As palavras que seguem não são minhas, mas de José Saramago. Escritas no dia 15 de Abril de 1994, e publicadas no Caderno II do livro "Cadernos de Lazaronte", elas refletem um certo desconforto, um questionamento que, se antes só se revelava aos de extrema sensibilidade, com o gênio português, hoje parece cada vez mais evidente.
"Já se sabe que não somos um povo alegre (um francês aproveitador de rimas fáceis é que inventou aquela de que 'les portugais son toujours gais'), mas a tristeza de agora, a que Camões, para não ter de procurar novas palavras, talvez chamasse simplesmente 'apagada e vil', é a de quem se vê sem horizontes, de quem vai suspeitando que a prosperidade prometida foi um logro e que as aparências serão pagas bem caro num futuro que não vem longe. E as alternativas, onde estão, em que consistem? Olhando a cara fingidamente satisfeita dos europeus, julgo não serem previsíveis, tão cedo, alternativas nacionais próprias (torno a dizer: nacionais, não nacionalistas), e que da crise profunda, crise económica, mas também crise ética, em que patinhamos, é que poderão, talvez - contemo-nos com um talvez -, vir a nascer as necessárias ideias novas, capazes de retomar e integrar a parte melhor de algumas das antigas, principiando, sem prévia definição condicional de antiguidade ou modernidade, por recolocar o cidadão, um cidadão enfim lúcido e responsável, no lugar que hoje está ocupado pelo animal irracional que responde ao nome de consumidor".
É isso.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Inconformismo
O título deste post justifica a tão brusca retomada do blog. Melhor seria dizer seu uso repentino. A questão que aqui se coloca é o inconformismo, diário para os que enxergam um pouco além do evidente, mas que em alguns momentos parece emergir brusco, imediato, atrasado já, e acaba por vir aqui deitar-se, para ver se se acalma.
Minha revolta é por ter sido, há pouco, agredido pela inacreditável "tosquidão" do programa Domingão do Faustão. Um pobre homem foi chamado ao palco para pagar terrível mico, ao apresentar, com canto e dança, uma música do Michael Jackson. Evidentemente simples, com dificuldades de se expressar em português, o desempenho do rapaz foi terrivelmente parco. Vale dizer que não se tratava de uma sátira, o indivíduo claramente se acreditava capaz de apresentar algo de interessante. Faustão não deixou de fazer suas piadas ridículas, e o bando de macaquinhos treinados da platéia não deixou de apoiar, com vivas e palmas, o desempenho medíocre.
Há, em todo esse show bizarro, uma série de questões e reflexões que parecem clamar para serem vistas. As cortinas do ridículo parecem já estar rasgadas, mofadas, descosturadas, prontas para serem queimadas e enfim deixarem se revelar os problemas latentes dessa sociedade. Mas mesmo assim, os trapos restantes parecem que, de tão fluorescentes, atraem todos os olhos, todas as atenções, enquanto tudo que está por trás segue invisível.
Trapos fétidos como Big Brother Brasil, Pânico na TV, Programa do Ratinho, Programa do Gugu, praticamente tudo que é feito no SBT, RedeTV e Gazeta, para não dizer toda a estupidez transmitida em forma de cartilha social pelas novelas da Globo, e claro, o pobre homem posto no palco para fazer papel de ridículo e entreter seus expectadores que só podem ser acéfalos.
Por que tanto incômodo? Por que tanta revolta? Especialmente eu, que posso muito bem assistir meus canais da televisão fechada ou algum filme clássico da minha coleção... Simplesmente porque a mensagem transmitida através dessas bobagens é que para o brasileiro tudo serve! Que qualquer coisa é entretenimento suficiente. Que já que não podemos com a vida, vamos rir dela, por mais sem graça que seja. "Vamos celebrar a estupidez humana"! Vamos compartilhar os vídeos mais vistos, ainda que profundamente estúpidos, vamos twittar milhões de "kkkkkkkkkkkk" como resposta de uma piada tosca de qualquer humorista de '5ª categoria'... Gargalhadas que se repetem e se multiplicam nas redes sociais e que, aposto, serão cada vez menos vistas, ouvidas e de fato sentidas, no mundo real.
Muito se diz que a solução para o Brasil está na educação. César Nunes, professor e pesquisador da Unicamp, que respeito muito, disse que basta uma geração de crianças bem educadas (no sentido de receberem boa educação), e mudamos o país, o que concordo plenamente. Mas o ponto central da mudança, para mim, está na mídia. A televisão é uma máquina extremamente mais potente e eficaz do que a educação, independente da qualidade da última. Há muito mais aparelhos de TV do que professores, e são eles (ambos, mas falo dos aparelhos) que devem começar a assumir sua responsabilidade na formação de nosso povo.
A televisão é uma concessão pública, e deve sim estar de acordo com os interesses da nação, preocupada com os objetivos estabelecidos pelos governos, eleitos democraticamente pela maioria, é bom que se diga. Ora, se todos clamam por mais educação, comecemos por extirpar da televisão brasileira o preconceito, a intolerância, a falta de educação, o desserviço à população, a ignorância, e principalmente, a visão manipulada, tendenciosa e dominadora de uma senhora chamada Rede Globo.
É fácil, muito fácil, dizer que a educação é a solução. Porque, se assim for, o grande responsável é o professor, o educador. Eu daqui, de longe, apoio, ajudo, dou esmola, sou (que ódio) amigo da escola. Mas é lá que as coisas precisam ser resolvidas. Enquanto meu aparelho de TV transmite a todos, especialmente às crianças, a mensagem de que tudo serve.
Chegará o momento em que diremos: não, não serve?
Nota: morreu essa semana Leon Cakoff, fundador da mostra internacional de cinema de São Paulo. Homem que provou, como disse uma um comentarista do Jornal da Cultura que não me recordo o nome, que não é o interesse que gera a demanda, mas ao contrário. Os filmes que Cakoff trazia para a mostra, todos diziam desinteressantes e sem público. Hoje, as salas que apresentam os filmes do evento estão sempre lotadas, e os ingressos são concorrido.
Ou seja, não gosto daquilo que não me oferecem. Se me oferecerem bananas a vida toda, amá-las-ei; e tudo que não for amarelo, não me parecerá comida. Cabe, sim, aos professores e à escola, mas principalmente à mídia (também como instrumento do governo) oferecer outras frutas.
De minha parte, estou bastante enjoado de bananas.
Minha revolta é por ter sido, há pouco, agredido pela inacreditável "tosquidão" do programa Domingão do Faustão. Um pobre homem foi chamado ao palco para pagar terrível mico, ao apresentar, com canto e dança, uma música do Michael Jackson. Evidentemente simples, com dificuldades de se expressar em português, o desempenho do rapaz foi terrivelmente parco. Vale dizer que não se tratava de uma sátira, o indivíduo claramente se acreditava capaz de apresentar algo de interessante. Faustão não deixou de fazer suas piadas ridículas, e o bando de macaquinhos treinados da platéia não deixou de apoiar, com vivas e palmas, o desempenho medíocre.
Há, em todo esse show bizarro, uma série de questões e reflexões que parecem clamar para serem vistas. As cortinas do ridículo parecem já estar rasgadas, mofadas, descosturadas, prontas para serem queimadas e enfim deixarem se revelar os problemas latentes dessa sociedade. Mas mesmo assim, os trapos restantes parecem que, de tão fluorescentes, atraem todos os olhos, todas as atenções, enquanto tudo que está por trás segue invisível.
Trapos fétidos como Big Brother Brasil, Pânico na TV, Programa do Ratinho, Programa do Gugu, praticamente tudo que é feito no SBT, RedeTV e Gazeta, para não dizer toda a estupidez transmitida em forma de cartilha social pelas novelas da Globo, e claro, o pobre homem posto no palco para fazer papel de ridículo e entreter seus expectadores que só podem ser acéfalos.
Por que tanto incômodo? Por que tanta revolta? Especialmente eu, que posso muito bem assistir meus canais da televisão fechada ou algum filme clássico da minha coleção... Simplesmente porque a mensagem transmitida através dessas bobagens é que para o brasileiro tudo serve! Que qualquer coisa é entretenimento suficiente. Que já que não podemos com a vida, vamos rir dela, por mais sem graça que seja. "Vamos celebrar a estupidez humana"! Vamos compartilhar os vídeos mais vistos, ainda que profundamente estúpidos, vamos twittar milhões de "kkkkkkkkkkkk" como resposta de uma piada tosca de qualquer humorista de '5ª categoria'... Gargalhadas que se repetem e se multiplicam nas redes sociais e que, aposto, serão cada vez menos vistas, ouvidas e de fato sentidas, no mundo real.
Muito se diz que a solução para o Brasil está na educação. César Nunes, professor e pesquisador da Unicamp, que respeito muito, disse que basta uma geração de crianças bem educadas (no sentido de receberem boa educação), e mudamos o país, o que concordo plenamente. Mas o ponto central da mudança, para mim, está na mídia. A televisão é uma máquina extremamente mais potente e eficaz do que a educação, independente da qualidade da última. Há muito mais aparelhos de TV do que professores, e são eles (ambos, mas falo dos aparelhos) que devem começar a assumir sua responsabilidade na formação de nosso povo.
A televisão é uma concessão pública, e deve sim estar de acordo com os interesses da nação, preocupada com os objetivos estabelecidos pelos governos, eleitos democraticamente pela maioria, é bom que se diga. Ora, se todos clamam por mais educação, comecemos por extirpar da televisão brasileira o preconceito, a intolerância, a falta de educação, o desserviço à população, a ignorância, e principalmente, a visão manipulada, tendenciosa e dominadora de uma senhora chamada Rede Globo.
