesse ser muito, mas muito maior). Agora, esse 0,1% certamente ajudaria e muito, as centenas de desabrigados devido às águas de Janeiro.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Provocações


Há um curioso programa de entrevistas, que passa na TV Cultura, não sei ao certo quando. Começa pelo nome do apresentador, Antônio Abujamra, mas principalmente devido a sua personalidade incomum (e, para mim, extremamente interessante). O tom e o clima da entrevista acabam sendo um atrativo, bem como as citações e "discussões" um tanto filosóficas. Enfim, acredito que vale a pena.

O link abaixo é a Parte 1 da entrevista com o apresentador Marcelo Tas, que gosto muito, mas há outras muito interessantes.
(Adoro o final das entrevistas: "dá cá um abraço que é a única coisa falsa desse program". Muito bom).
http://www.youtube.com/watch?v=YHoM5Dy4tiE

Acertos de Dilma

O título é pretensioso, talvez inadequado. Estou bastante longe de ser uma analista política, na verdade, pouco leio jornal. Mas dois fatos me chamaram a atenção, e me deram uma esperança que não esperava ter.
Apesar de minha primeira opção fosse pela outra mulher como presidente do país, a partir do segundo turno me pintei de vermelho. Dentre outros motivos, se destaca o terrível caminho que trilha a educação no Estado de São Paulo, governado desde que me sei por gente pelos tucanos.
O fato é que duas ações do governo me chamaram a atenção, e logo resolvi postar como acertos de Dilma (queiram aceitar a forçada de barra). Primeiro, com o desastre da região serrana do Rio, que certamente, e infelizmente, atingirá mil mortos. O que esperava até hoje de um político seria uma viagem para a região (num dia realmente ensolarado e sem previsão de chuva), no qual ele caminharia por entre os destroços, abraçaria os desabrigados, e beijaria algumas criancinhas. Depois um discurso emocionado e emocionante (dependendo da qualidade da retórica), e então, viagem de volta para Brasília, de imagem feita.
Que eu saiba, Dilma não esteve na região serrana. Certamente falou do desastre, mas sem grandes comoções. No entanto, logo lançou um programa de quatro anos, com muito dinheiro investido, para prevenir sobre situações de desastres naturais, alertar a população em risco, e preparar planos de "evacuação".
Segundo ponto, esse mais simples: veio o "escândalo" dos passaportes diplomáticos cedidos no último dia do governo Lula. Logo o assunto cairia no esquecimento, ao presidente de sempre caberia algumas palavras de indignação e "isso não se repetirá". Mas eis que surgem, pouco tempo depois e sem alarde, novas regras para a liberação desse tipo de passaporte, que de fato farão com que o acontecido não se repita.
São pequenas ações, detalhes talvez, mas que, não sei bem o porquê, me deram a tal esperança. E de alguma forma, parece ter a cara de Dilma: firmeza moral, tranquilidade e eficiência... Soa promissor.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Um filme apenas


Sou fã de animações, confesso. Se eu tivesse uma lista dos dez melhores filmes que já vi, três deles seriam animações: Ratatuille, Toy Story 3, e Wall-E (perto do topo da lista talvez). Claro que gosto porque me divirto, não lembro de ter rido mais na minha vida do que no dia em que vi A Era de Gelo no cinema. Mas há algo mais. Talvez a simplicidade de sentimentos, as situações fantásticas tornadas reais, o encantamento sincero com o bem, sem com isso simplificar a maldade. Não sei bem ao certo, sei apenas que as animações me tocam.
Está no cinema o filme Enrolados, 50º filme de animação da Disney. A princípio não dei muita bola, a história da Rapunzel parecia suficientemente recontada. Mas li boas críticas o que, somado a marca Disney, me levou até o cinema ontem.
Curioso o processo que nos leva a gostar ou não de um filme... Sou afeito das premiações e listas, mas não deixo de reconhecer que a importância de um filme pode ser, e talvez deva ser, medido com aparelhos completamente diferentes, conforme quem o assiste.
É fato que há fatos (Fim dos Tempos, de M. Night Shayamalan, é terrível, e isso é fato), mas há muitas coisas que podem influenciar a experiência de ver um filme. Enrolados, de Byron Howard e Nathan Greno, tinha tudo para passar desapercebido. Mas acontece que o dia, e seus percalços, me que na verdade me levaram até o cinema, tornaram esse filme uma experiência memorável.
Fantástico no que se refere aos atributos técnicos, Enrolados da poderes mágicos às longas madeixas de Rapunzel, o que se torna o motivo da bruxa má manter a princesa enclausurada na torre. Já adolescente, a vontade de ver um determinado evento anual, somado claro ao encontro com o príncipe encantado, leva Rapunzel a fugir. Durante o tempo fora da torre, alguma aventura, muita música e, novamente claro, e descobrimento do verdadeiro amor.
Se ao ser resumido o filme soa totalmente clichê, a produção ganha enormes méritos exatamente no sentido contrário. Sem querer transformar esse post numa crítica de cinema, Enrolados acerta ao demonstrar a dúvida constante de uma jovem que teme desrespeitar sua madrasta/mãe, e que constantemente se sente confusa se deve realmente buscar seu sonho, ou se deve permanecer na segurança de sua casa.
Para que o post não se alongue (mais), parto direto ao ponto: não seríamos todos, Rapunzel? Em uma das belas canções do filme, a menina se diverte ao fazer o que sempre faz dentro de sua torre, ela canta, dança, lê, faz faxina e até estuda astrologia através da observação das estrelas. A vontade de sair está presente, mas até o momento da história, não a tinha feito tentar escapar. Na verdade, para a princesa, é difícil pedir à mãe para sair.
De forma novamente acertada, a bruxa má não é simplesmente louca. É bem verdade que protege Rapunzel apenas para ter os benefícios de seus cabelos, mas os argumentos que usa poderiam estar na boca de muitas pessoas. Mais até do que isso, sua música parece ser algo dito pelas divindades humanas, que insistem em nos dizer para sermos respeitosos, educados e, males dos males, feliz com aquilo que temos. Esta Rapunzel, ainda que depois de 18 anos, deixa aflorar seu sonho, e parte em busca dele. Mas quantos de nós não deixamos de olhar pela janela? Talvez tenhamos olhado um dia, talvez tenhamos visto algo que queríamos, mas o conforto e comodidade da torre, somados aos discursos sobre o quanto o mundo é cruel, acabaram por nos manter em nossas torres.
Última, e significativa, consideração sobre o filme (ainda que muitas outras não parem de surgir): ainda que desejasse, foi preciso que o príncipe invadisse, sem querer, a torre de Rapunzel para que ela enfim tomasse coragem para partir em sua aventura. É incrível como é precisamente na relação com o outro, que temos novas chances de olhar para a janela, descobrir novas coisas lá fora e, quem sabe, ter a chance de sair, tocar a grama com o mesmo amor que Rapunzel a toca pela primeira vez... As vezes da receio, nos sentimos inseguros, mas defendo que, sem irresponsabilidade, ignoremos os ditames dessas divindades que nos querem tão bem e tão seguros, para ir conhecer esse mundo do lado de fora da torre. Tenho a alegria de ter recebido uma visita, que me ajudou a ter coragem para explorar os caminhos além da torre, e sou muito grato por isso.
Mas de certo, a vida é mais complicada que os desenhos, e sair da torre é muito mais um processo, longo e difícil, do que um divertido rapel por longas madeixas loiras. Ainda assim, esse simples desenho animado me permitiu refletir, e principalmente, sentir tudo isso. Agora, não me perguntem se o filme é bom, não seria capaz de dizer.