Estive no Rio, no segundo fim de semana deste mês de Maio. Dentre as várias coisas muito legais, há dois momentos que quero compartilhar, desde que de lá voltei.
Calhou de, nesse tal fim de semana, estar acontecendo a FLIST - Festa Literária de Santa Tereza. O morro de Santa Tereza é belíssimo. Para chegar lá se pega o tradicional bondinho, que passa por cima dos arcos da Lapa. O morro é cheio de casas antigas e muito bem conservadas, e a vista é exuberante. O FLIST acontecia em alguns locais, e também nos restaurantes da região. O principal centro cultural, com diversas apresentações, era A Casa das Ruínas, um casarão antigo, realmente ruindo, mas onde foi construída uma estrutura metálica, que te leva com segurança até o topo da construção, e de lá, a vista mais linda que já tive. A cidade maravilhosa cercada de mar! Além disso, é possível ver vários pontos turísticos da cidade... Incrível.
Pois bem, ali vi a apresentação de um grupo-coral de moradores do Morro de Santa Marta, conhecida favela da cidade. Pessoas simples, a maioria insegura, se apresentando em um pequeno palco, que mais parecia uma gruta. A professora do grupo, e mais outro rapaz, acompanhavam apenas com um violão, uma das apresentações mais animadas, belas e sinceras que já vi. Aquelas pessoas comuns, sentiam na pele as letras daquelas músicas que cantavam. E cantavam com vontade, carinho, prazer e, também é sim necessário, muita afinação. Eu, como toda a platéia gritou no final, queria ouvir mais músicas, queria passar muito tempo ouvindo-os cantar. Saí do pequeno e singelo, mas muito bonito teatro, com um sorriso no rosto.
Mais um passeio pela FLIST, um lanche maravilhoso, e bondinho (eu pendurado do lado de fora!) para voltar para o centro. Dalí, pertinho até o monumental Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O programa? Ópera, Lucia de Lamemore! Já sabendo que não poderia entrar de shorts, como havia tentado antes, trajava minha calça jeans e camiseta. Mas já do lado de fora, me senti um pouco inadequado, vendo homens de terno e mulheres de vestido longo...
Entrei. Fiquem, certamente, mais de 30 minutos de boca aberta, olhando para a grandiosidade do salão de entrada, e para todos os mínimos e perfeitos detalhes. As três cores de mármore, branco, verde e vermelho, adornados por detalhes em dourado, me deixara em êxtase. Admirei tanto aquele lugar, por sua beleza e história, que senti vontade de usar black tie. Não que eu estivesse me sentindo inadequado perante as outras pessoas, já me importei, mas não me importo mais com isso. Mas senti sincera vontade de me apresentar elegante para aquele lugar que merece imenso respeito.
Veio a ópera, que nunca tinha visto. Tudo impecável! Cantores fantásticos, uma enorme orquestra de acompanhamento, um palco super interessante e enorme, letras lindas numa história romântica e dramática (muito parecida com Romeu e Julieta, vale dizer), sem falar de toda a beleza da sala de espetáculos, e o suntuoso lustre localizado ao centro.
Saí de lá abismado pela possibilidade de assistir a duas apresentações tão diferentes, mas principalmente por viver momentos tão opostos, na "forma", mas tão semelhantes no significado: ambas foram apresentações de pessoas sentindo, vivendo, e se comunicando através da voz, da música. Ambas profundamente belas, uma pela simplicidade e outra pela grandiosidade. Ambas muito importantes, muito valiosas, por mais que diametralmente opostas. Mas o mais importante: ambas, independente de suas diferenças, e talvez graças às suas semelhanças, me fizeram o coração sorrir.
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