É fácil, muito fácil, dizer que a educação é a solução. Porque, se assim for, o grande responsável é o professor, o educador. Eu daqui, de longe, apoio, ajudo, dou esmola, sou (que ódio) amigo da escola. Mas é lá que as coisas precisam ser resolvidas. Enquanto meu aparelho de TV transmite a todos, especialmente às crianças, a mensagem de que tudo serve.
Chegará o momento em que diremos: não, não serve?
Nota: morreu essa semana Leon Cakoff, fundador da mostra internacional de cinema de São Paulo. Homem que provou, como disse uma um comentarista do Jornal da Cultura que não me recordo o nome, que não é o interesse que gera a demanda, mas ao contrário. Os filmes que Cakoff trazia para a mostra, todos diziam desinteressantes e sem público. Hoje, as salas que apresentam os filmes do evento estão sempre lotadas, e os ingressos são concorrido.
Ou seja, não gosto daquilo que não me oferecem. Se me oferecerem bananas a vida toda, amá-las-ei; e tudo que não for amarelo, não me parecerá comida. Cabe, sim, aos professores e à escola, mas principalmente à mídia (também como instrumento do governo) oferecer outras frutas.
De minha parte, estou bastante enjoado de bananas.
domingo, 17 de julho de 2011
Esse senhor é um fanfarrão

Existe um ser chamado Ricardo Teixeira. Ele é o dono do futebol brasileiro. Já não é de hoje que tenho sérios problemas com essa pessoa. Mas semana passada, ele deu uma entrevista à revista Piauí extremamente esclarecedora.
A reportagem pode ser encontrada facilmente, e na íntegra, no Google. A repórter, Daniela Pinheiro, faz um trabalho fantástico ao transportar para as palavras detalhes que poderiam parecer inúteis, mas que enchem o texto de entrelinhas muito interessantes. Contudo, a reportagem é longa, e certamente poucos terão paciência para ler inteira.
Em suma, que de forma alguma substitui a leitura da “entrevista”, Ricardo Teixeira expõe-se de forma verdadeira, sincera e bastante clara. Refere-se sempre à seleção e a confederação brasileira de futebol com o uso de “eu”, concorda que algo só é verdade se aparecer no Jornal Nacional, come em restaurantes caros, esbanja dinheiro, e não se envergonha em dizer que persegue sim qualquer um que ficar contra ele.
Também se mostra um verdadeiro prodígio nos negócios, tendo sido capaz de tornar a CBF uma organização extremamente rentável, a seleção um objeto fantástico de marketing, e construído uma relação sólida de patrocínio com as maiores empresas multinacionais.
Há uma fala de Teixeira que destaco e reproduzo, para então chegar aonde quero: "Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? Que porra elas têm a ver com a contabilidade do Bradesco ou do HSBC? Isso tudo é entidade pri-va-da. Não tem dinheiro público, não tem isenção fiscal. Por que merda todo mundo enche o saco?"
Essa frase, somada a toda a entrevista claro, me fez definir algumas ideias e conceitos. Primeiro, a personagem que a entrevista evidencia é pessoa pela qual nutro o mais profundo desagrado. De dar inveja aos mafiosos do cinema italiano, Teixeira é claramente um homem sem escrúpulos, antiético, extremamente mal educando e evidentemente corrupto.
Dono, pleno, indiscutível e inabalável, de algo que não pode ser possuído, o futebol brasileiro, Teixeira evidencia que manda e desmanda, faz e desfaz, controla e manipula tudo, e como bem entender.
Enfim, defender a Copa do Mundo no Brasil, que tem Teixeira como presidente do Comitê Organizador, com poderes soberanos, é aceitar que se entregue um evento tão importante nas mãos desse senhor de índole, para ser extremamente educado, questionável. É como defender que se realize um banquete, em que sabe-se desde muito antes, que quem mais ganhará dinheiro é o chef e seus amigos, que os VIPs comerão do bom e do melhor, e que para o brasileiro, restará as migalhas.
Ps.: o maior problema é que, em terra de miséria, migalhas podem ser bem vindas.
Em tempo: gostei do jogo do Brasil de hoje. Acontece da bola não entrar (por isso acho que número de finalizações deveria colaborar de alguma forma no placar, não sei como, mas ajudaria muito o esporte. Um time não poderia mais entrar com o único objetivo de se defender, como fez o Paraguai). Os pênaltis foram mal batidos, mas também ninguém avisou que eles seriam realizados num campo de futebol de areia. E desafio alguém a montar uma seleção diferente da que montou Mano Menezes, sem clubismo, e sem avaliação "pós resultado ruim".
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Historinha sobre a crença
Uma menininha se aproxima, e me pergunta:
- qual a sua religião?
- nenhuma - respondo - sou ateu.
- você não acredita em Deus? - questiona perplexa a menina.
- eu acredito no homem - respondo.
A menininha fecha o rosto numa interrogação explícita e aguda, e vai embora. De certo, vai pensando: sujeito louco, acredita em cada bobagem...
- qual a sua religião?
- nenhuma - respondo - sou ateu.
- você não acredita em Deus? - questiona perplexa a menina.
- eu acredito no homem - respondo.
A menininha fecha o rosto numa interrogação explícita e aguda, e vai embora. De certo, vai pensando: sujeito louco, acredita em cada bobagem...
terça-feira, 7 de junho de 2011
Nota sobre a despedida de Ronaldo

Hoje à noite, em jogo contra a Romênia, a seleção brasileira contará, pela última vez, com Ronaldo em Campo. A Rede Globo de Televisão está armando um enorme circo, construindo um espetáculo, assim como construiu o "fenomenal" de Ronaldo, assim como constrói aquilo que bem entender...
Não que a homenagem não seja merecida. Ronaldo foi fantástico, exuberante em suas arrancadas, exemplar em seus retornos ao campo, depois das várias e gravíssimas lesões, decisivo nos momentos mais importantes. Além disso, é o maior artilheiro em Copas do Mundo, o que não é pouco.
Porém, para olhos mais aguçados - ok, diminuemos drasticamente a arrogância - para os meus olhos, o espetáculo te um forte tom grotesco: pelas declarações de Ronaldo, treinar durante uma hora causa-lhe muitas dores, e para jogar os 15 minutos que pretende, pediu ao médico algum tipo de injeção, que o permita não sentir dor e, quem sabe, ajude um pouquinho no desempenho. Essas declarações foram exibidas no Globo Esporte de hoje, e foram feitas por uma pessoa de 35 anos, que há vários simplesmente não consegue manter o controle sobre o próprio peso.
Tudo isso, devido a que? Preguiça e petulância de um jogador que já tem todo o dinheiro que poderia querer? Não acredito nem por um segundo nesse argumento. O grotesco deste espetáculo, as lesões incríveis, as dores, o descontrole sobre o próprio corpo, a necessidade de drogas (ainda que legais), a derrocada e destruição de um corpo humano aos singelos 35 anos, tem um único motivo: o esporte de alto rendimento, com suas exigências sobre-humanas, e suas imperiosidades financeiras. Esporte que pegou um menino franzino aos 17 anos no Cruzeiro, e transformou-o em o dobro do que era, menos de 3 anos depois. E estejam certos, não foi um passe de mágica.
Ronaldo é talvez o maior exemplo desse resultado devastador do esporte de alto rendimento, devido a sua importância e fama internacional. Também não passam, totalmente, despercebidas as lesões sem fim dos atletas, masculinos e femininos, da ginástica, nem as mortes de ciclistas. Mas quantos casos não passam sem serem vistos. Casos dos que tentaram, não conseguiram, mas conquistaram as muitas dores, lesões, desgastes...
A Globo promete um espetáculo, e por tanto um espetáculo haverá. Mas eu estarei torcendo apenas para que Ronaldo saia ileso desses 15 minutos. Sair ileso da carreira de atleta profissional, já não é uma possibilidade, para ninguém, há muito tempo.
domingo, 29 de maio de 2011
Os belos opostos
Estive no Rio, no segundo fim de semana deste mês de Maio. Dentre as várias coisas muito legais, há dois momentos que quero compartilhar, desde que de lá voltei.
Calhou de, nesse tal fim de semana, estar acontecendo a FLIST - Festa Literária de Santa Tereza. O morro de Santa Tereza é belíssimo. Para chegar lá se pega o tradicional bondinho, que passa por cima dos arcos da Lapa. O morro é cheio de casas antigas e muito bem conservadas, e a vista é exuberante. O FLIST acontecia em alguns locais, e também nos restaurantes da região. O principal centro cultural, com diversas apresentações, era A Casa das Ruínas, um casarão antigo, realmente ruindo, mas onde foi construída uma estrutura metálica, que te leva com segurança até o topo da construção, e de lá, a vista mais linda que já tive. A cidade maravilhosa cercada de mar! Além disso, é possível ver vários pontos turísticos da cidade... Incrível.
Pois bem, ali vi a apresentação de um grupo-coral de moradores do Morro de Santa Marta, conhecida favela da cidade. Pessoas simples, a maioria insegura, se apresentando em um pequeno palco, que mais parecia uma gruta. A professora do grupo, e mais outro rapaz, acompanhavam apenas com um violão, uma das apresentações mais animadas, belas e sinceras que já vi. Aquelas pessoas comuns, sentiam na pele as letras daquelas músicas que cantavam. E cantavam com vontade, carinho, prazer e, também é sim necessário, muita afinação. Eu, como toda a platéia gritou no final, queria ouvir mais músicas, queria passar muito tempo ouvindo-os cantar. Saí do pequeno e singelo, mas muito bonito teatro, com um sorriso no rosto.
Mais um passeio pela FLIST, um lanche maravilhoso, e bondinho (eu pendurado do lado de fora!) para voltar para o centro. Dalí, pertinho até o monumental Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O programa? Ópera, Lucia de Lamemore! Já sabendo que não poderia entrar de shorts, como havia tentado antes, trajava minha calça jeans e camiseta. Mas já do lado de fora, me senti um pouco inadequado, vendo homens de terno e mulheres de vestido longo...
Entrei. Fiquem, certamente, mais de 30 minutos de boca aberta, olhando para a grandiosidade do salão de entrada, e para todos os mínimos e perfeitos detalhes. As três cores de mármore, branco, verde e vermelho, adornados por detalhes em dourado, me deixara em êxtase. Admirei tanto aquele lugar, por sua beleza e história, que senti vontade de usar black tie. Não que eu estivesse me sentindo inadequado perante as outras pessoas, já me importei, mas não me importo mais com isso. Mas senti sincera vontade de me apresentar elegante para aquele lugar que merece imenso respeito.
Veio a ópera, que nunca tinha visto. Tudo impecável! Cantores fantásticos, uma enorme orquestra de acompanhamento, um palco super interessante e enorme, letras lindas numa história romântica e dramática (muito parecida com Romeu e Julieta, vale dizer), sem falar de toda a beleza da sala de espetáculos, e o suntuoso lustre localizado ao centro.
Saí de lá abismado pela possibilidade de assistir a duas apresentações tão diferentes, mas principalmente por viver momentos tão opostos, na "forma", mas tão semelhantes no significado: ambas foram apresentações de pessoas sentindo, vivendo, e se comunicando através da voz, da música. Ambas profundamente belas, uma pela simplicidade e outra pela grandiosidade. Ambas muito importantes, muito valiosas, por mais que diametralmente opostas. Mas o mais importante: ambas, independente de suas diferenças, e talvez graças às suas semelhanças, me fizeram o coração sorrir.
Calhou de, nesse tal fim de semana, estar acontecendo a FLIST - Festa Literária de Santa Tereza. O morro de Santa Tereza é belíssimo. Para chegar lá se pega o tradicional bondinho, que passa por cima dos arcos da Lapa. O morro é cheio de casas antigas e muito bem conservadas, e a vista é exuberante. O FLIST acontecia em alguns locais, e também nos restaurantes da região. O principal centro cultural, com diversas apresentações, era A Casa das Ruínas, um casarão antigo, realmente ruindo, mas onde foi construída uma estrutura metálica, que te leva com segurança até o topo da construção, e de lá, a vista mais linda que já tive. A cidade maravilhosa cercada de mar! Além disso, é possível ver vários pontos turísticos da cidade... Incrível.
Pois bem, ali vi a apresentação de um grupo-coral de moradores do Morro de Santa Marta, conhecida favela da cidade. Pessoas simples, a maioria insegura, se apresentando em um pequeno palco, que mais parecia uma gruta. A professora do grupo, e mais outro rapaz, acompanhavam apenas com um violão, uma das apresentações mais animadas, belas e sinceras que já vi. Aquelas pessoas comuns, sentiam na pele as letras daquelas músicas que cantavam. E cantavam com vontade, carinho, prazer e, também é sim necessário, muita afinação. Eu, como toda a platéia gritou no final, queria ouvir mais músicas, queria passar muito tempo ouvindo-os cantar. Saí do pequeno e singelo, mas muito bonito teatro, com um sorriso no rosto.
Mais um passeio pela FLIST, um lanche maravilhoso, e bondinho (eu pendurado do lado de fora!) para voltar para o centro. Dalí, pertinho até o monumental Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O programa? Ópera, Lucia de Lamemore! Já sabendo que não poderia entrar de shorts, como havia tentado antes, trajava minha calça jeans e camiseta. Mas já do lado de fora, me senti um pouco inadequado, vendo homens de terno e mulheres de vestido longo...
Entrei. Fiquem, certamente, mais de 30 minutos de boca aberta, olhando para a grandiosidade do salão de entrada, e para todos os mínimos e perfeitos detalhes. As três cores de mármore, branco, verde e vermelho, adornados por detalhes em dourado, me deixara em êxtase. Admirei tanto aquele lugar, por sua beleza e história, que senti vontade de usar black tie. Não que eu estivesse me sentindo inadequado perante as outras pessoas, já me importei, mas não me importo mais com isso. Mas senti sincera vontade de me apresentar elegante para aquele lugar que merece imenso respeito.
Veio a ópera, que nunca tinha visto. Tudo impecável! Cantores fantásticos, uma enorme orquestra de acompanhamento, um palco super interessante e enorme, letras lindas numa história romântica e dramática (muito parecida com Romeu e Julieta, vale dizer), sem falar de toda a beleza da sala de espetáculos, e o suntuoso lustre localizado ao centro.
Saí de lá abismado pela possibilidade de assistir a duas apresentações tão diferentes, mas principalmente por viver momentos tão opostos, na "forma", mas tão semelhantes no significado: ambas foram apresentações de pessoas sentindo, vivendo, e se comunicando através da voz, da música. Ambas profundamente belas, uma pela simplicidade e outra pela grandiosidade. Ambas muito importantes, muito valiosas, por mais que diametralmente opostas. Mas o mais importante: ambas, independente de suas diferenças, e talvez graças às suas semelhanças, me fizeram o coração sorrir.
terça-feira, 24 de maio de 2011
Blitz da Educação: a bobagem nacional
Já achava o projeto JN no Ar uma tremenda bobagem. No último mês antes das eleições, o Jornal Nacional resolveu que iria visitar 30 cidades do país, para conhecer suas situações, em 30 dias. Para isso gastou fortunas com um jatinho e o imenso trabalho de locomover uma equipe de jornalismo, e sua aparelhagem, para algum lugar qualquer. O pobre repórter ficava sabendo na hora do jornal para onde iria, e no dia seguinte tinha que apresentar a reportagem, já pronto para embarcar para outra localidade qualquer. Porque fazer desse jeito, e não com o simples auxílio de emissoras locais, que poderiam fazer uma análise muito mais aprofundada, com um gasto muito menor, não se sabe. Minha opinião: para mostrar que o JN pode.
O projeto fez sucesso (assim como Big Brother faz sucesso) e foi bolado o JN no Ar, Blitz Educação. A proposta agora era visitar uma cidade em cada região do país, e lá visitar a melhor e a pior escola da cidade segundo o IDEB, comparando as duas situações, e buscando as causas. Ainda que, para mim, continuasse sendo apenas um exercício de ostentação, parecia minimamente interessante. Até que, no primeiro dia do projeto, o repórter chama o especialista que os acompanharia durante as viagens, contribuindo para a análise das causas que levaram as tais escolas a serem as piores e as melhores: Gustavo Ioschpe. Para quem não o conhece, basta dizer: assina a coluna de educação da Veja (!).
O número de bobagens proclamadas por esse especialista em educação, ditas tanto nesse Projeto JN no Ar, quanto em sua coluna permanentemente ignorante, é inacreditável. Visitando uma das piores escolas de uma das cidades sorteadas para receber o jatinho da Globo, cujos professores estavam em greve, e que apresentava índice do IDEB de 1,4, se não me engano, Ioschpe se apressou em dizer: o problema dessa escola é muito claro, é a falta de consideração dos professores, que abandonaram seus alunos, que abandonaram a escola, e que estão sempre em greve (não foram essas as palavras, mas foi essa a ideia). Nas imagens, uma estrutura extremamente precária. Como a própria reportagem destacou, a escola fica em um bairro dominado pelo crime, e totalmente sem segurança. Soma-se a isso, a certamente nenhuma valorização do professor, e o zero de apoio dado quanto a materiais, transporte, merenda e etc. E a culpa do caos de quem é? Para o gênio Ioschpe, é do professor...
Aposto que o especialista suspirou de alívio ao montar no jatinho e partir de volta para sua certamente agradável vida de acadêmico, classe econômica B, ou talvez A, agora que convidado pelo Jornal Nacional. Santa hipocrisia.
O projeto fez sucesso (assim como Big Brother faz sucesso) e foi bolado o JN no Ar, Blitz Educação. A proposta agora era visitar uma cidade em cada região do país, e lá visitar a melhor e a pior escola da cidade segundo o IDEB, comparando as duas situações, e buscando as causas. Ainda que, para mim, continuasse sendo apenas um exercício de ostentação, parecia minimamente interessante. Até que, no primeiro dia do projeto, o repórter chama o especialista que os acompanharia durante as viagens, contribuindo para a análise das causas que levaram as tais escolas a serem as piores e as melhores: Gustavo Ioschpe. Para quem não o conhece, basta dizer: assina a coluna de educação da Veja (!).
O número de bobagens proclamadas por esse especialista em educação, ditas tanto nesse Projeto JN no Ar, quanto em sua coluna permanentemente ignorante, é inacreditável. Visitando uma das piores escolas de uma das cidades sorteadas para receber o jatinho da Globo, cujos professores estavam em greve, e que apresentava índice do IDEB de 1,4, se não me engano, Ioschpe se apressou em dizer: o problema dessa escola é muito claro, é a falta de consideração dos professores, que abandonaram seus alunos, que abandonaram a escola, e que estão sempre em greve (não foram essas as palavras, mas foi essa a ideia). Nas imagens, uma estrutura extremamente precária. Como a própria reportagem destacou, a escola fica em um bairro dominado pelo crime, e totalmente sem segurança. Soma-se a isso, a certamente nenhuma valorização do professor, e o zero de apoio dado quanto a materiais, transporte, merenda e etc. E a culpa do caos de quem é? Para o gênio Ioschpe, é do professor...
Aposto que o especialista suspirou de alívio ao montar no jatinho e partir de volta para sua certamente agradável vida de acadêmico, classe econômica B, ou talvez A, agora que convidado pelo Jornal Nacional. Santa hipocrisia.
sábado, 21 de maio de 2011
Sobre a Educação
Não há nada para se contestar no discurso da professora Amanda Gurgel (caso ainda não tenha visto o que todo mundo já viu, segue o link http://www.youtube.com/watch?v=7iJ0NQziMrc). Assisti mais de uma vez, tentando olhar "do outro lado", mas não encontrei nenhuma brecha, nenhum ponto a ser questionado. Acho que a razão principal para isso é a colocação feita pela professora, que penso ser a melhor parte da fala, questionando se realmente estão colocando ela na sala de aula, com um giz e uma lousa, esperando que ela salve o Brasil.
A educação sempre foi encarada como panacéia para a resolução de todos os problemas. Fala-se, de forma irritantemente insistente, que o único meio de melhorar a sociedade é através da educação. Todos tem certeza disso, e reforçam esse discurso. Horas, se é assim tão claro, porque não se tomam atitudes para melhorar estrutura tão fundamental.
Lí na Carta Capital algo muito interessante. O escritor da reportagem dizia que muito se fala sobre a profundidade e a complexidade dos problemas da educação, com a única intenção de fazer parecer que realmente é necessário muito tempo para realizar mudanças efetivas, e que tal processo deve ser comandado pelos estudados e conhecedores de tão indecifrável mistério, cabendo à população, como diz Amanda, ter paciência. Acredito que a professora mostra muito bem que os problemas não são apenas muito mais simples do que se pinta, mas também muito práticos, como o completamente inaceitável salário de apenas três dígitos.
O discurso de Amanda é simples, coeso, claro e sem exageros. Não pede auxílio ou piedade, nem se envergonha se assumir-se incapaz de educar, afinal, todo bom materialista sabe, há de haver condições materiais, efetivas para que qualquer processo histórico ocorra, a educação não é diferente disso. E em outro momento muito bom, entrega aos deputados, à secretária da educação, aos acadêmicos (sim, também eu) aquilo que lhes pertence: o constrangimento pela situação da educação no Brasil. A mudança passa sim pelo professor em sala de aula, pelas decisões de um diretor, mas modificações amplas, profundas, têm a ver com vontade política, ações políticas. E que não se leia governo quando escrevo política. Somos todos responsáveis pela situação da educação no Brasil. É por isso que não entendo a euforia em torno do vídeo, no sentido de "finalmente alguém para dizer aos políticos algumas verdades". Ora meu caro, as verdades ditas, foram ditas também para nós.
Vale reproduzir uma breve história contada pela professora Heloisa Hofling: conversando com a moça que trabalha na casa dela, foi questionada: nossa, a carne está ficando tão cara, não para de subir. Será que é culpa da Dilma? Ao que a professora respondeu: antes fosse. Antes a triste situação RE-revelada (afinal, todos nós sabíamos de tudo que ela fala) fosse algo a se dizer aos políticos, a um pequeno grupo, responsáveis pela baderna. Ouvir o discurso e apoiá-lo, apenas, é o que certamente fizeram os políticos sentados à mesa dessa audiência pública... Ouvi-lo, apoiá-lo, e seguir fazendo as mesmas coisas é, infelizmente, o que fazemos todos nós.
A educação sempre foi encarada como panacéia para a resolução de todos os problemas. Fala-se, de forma irritantemente insistente, que o único meio de melhorar a sociedade é através da educação. Todos tem certeza disso, e reforçam esse discurso. Horas, se é assim tão claro, porque não se tomam atitudes para melhorar estrutura tão fundamental.
Lí na Carta Capital algo muito interessante. O escritor da reportagem dizia que muito se fala sobre a profundidade e a complexidade dos problemas da educação, com a única intenção de fazer parecer que realmente é necessário muito tempo para realizar mudanças efetivas, e que tal processo deve ser comandado pelos estudados e conhecedores de tão indecifrável mistério, cabendo à população, como diz Amanda, ter paciência. Acredito que a professora mostra muito bem que os problemas não são apenas muito mais simples do que se pinta, mas também muito práticos, como o completamente inaceitável salário de apenas três dígitos.
O discurso de Amanda é simples, coeso, claro e sem exageros. Não pede auxílio ou piedade, nem se envergonha se assumir-se incapaz de educar, afinal, todo bom materialista sabe, há de haver condições materiais, efetivas para que qualquer processo histórico ocorra, a educação não é diferente disso. E em outro momento muito bom, entrega aos deputados, à secretária da educação, aos acadêmicos (sim, também eu) aquilo que lhes pertence: o constrangimento pela situação da educação no Brasil. A mudança passa sim pelo professor em sala de aula, pelas decisões de um diretor, mas modificações amplas, profundas, têm a ver com vontade política, ações políticas. E que não se leia governo quando escrevo política. Somos todos responsáveis pela situação da educação no Brasil. É por isso que não entendo a euforia em torno do vídeo, no sentido de "finalmente alguém para dizer aos políticos algumas verdades". Ora meu caro, as verdades ditas, foram ditas também para nós.
Vale reproduzir uma breve história contada pela professora Heloisa Hofling: conversando com a moça que trabalha na casa dela, foi questionada: nossa, a carne está ficando tão cara, não para de subir. Será que é culpa da Dilma? Ao que a professora respondeu: antes fosse. Antes a triste situação RE-revelada (afinal, todos nós sabíamos de tudo que ela fala) fosse algo a se dizer aos políticos, a um pequeno grupo, responsáveis pela baderna. Ouvir o discurso e apoiá-lo, apenas, é o que certamente fizeram os políticos sentados à mesa dessa audiência pública... Ouvi-lo, apoiá-lo, e seguir fazendo as mesmas coisas é, infelizmente, o que fazemos todos nós.
domingo, 24 de abril de 2011
Lá e De Volta Outra Vez
Nos anos 2001, 2002 e 2003 chegou aos cinemas a adaptação de uma das mais fantástica aventuras de todos os tempo. Depois de muitos anos de produção, a trilogia O Senhor dos Anéis arrebatou público e crítica. Se tornou o maior vencedor do prêmio Oscar da história (17, se considerarmos a trilogia) e a 6ª série mais rentável da historia do cinema, batendo mega clássicos como Indiana Jones e poderosos filmes pop como Piratas do Caribe e Homem-Aranha (o fato de ter apenas três filmes, e figurar na lista de séries mais rentáveis também vale destaque).
http://www.sedentario.org/cinema-series-tv/as-series-de-filmes-mais-rentaveis-do-cinema-38942
Depois de muitas indas e vindas, incluindo falência da empresa dona dos direitos, e a passagem de Guilermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno, uau!) pela direção, as filmagen de O Hobbit finalmente começaram, com Peter Jackson na direção, e grande parte da equipe de volta à produção. Especialmente para os fãs, a expectativa é enorme. E para aumentar a tensão, o diretor criou um videoblog, que acompanhará os anos de realização do filme, até sua estréia, prevista para Dezembro de 2012, a parte 1, e Dezembro de 2013, a parte 2. O vídeo é ótimo, e da um delicioso frio na barriga... Vai ser maravilhoso poder voltar à Terra Média!

Confira o vídeo aqui http://www.omelete.com.br/videos/o-hobbit-videoblog-01/. O único problema, é que está em inglês.
http://www.sedentario.org/cinema-series-tv/as-series-de-filmes-mais-rentaveis-do-cinema-38942
Depois de muitas indas e vindas, incluindo falência da empresa dona dos direitos, e a passagem de Guilermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno, uau!) pela direção, as filmagen de O Hobbit finalmente começaram, com Peter Jackson na direção, e grande parte da equipe de volta à produção. Especialmente para os fãs, a expectativa é enorme. E para aumentar a tensão, o diretor criou um videoblog, que acompanhará os anos de realização do filme, até sua estréia, prevista para Dezembro de 2012, a parte 1, e Dezembro de 2013, a parte 2. O vídeo é ótimo, e da um delicioso frio na barriga... Vai ser maravilhoso poder voltar à Terra Média!

Confira o vídeo aqui http://www.omelete.com.br/videos/o-hobbit-videoblog-01/. O único problema, é que está em inglês.
sábado, 16 de abril de 2011
Mais, Mas Não do Mesmo, Sobre os Megaeventos Esportivos
Já disse por aqui, mas repito de forma resumida: não sou contra a realização das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil porque há problemas mais urgentes, que seriam mais importantes, e mais merecedores da dinheirama investida. Acho essa forma de pensar meio simplista e exagerada. Até porque, essa dinheirama não existiria, se não fossem os eventos, ou seja, não se está tirando dinheiro das áreas importantes, se está apenas investindo em outras áreas, também importantes. Meu problema é que não temos pessoas capacitadas e minimamente confiáveis para liderar e coordenar a realização desses eventos. Os exemplos nesse sentido são inúmeros.
Mas li no blog do Juca Kfouri uma notícia que me levou além na compreensão sobre essa falta de preparo de nossos líderes... Algo que acho ainda mais importante, muito significativo, e que chega perto de decretar de vez que o Brasil não pode receber tais eventos. Muito mais simples do que os aeroportos que, segundo o IPEA, um instituto super reconhecido e do governo, não ficam prontos antes de 2017; o trem-bala, que não consegue nem realizar a licitação; ou o estádio de Abertura da Copa, que recebeu sua milésima data de INÍCIO das obras (primeira quinzena de Maio)...
Muito mais simples que tudo isso foi o ocorrido em São Bernardo do Campo, no torneio Panamericano de Clubes de Handebol. O terceiro colocado do torneio foi o River Plate, um time argentino e amador (!), que venceu de forma histórica, a equipe da Metodista (time profissional, vale frisar). Eis que, na hora da premiação, o River Plate foi barrado, e não pôde entrar na quadra onde havia sido armado um pódio, sob a alegação de que não haveria medalhas para o terceiro lugar (alguém já viu isso?). Com os protestos do técnico e da equipe, a organização se explicou dizendo que até havia medalhas (!?), mas elas estavam trancadas em algum lugar impossível de acessar (Hã?!). Por fim a equipe foi liberada para entrar na quadra, e recebeu uma medalha que sobrara de um evento de natação...
Tirem as próprias conclusões. Digo apenas que, como já devia saber, nossos lideres e governantes não são extraterrestres que vêm de outro planeta (por tanto outra cultura, outra lógica, outros valores e outra educação) para deturpar e bagunçar nossa sociedade. Num mero torneio Panamericano de Handebol, fomos completamente incapazes de cumprir dignamente o papel de anfitriões. E olha que Ricardo Teixeira e Carlos Artur Nuzman (ditadores da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Olímpico Brasileiro, respectivamente) de certo nem sabiam desse evento, o que deveria ser muito bom, mas que não passou nem perto de resolver... Somos nós. Isso que vemos nessas sombras da caverna, não é nada além de nós.
Mas li no blog do Juca Kfouri uma notícia que me levou além na compreensão sobre essa falta de preparo de nossos líderes... Algo que acho ainda mais importante, muito significativo, e que chega perto de decretar de vez que o Brasil não pode receber tais eventos. Muito mais simples do que os aeroportos que, segundo o IPEA, um instituto super reconhecido e do governo, não ficam prontos antes de 2017; o trem-bala, que não consegue nem realizar a licitação; ou o estádio de Abertura da Copa, que recebeu sua milésima data de INÍCIO das obras (primeira quinzena de Maio)...
Muito mais simples que tudo isso foi o ocorrido em São Bernardo do Campo, no torneio Panamericano de Clubes de Handebol. O terceiro colocado do torneio foi o River Plate, um time argentino e amador (!), que venceu de forma histórica, a equipe da Metodista (time profissional, vale frisar). Eis que, na hora da premiação, o River Plate foi barrado, e não pôde entrar na quadra onde havia sido armado um pódio, sob a alegação de que não haveria medalhas para o terceiro lugar (alguém já viu isso?). Com os protestos do técnico e da equipe, a organização se explicou dizendo que até havia medalhas (!?), mas elas estavam trancadas em algum lugar impossível de acessar (Hã?!). Por fim a equipe foi liberada para entrar na quadra, e recebeu uma medalha que sobrara de um evento de natação...
Tirem as próprias conclusões. Digo apenas que, como já devia saber, nossos lideres e governantes não são extraterrestres que vêm de outro planeta (por tanto outra cultura, outra lógica, outros valores e outra educação) para deturpar e bagunçar nossa sociedade. Num mero torneio Panamericano de Handebol, fomos completamente incapazes de cumprir dignamente o papel de anfitriões. E olha que Ricardo Teixeira e Carlos Artur Nuzman (ditadores da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Olímpico Brasileiro, respectivamente) de certo nem sabiam desse evento, o que deveria ser muito bom, mas que não passou nem perto de resolver... Somos nós. Isso que vemos nessas sombras da caverna, não é nada além de nós.
terça-feira, 12 de abril de 2011
A tragédia (midiática) de Realengo
Realengo agora, é pop. Ou melhor, foi pop - algo como Fiuk e outros assuntos banais. Não que o ocorrido naquela escola seja banal, mas sim pela banalidade com que foi retratada na mídia. Não é de hoje que se sabe que os programas de televisão abusam das tragédias para conseguirem audiência, mas o que vi, ou melhor, o que evitei ver, nessa semana é algo que passa de todos os limites.
Ouvi dizer que no Domingo, no programa do Faustão, uma psicanalista disse que esperava não ver nas capas das revistas a foto do assassino, para que ele não parece um herói. Disse isso na mesma emissora que, no dia seguinte da tragédia, levou uma menininha, aluna da escola, para suportar mais de uma hora de entrevista no programa de Ana Maria Braga (no ar às 8h30 da manhã!). O conteúdo, não sei, não vi. Mas pior do que tratar o assassino como herói (há ignorância e burrice à vontade no mundo), é o tratamento desumano dado às vítimas, com horas de exposição, buscando tirar toda lágrima possível de todo e qualquer indivíduo minimamente envolvido. E claro, também a nossa.
Um desejo tão sanguinário e incompreensível quanto o que levou o jovem a entrar atirando na escola de Realengo. Uma dedicação tão exclusiva, e busca por tantos detalhes, que parecem querer que passemos pelo mesmo sofrimento e tristeza. O Jornal Nacional preparou uma animação de computador! Como se não nos bastasse saber, repetidamente, e via depoiementos assustadores, o que aconteceu dentro da escola. Mas acima de tudo: NÃO NOS INTERESSA O QUE ACONTECE LÁ DENTRO! Caberia à mídia divulgar o fato, alertar a população, discutir o assunto e PROTEGER AS VÍTIMAS, afinal, não são elas as grandes prejudicadas, não são elas que merecem cuidado, atenção e proteção?
Cada vez mais a mídia (ou parte dela, como nos exige o chatíssimo politicamente correto) me parece um repórter que ao mostrar um indivíduo ferido, cutuca-lhe a ferida aberta, só para dizer "olhem como este homem agoniza". Repugnante.
Ouvi dizer que no Domingo, no programa do Faustão, uma psicanalista disse que esperava não ver nas capas das revistas a foto do assassino, para que ele não parece um herói. Disse isso na mesma emissora que, no dia seguinte da tragédia, levou uma menininha, aluna da escola, para suportar mais de uma hora de entrevista no programa de Ana Maria Braga (no ar às 8h30 da manhã!). O conteúdo, não sei, não vi. Mas pior do que tratar o assassino como herói (há ignorância e burrice à vontade no mundo), é o tratamento desumano dado às vítimas, com horas de exposição, buscando tirar toda lágrima possível de todo e qualquer indivíduo minimamente envolvido. E claro, também a nossa.
Um desejo tão sanguinário e incompreensível quanto o que levou o jovem a entrar atirando na escola de Realengo. Uma dedicação tão exclusiva, e busca por tantos detalhes, que parecem querer que passemos pelo mesmo sofrimento e tristeza. O Jornal Nacional preparou uma animação de computador! Como se não nos bastasse saber, repetidamente, e via depoiementos assustadores, o que aconteceu dentro da escola. Mas acima de tudo: NÃO NOS INTERESSA O QUE ACONTECE LÁ DENTRO! Caberia à mídia divulgar o fato, alertar a população, discutir o assunto e PROTEGER AS VÍTIMAS, afinal, não são elas as grandes prejudicadas, não são elas que merecem cuidado, atenção e proteção?
Cada vez mais a mídia (ou parte dela, como nos exige o chatíssimo politicamente correto) me parece um repórter que ao mostrar um indivíduo ferido, cutuca-lhe a ferida aberta, só para dizer "olhem como este homem agoniza". Repugnante.
domingo, 10 de abril de 2011

Pensei em chamá-la de rainha da música brasileira, mas certamente ser par romântico de Roberto Carlos jamais foi uma de suas vontades. Pensei em chamá-la de dama da música brasileira, mas é bem verdade que ela não tem muito de dama... Pensei outros nomes, outras formas de classificá-la, mas felizmente não encontrei, porque Elza Soares é daquele tipo de gente que não cabe em classificações.
Conhecia muito pouco sobre a cantora. Conhecia a voz potente e rouca, a feição bizarra, no mínimo, e sabia também que meu pai não gostava dela pois teria sido a responsável por Garrincha, o gênio das pernas tortas, não ter sido ainda maior do que foi.
Arrisquei-me a ir vê-la, em show gratuito, no belo auditório do BNDES, em pleno centro do Rio de Janeiro. Tinha ouvido apenas duas músicas dela, Meu Guri, de Chico Buarque, e Ave Maria do Morro, de Herivelto Martins. As duas estavam no programa da apresentação, e por isso fui. Esperando pelo início, olhei o relógio e pensei "seria bacana se começasse no horário". Dois minutos depois, às 19h em ponto, os músicos entraram. Três carsa para quem eu não daria nada. Sentaram, dois no violão e o outro na percussão, e tocaram uma das melodias mais lindas que já vi. Fantástico.
Ao fim do que achei que era a abertura, os três olham para o lado, e eu que estava na segunda fila, percebi certo frisson. O mais velho dos músicos, maestro do trio, começou então a tocar outra música, que certamente não estava planejada. Novamente belíssima, mas já estava pensando comigo "a estrelinha da Elza deve estar atrasada".
Vejam que rude preconceito. Mas não me xinguem, pois fui suficientemente repreendido quando, ao fim da segunda música, Elza entre no palco de cadeira de rodas. Com a ajuda de dois rapazes, é colocada numa cadeira, no centro do palco. Com dificuldade, explica que tinha torcido o tornozelo, há alguns dias, e que o ciático acabara de travar.
Ainda que fosse difícil, devido ao rosto plastificado de Elza, percebia-se dor e sofrimento. Mesmo assim começou, com Meu Guri, e daí em diante, não vale a pena continuar escrevendo... O que vivi, é inexplicável. O sentimento colocado em cada palavra, a interpretação magistral, os contos e casos extremamente engraçados, e os triste também, a voz rouca, poderosa, que enchia o enorme auditório, mesmo quando ela tirava o microfone da frente da boca. Cantou músicas lindas, contou histórias maravilhosas, e só parou de cantar depois que a organizou mandou acabar o show, pois já eram mais de 21 horas.
Fantástica, simples, poderosa, incomparável, Elza Soares conquistou admirador sincero.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Palpites para o Oscar
A cerimônia de entrega dos prêmios Oscar se aproxima. Daqui dez dias conheceremos os condecorados com a estatueta dourada. Embora hoje em dia eu esteja muito menos envolvido com essa premiação (preferindo o Festival de Sundence, ou Cannes, onde os chamados filmes alternativos são os eleitos) achei que poderia ser divertido tentar acertar os escolhidos da academia. Por isso segue uma lista com os indicados, e aqueles que acredito que sairão vencedores estão em negrito. É uma lista sem propriedade nem fundamento... Logo, podem palpitar a vontade!
Melhor Filme
Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma
O que seria uma pena, mesmo tendo visto apenas outros 3 dos indicados. O Discurso é um filme simples, cheio de clichês, e apenas regular. Mas tem a cara do Oscar.
Melhor Direção
Darren Aronofsky, Cisne Negro
David Fincher, A Rede Social
Tom Hooper, O Discurso do Rei
David O. Russell, O Vencedor
Joel & Ethan Cohen, Bravura Indômita
Minha torcida é por Darren Aronofsky, mas com seu histórico de produções, duvido que ganhe, muito alternativo para a Academia.
Melhor Ator
Javier Bardem, Biutiful
Colin Firth, O Discurso do Rei
James Franco, 127 Horas
Jesse Eisenberg, A Rede Social
Jeff Bridges, Bravura Indômita
Chute fácil, carta marcada. Já beliscou o prêmio ano passado, por Direito de Amar, e agora leva.
Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, O Vencedor
John Hawkes, Inverno da Alma
Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Jeremy Renner, Atração Perigosa
Aposta ruim, já que Bale deve levar. Mas ainda que ele seja o melhor Batman, não da pra acreditar que ele ganhe um Oscar.
Melhor Atriz
Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
Natalie Portman, Cisne Negro
Michelle Williams, Namorados para Sempre
Qualquer outra seria pura falcatrua!
Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, O Vencedor
Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei
Melissa Leo, O Vencedor
Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
Jacki Weaver, Animal Kingdom
A Academia gostou do filme, e vai procurar dar um prêmio de consolação. Além do mais, não vejo a favorita, mas muito incomum para o Oscar, Helena Bonham-Carter ganhando.
Melhor Filme Estrangeiro
Biutiful (México)
Dogtooth (Grécia)
Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Incêndios (Canadá)
Fora da Lei (Algéria)
Seguindo o Globo de Ouro.
Melhor Roteiro Original
Christopher Nolan, A Origem
David Seidler, O Discurso do Rei
Mike Leigh, Another Year
Scott Silver, Paul Tamasy & Eric Johnson, O Vencedor
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, Minhas Mães e Meu Pai
Para aumentar a conta do favorito da Academia, ainda que não mereça.
Melhor Roteiro Adaptado
Aaron Sorkin, A Rede Social
Marguerite Roberts, Bravura Indômita
Danny Boyle, Simon Beaufoy, 127 Horas
Debra Granik, Anne Rosellini, Inverno da Alma
Michael Arndt, Toy Story 3
Afinal, A Rede Social tem que levar alguma coisa...
Melhor Filme de Animação
Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3
Indiscutível!
Melhor Fotografia
Cisne Negro, Matthew Libatique
A Origem, Wally Pfister
O Discurso do Rei, Danny Cohen
Bravura Indômita, Roger Deakins
Rede Social, Jeff Cronenweth
Filmes de época costuma levar esse filme, ainda que, de novo, não mereça. Apoio Bravura Indômita, ainda que não tenha visto, e até mesmo o mega confuso A Origem.
Melhor Documentário
Exit Through The Gift Shop, Paranoid Pictures
Gasland, Gasland Productions
Inside Job, Representational Pictures
Restrepo, Outpost Films
Lixo Extraordinário, Almega Projects Production
Puro chute. Torço por Lixo Extraordinário.
Melhor Documentário de Curta-metragem
Killing in the name
Poster girl
Strangers no more
Sun come up
The warriors of Qiugang
Chute.
Melhor Montagem
Cisne Negro, Andrew Wesiblum
O Vencedor, Pamela Martin
O Discurso do Rei, Tariq-Anwar
127 Horas, Jon Harris
A Rede Social, Angus Wall e Kirk Baxter
Com muita dó... Cisne Negro é tão fantástico!
Melhor Trilha Sonora
Como Treinar o Seu Dragão, John Powell
A Origem, Hans Zimmer
O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
127 Horas, A.R. Rahman
A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross
O papa prêmios do ano.
Melhor Direção de Arte
Alice no País das Maravilhas, Robert Stromberg , Karen O´Hara
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I, Stuart Craig (Design de Produção), Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Origem, Guy Hendrix Dyas (Design de Produção), Larry Dias and Doug Mowat (Decoração de Set)
O Discurso do Rei, Eve Stewart (Design de Produção), Judy Farr (Decoração de Set)
Bravura Indômita, Jess Gonchor (Design de Produção), Nancy Haigh (Decoração de Set)
Apesar de até torcer por Harry. Acredito que esse Harry 7 – Parte 1 seja o melhor da série, e a direção de arte é um dos fatores mais importante para o tom fantástico, e ao mesmo tempo assustadoramente sombrio do filme.
Melhor Figurino
Alice no País das Maravilhas, Colleen Atwood
I Am Love, Antonella Cannarozzi
O Discurso do Rei, Jenny Beavan
A Tempestade, Sandy Powell
Bravura Indômita, Mary Zophres
Figurino de época... Os críticos da academia devem ter algum tipo de tara, sei lá...
Melhor Maquiagem
A Minha Versão do Amor, Adrien Morot
The Way Back, Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
O Lobisomem, Rick Baker e Dave Elsey
Contanto que não seja O Lobisomem...
Melhor Canção
Coming Home, Country Strong
I See The Light, Enrolados
If I Rise, 127 Horas
We Belong Together, Toy Story 3
Lido filme, linda música.
Melhor Edição de Som
A Origem, Richard King
Toy Story 3, Tom Myers and Michael Silvers
Tron - O Legado, Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague
Bravura Indômita, Skip Lievsay e Craig Berkey
Incontrolável, Mark P. Stoeckinger
Talvez...
Melhor Mixagem de Som
A Origem, Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
O Discurso do Rei, Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
Salt, Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
A Rede Social, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
Bravura Indômita, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland
Três estatuetas para A Rede Social parece bom… Nunca etendi essa categoria mesmo.
Efeitos Visuais
Alice no País das Maravilhas, Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte I, Tim Burke, John Richardson, Christian Manz eNicolas Aithadi
A Origem, Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley and Peter Bebb
Homem de Ferro II, Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright and Daniel Sudick
Além da Vida, Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell
Efeitos realmente fantásticos, como quando a cidade se dobra sobre eles. Mas a torcida fica com Harry.
Melhor Curta
The Confession
The Crush
God Of Love
Na Wewe
Wish 143
Chute.
Melhor Curta Animado
Day & Night
the Gruffalo
Let´s Pollut
The Lost Thing
Madagascar
Ótimo curta da Pixar, passou nos cinemas antes de Toy 3.
Melhor Filme
Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma
O que seria uma pena, mesmo tendo visto apenas outros 3 dos indicados. O Discurso é um filme simples, cheio de clichês, e apenas regular. Mas tem a cara do Oscar.
Melhor Direção
Darren Aronofsky, Cisne Negro
David Fincher, A Rede Social
Tom Hooper, O Discurso do Rei
David O. Russell, O Vencedor
Joel & Ethan Cohen, Bravura Indômita
Minha torcida é por Darren Aronofsky, mas com seu histórico de produções, duvido que ganhe, muito alternativo para a Academia.
Melhor Ator
Javier Bardem, Biutiful
Colin Firth, O Discurso do Rei
James Franco, 127 Horas
Jesse Eisenberg, A Rede Social
Jeff Bridges, Bravura Indômita
Chute fácil, carta marcada. Já beliscou o prêmio ano passado, por Direito de Amar, e agora leva.
Melhor Ator Coadjuvante
Christian Bale, O Vencedor
John Hawkes, Inverno da Alma
Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Jeremy Renner, Atração Perigosa
Aposta ruim, já que Bale deve levar. Mas ainda que ele seja o melhor Batman, não da pra acreditar que ele ganhe um Oscar.
Melhor Atriz
Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
Natalie Portman, Cisne Negro
Michelle Williams, Namorados para Sempre
Qualquer outra seria pura falcatrua!
Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, O Vencedor
Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei
Melissa Leo, O Vencedor
Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
Jacki Weaver, Animal Kingdom
A Academia gostou do filme, e vai procurar dar um prêmio de consolação. Além do mais, não vejo a favorita, mas muito incomum para o Oscar, Helena Bonham-Carter ganhando.
Melhor Filme Estrangeiro
Biutiful (México)
Dogtooth (Grécia)
Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Incêndios (Canadá)
Fora da Lei (Algéria)
Seguindo o Globo de Ouro.
Melhor Roteiro Original
Christopher Nolan, A Origem
David Seidler, O Discurso do Rei
Mike Leigh, Another Year
Scott Silver, Paul Tamasy & Eric Johnson, O Vencedor
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, Minhas Mães e Meu Pai
Para aumentar a conta do favorito da Academia, ainda que não mereça.
Melhor Roteiro Adaptado
Aaron Sorkin, A Rede Social
Marguerite Roberts, Bravura Indômita
Danny Boyle, Simon Beaufoy, 127 Horas
Debra Granik, Anne Rosellini, Inverno da Alma
Michael Arndt, Toy Story 3
Afinal, A Rede Social tem que levar alguma coisa...
Melhor Filme de Animação
Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3
Indiscutível!
Melhor Fotografia
Cisne Negro, Matthew Libatique
A Origem, Wally Pfister
O Discurso do Rei, Danny Cohen
Bravura Indômita, Roger Deakins
Rede Social, Jeff Cronenweth
Filmes de época costuma levar esse filme, ainda que, de novo, não mereça. Apoio Bravura Indômita, ainda que não tenha visto, e até mesmo o mega confuso A Origem.
Melhor Documentário
Exit Through The Gift Shop, Paranoid Pictures
Gasland, Gasland Productions
Inside Job, Representational Pictures
Restrepo, Outpost Films
Lixo Extraordinário, Almega Projects Production
Puro chute. Torço por Lixo Extraordinário.
Melhor Documentário de Curta-metragem
Killing in the name
Poster girl
Strangers no more
Sun come up
The warriors of Qiugang
Chute.
Melhor Montagem
Cisne Negro, Andrew Wesiblum
O Vencedor, Pamela Martin
O Discurso do Rei, Tariq-Anwar
127 Horas, Jon Harris
A Rede Social, Angus Wall e Kirk Baxter
Com muita dó... Cisne Negro é tão fantástico!
Melhor Trilha Sonora
Como Treinar o Seu Dragão, John Powell
A Origem, Hans Zimmer
O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
127 Horas, A.R. Rahman
A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross
O papa prêmios do ano.
Melhor Direção de Arte
Alice no País das Maravilhas, Robert Stromberg , Karen O´Hara
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I, Stuart Craig (Design de Produção), Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Origem, Guy Hendrix Dyas (Design de Produção), Larry Dias and Doug Mowat (Decoração de Set)
O Discurso do Rei, Eve Stewart (Design de Produção), Judy Farr (Decoração de Set)
Bravura Indômita, Jess Gonchor (Design de Produção), Nancy Haigh (Decoração de Set)
Apesar de até torcer por Harry. Acredito que esse Harry 7 – Parte 1 seja o melhor da série, e a direção de arte é um dos fatores mais importante para o tom fantástico, e ao mesmo tempo assustadoramente sombrio do filme.
Melhor Figurino
Alice no País das Maravilhas, Colleen Atwood
I Am Love, Antonella Cannarozzi
O Discurso do Rei, Jenny Beavan
A Tempestade, Sandy Powell
Bravura Indômita, Mary Zophres
Figurino de época... Os críticos da academia devem ter algum tipo de tara, sei lá...
Melhor Maquiagem
A Minha Versão do Amor, Adrien Morot
The Way Back, Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
O Lobisomem, Rick Baker e Dave Elsey
Contanto que não seja O Lobisomem...
Melhor Canção
Coming Home, Country Strong
I See The Light, Enrolados
If I Rise, 127 Horas
We Belong Together, Toy Story 3
Lido filme, linda música.
Melhor Edição de Som
A Origem, Richard King
Toy Story 3, Tom Myers and Michael Silvers
Tron - O Legado, Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague
Bravura Indômita, Skip Lievsay e Craig Berkey
Incontrolável, Mark P. Stoeckinger
Talvez...
Melhor Mixagem de Som
A Origem, Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
O Discurso do Rei, Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
Salt, Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
A Rede Social, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
Bravura Indômita, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland
Três estatuetas para A Rede Social parece bom… Nunca etendi essa categoria mesmo.
Efeitos Visuais
Alice no País das Maravilhas, Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
Harry Potter e As Relíquias da Morte - Parte I, Tim Burke, John Richardson, Christian Manz eNicolas Aithadi
A Origem, Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley and Peter Bebb
Homem de Ferro II, Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright and Daniel Sudick
Além da Vida, Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell
Efeitos realmente fantásticos, como quando a cidade se dobra sobre eles. Mas a torcida fica com Harry.
Melhor Curta
The Confession
The Crush
God Of Love
Na Wewe
Wish 143
Chute.
Melhor Curta Animado
Day & Night
the Gruffalo
Let´s Pollut
The Lost Thing
Madagascar
Ótimo curta da Pixar, passou nos cinemas antes de Toy 3.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Sublime

São raros, mas em alguns momentos, uma palavra basta.
Assim é o filme Cisne Negro, que estreiou ontem no Brasil.
A cena que se inicia com essa foto, é fantástica e fica marcada como uma das mais belas que já vi. Também a interpretação de Natalie Portman, incrível, se iguala em potência, força e sinceridade à de Heath Ledger, com seu Coringa.
Seriam muitas as qualidades a se descatar, mas enfim... Sublime.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Acertos 2

Talvez o título devesse ser outro... Ah, as pampas com o cuidado jornalístico (não preciso tê-lo)! Novo título: Golaço do governo Dilma!
Segundo o jornalista Lauro Jardim, o ex-presidente do Banco Central durante o governo Lula, Henrique Meirelles, será APO - Autoridade Pública Olímpica. Um homem sério, rigoroso, eficiente, e de grande conhecimento econômico. Além disso, um "figurão" da política, que certamente botará medo em Carlos Artur Nuzman, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro e seus comparsas, e dará credibilidade junto ao Comitê Olímpico Internacional.
Claro que se trata de um golaço, mas a partida ainda está sendo perdida de forma vexatória. Afinal, a escolha de Meirelles só é correta pois se assume, de forma declarada e explícita, e por isso definitiva, que o evento olímpico é encarado pelo governo como um evento de negócios. Fosse um momento especial de atenção ao desenvolvimento do esporte no país, seria um educador físico a figurar no cargo.
Mas enfim, comemoremos o gol, a partida já está perdida.
sábado, 29 de janeiro de 2011
Será?


Um jornalista que costumo acompanhar, e concordar, é Juca Kfouri. Em seu blog (www.blogdojuca.uol.com.br) ele coloca muitos fatos interessantes sobre o futebol (um deles merecerá o post futuro), sempre em um tom bastante crítico e, no meu ver, acertado na grande maioria das vezes.
Mas uma afirmação dele me pôs a pensar, e resolvi pensar via post. Kfouri compara os cerca de 1.000 mortos nos desastres no Rio de Janeiro, com os cerca de 1.000.000.000 de reais gastos para a reforma apenas do Maracanã (que já passou por duas grandes reformas na última década). "Uma questão de prioridades", como é o título do post de Juca.
Tal comparação seria prova irrefutável (isso eu estou concluindo a partir do que ele disse e vem dizendo) de que a Copa do Mundo e as Olimpíadas, aqui não podem ser. Concordo com a conclusão, mas talvez não com a prova. Como o próprio autor diz, nada garante que o dinheiro injetado no Maracanã se direcionaria aos desabrigados das chuvas, casa não houvesse a necessidade de sediar alguns jogos nos anos de 2014 e 2016.
Se é bem verdade que esse dinheiro até deveria ser direcionado para essa, e outras tantas questões mais "doloridas" (e urgentes), também é verdade que sem a Copa e as Olimpíadas grande parte desse dinheiro nem estaria sendo levantado. Se há rios de dinheiro rolando em leitos errados (como na construção de elefantes brancos pelo país afora), também há certo montando buscando melhorias, por exemplo, na mobilidade social dentro das cidades sedes. Há também uma atenção especial aos atrasados aeroportos brasileiros. E também podemos ter (quase) a certeza de que episódios ocorridos aos montes de quedas de estádios graças a degradação e má conservação, causando mortes de torcedores, não mais se repetirão depois da Copa.
Que fique claro que estou longe de achar que esses dois grandes eventos realmente deveriam ser aqui (o que não me impede de pensar que eles até serão bastante positivos, em determinadas áreas). Mas meu problema maior permanece extremamente claro: a forma com que as montanhas de dinheiro serão usados, e com que objetivo esses eventos ocorrerão. É para servirem de impulso do desenvolvimento do país e do esporte livre, divertido e democrático? Ou será uma forma de marketing populacionista, somada a uma mega estrutura pensada para que as grandes empresas que controlam esses eventos façam seus lucros graças aos países emergentes, e por tanto, cheios da grana? Ou mesmo para encher os bolsos de Sr. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, organizador da Copa do Mundo no Brasil, que sem o menor resquício de vergonha na cara fez se assinar um contrato em que ele próprio ficará com 0,1% dos lucros gerados pela Copa?
Não concordo com o argumento de Juca Kfouri. O dinheiro destinado à Copa e às Olimpíadas terá seu retorno (ainda que esse retorno pudesse ser muito, mas muito maior). Agora, esse 0,1% certamente ajudaria e muito, as centenas de desabrigados devido às águas de Janeiro.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Provocações

Há um curioso programa de entrevistas, que passa na TV Cultura, não sei ao certo quando. Começa pelo nome do apresentador, Antônio Abujamra, mas principalmente devido a sua personalidade incomum (e, para mim, extremamente interessante). O tom e o clima da entrevista acabam sendo um atrativo, bem como as citações e "discussões" um tanto filosóficas. Enfim, acredito que vale a pena.
O link abaixo é a Parte 1 da entrevista com o apresentador Marcelo Tas, que gosto muito, mas há outras muito interessantes.
(Adoro o final das entrevistas: "dá cá um abraço que é a única coisa falsa desse program". Muito bom).
http://www.youtube.com/watch?v=YHoM5Dy4tiE
Acertos de Dilma
O título é pretensioso, talvez inadequado. Estou bastante longe de ser uma analista política, na verdade, pouco leio jornal. Mas dois fatos me chamaram a atenção, e me deram uma esperança que não esperava ter.
Apesar de minha primeira opção fosse pela outra mulher como presidente do país, a partir do segundo turno me pintei de vermelho. Dentre outros motivos, se destaca o terrível caminho que trilha a educação no Estado de São Paulo, governado desde que me sei por gente pelos tucanos.
O fato é que duas ações do governo me chamaram a atenção, e logo resolvi postar como acertos de Dilma (queiram aceitar a forçada de barra). Primeiro, com o desastre da região serrana do Rio, que certamente, e infelizmente, atingirá mil mortos. O que esperava até hoje de um político seria uma viagem para a região (num dia realmente ensolarado e sem previsão de chuva), no qual ele caminharia por entre os destroços, abraçaria os desabrigados, e beijaria algumas criancinhas. Depois um discurso emocionado e emocionante (dependendo da qualidade da retórica), e então, viagem de volta para Brasília, de imagem feita.
Que eu saiba, Dilma não esteve na região serrana. Certamente falou do desastre, mas sem grandes comoções. No entanto, logo lançou um programa de quatro anos, com muito dinheiro investido, para prevenir sobre situações de desastres naturais, alertar a população em risco, e preparar planos de "evacuação".
Segundo ponto, esse mais simples: veio o "escândalo" dos passaportes diplomáticos cedidos no último dia do governo Lula. Logo o assunto cairia no esquecimento, ao presidente de sempre caberia algumas palavras de indignação e "isso não se repetirá". Mas eis que surgem, pouco tempo depois e sem alarde, novas regras para a liberação desse tipo de passaporte, que de fato farão com que o acontecido não se repita.
São pequenas ações, detalhes talvez, mas que, não sei bem o porquê, me deram a tal esperança. E de alguma forma, parece ter a cara de Dilma: firmeza moral, tranquilidade e eficiência... Soa promissor.
Apesar de minha primeira opção fosse pela outra mulher como presidente do país, a partir do segundo turno me pintei de vermelho. Dentre outros motivos, se destaca o terrível caminho que trilha a educação no Estado de São Paulo, governado desde que me sei por gente pelos tucanos.
O fato é que duas ações do governo me chamaram a atenção, e logo resolvi postar como acertos de Dilma (queiram aceitar a forçada de barra). Primeiro, com o desastre da região serrana do Rio, que certamente, e infelizmente, atingirá mil mortos. O que esperava até hoje de um político seria uma viagem para a região (num dia realmente ensolarado e sem previsão de chuva), no qual ele caminharia por entre os destroços, abraçaria os desabrigados, e beijaria algumas criancinhas. Depois um discurso emocionado e emocionante (dependendo da qualidade da retórica), e então, viagem de volta para Brasília, de imagem feita.
Que eu saiba, Dilma não esteve na região serrana. Certamente falou do desastre, mas sem grandes comoções. No entanto, logo lançou um programa de quatro anos, com muito dinheiro investido, para prevenir sobre situações de desastres naturais, alertar a população em risco, e preparar planos de "evacuação".
Segundo ponto, esse mais simples: veio o "escândalo" dos passaportes diplomáticos cedidos no último dia do governo Lula. Logo o assunto cairia no esquecimento, ao presidente de sempre caberia algumas palavras de indignação e "isso não se repetirá". Mas eis que surgem, pouco tempo depois e sem alarde, novas regras para a liberação desse tipo de passaporte, que de fato farão com que o acontecido não se repita.
São pequenas ações, detalhes talvez, mas que, não sei bem o porquê, me deram a tal esperança. E de alguma forma, parece ter a cara de Dilma: firmeza moral, tranquilidade e eficiência... Soa promissor.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Um filme apenas

Sou fã de animações, confesso. Se eu tivesse uma lista dos dez melhores filmes que já vi, três deles seriam animações: Ratatuille, Toy Story 3, e Wall-E (perto do topo da lista talvez). Claro que gosto porque me divirto, não lembro de ter rido mais na minha vida do que no dia em que vi A Era de Gelo no cinema. Mas há algo mais. Talvez a simplicidade de sentimentos, as situações fantásticas tornadas reais, o encantamento sincero com o bem, sem com isso simplificar a maldade. Não sei bem ao certo, sei apenas que as animações me tocam.
Está no cinema o filme Enrolados, 50º filme de animação da Disney. A princípio não dei muita bola, a história da Rapunzel parecia suficientemente recontada. Mas li boas críticas o que, somado a marca Disney, me levou até o cinema ontem.
Curioso o processo que nos leva a gostar ou não de um filme... Sou afeito das premiações e listas, mas não deixo de reconhecer que a importância de um filme pode ser, e talvez deva ser, medido com aparelhos completamente diferentes, conforme quem o assiste.
É fato que há fatos (Fim dos Tempos, de M. Night Shayamalan, é terrível, e isso é fato), mas há muitas coisas que podem influenciar a experiência de ver um filme. Enrolados, de Byron Howard e Nathan Greno, tinha tudo para passar desapercebido. Mas acontece que o dia, e seus percalços, me que na verdade me levaram até o cinema, tornaram esse filme uma experiência memorável.
Fantástico no que se refere aos atributos técnicos, Enrolados da poderes mágicos às longas madeixas de Rapunzel, o que se torna o motivo da bruxa má manter a princesa enclausurada na torre. Já adolescente, a vontade de ver um determinado evento anual, somado claro ao encontro com o príncipe encantado, leva Rapunzel a fugir. Durante o tempo fora da torre, alguma aventura, muita música e, novamente claro, e descobrimento do verdadeiro amor.
Se ao ser resumido o filme soa totalmente clichê, a produção ganha enormes méritos exatamente no sentido contrário. Sem querer transformar esse post numa crítica de cinema, Enrolados acerta ao demonstrar a dúvida constante de uma jovem que teme desrespeitar sua madrasta/mãe, e que constantemente se sente confusa se deve realmente buscar seu sonho, ou se deve permanecer na segurança de sua casa.
Para que o post não se alongue (mais), parto direto ao ponto: não seríamos todos, Rapunzel? Em uma das belas canções do filme, a menina se diverte ao fazer o que sempre faz dentro de sua torre, ela canta, dança, lê, faz faxina e até estuda astrologia através da observação das estrelas. A vontade de sair está presente, mas até o momento da história, não a tinha feito tentar escapar. Na verdade, para a princesa, é difícil pedir à mãe para sair.
De forma novamente acertada, a bruxa má não é simplesmente louca. É bem verdade que protege Rapunzel apenas para ter os benefícios de seus cabelos, mas os argumentos que usa poderiam estar na boca de muitas pessoas. Mais até do que isso, sua música parece ser algo dito pelas divindades humanas, que insistem em nos dizer para sermos respeitosos, educados e, males dos males, feliz com aquilo que temos. Esta Rapunzel, ainda que depois de 18 anos, deixa aflorar seu sonho, e parte em busca dele. Mas quantos de nós não deixamos de olhar pela janela? Talvez tenhamos olhado um dia, talvez tenhamos visto algo que queríamos, mas o conforto e comodidade da torre, somados aos discursos sobre o quanto o mundo é cruel, acabaram por nos manter em nossas torres.
Última, e significativa, consideração sobre o filme (ainda que muitas outras não parem de surgir): ainda que desejasse, foi preciso que o príncipe invadisse, sem querer, a torre de Rapunzel para que ela enfim tomasse coragem para partir em sua aventura. É incrível como é precisamente na relação com o outro, que temos novas chances de olhar para a janela, descobrir novas coisas lá fora e, quem sabe, ter a chance de sair, tocar a grama com o mesmo amor que Rapunzel a toca pela primeira vez... As vezes da receio, nos sentimos inseguros, mas defendo que, sem irresponsabilidade, ignoremos os ditames dessas divindades que nos querem tão bem e tão seguros, para ir conhecer esse mundo do lado de fora da torre. Tenho a alegria de ter recebido uma visita, que me ajudou a ter coragem para explorar os caminhos além da torre, e sou muito grato por isso.
Mas de certo, a vida é mais complicada que os desenhos, e sair da torre é muito mais um processo, longo e difícil, do que um divertido rapel por longas madeixas loiras. Ainda assim, esse simples desenho animado me permitiu refletir, e principalmente, sentir tudo isso. Agora, não me perguntem se o filme é bom, não seria capaz de dizer.
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