Uma menininha se aproxima, e me pergunta:
- qual a sua religião?
- nenhuma - respondo - sou ateu.
- você não acredita em Deus? - questiona perplexa a menina.
- eu acredito no homem - respondo.
A menininha fecha o rosto numa interrogação explícita e aguda, e vai embora. De certo, vai pensando: sujeito louco, acredita em cada bobagem...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
Nota sobre a despedida de Ronaldo

Hoje à noite, em jogo contra a Romênia, a seleção brasileira contará, pela última vez, com Ronaldo em Campo. A Rede Globo de Televisão está armando um enorme circo, construindo um espetáculo, assim como construiu o "fenomenal" de Ronaldo, assim como constrói aquilo que bem entender...
Não que a homenagem não seja merecida. Ronaldo foi fantástico, exuberante em suas arrancadas, exemplar em seus retornos ao campo, depois das várias e gravíssimas lesões, decisivo nos momentos mais importantes. Além disso, é o maior artilheiro em Copas do Mundo, o que não é pouco.
Porém, para olhos mais aguçados - ok, diminuemos drasticamente a arrogância - para os meus olhos, o espetáculo te um forte tom grotesco: pelas declarações de Ronaldo, treinar durante uma hora causa-lhe muitas dores, e para jogar os 15 minutos que pretende, pediu ao médico algum tipo de injeção, que o permita não sentir dor e, quem sabe, ajude um pouquinho no desempenho. Essas declarações foram exibidas no Globo Esporte de hoje, e foram feitas por uma pessoa de 35 anos, que há vários simplesmente não consegue manter o controle sobre o próprio peso.
Tudo isso, devido a que? Preguiça e petulância de um jogador que já tem todo o dinheiro que poderia querer? Não acredito nem por um segundo nesse argumento. O grotesco deste espetáculo, as lesões incríveis, as dores, o descontrole sobre o próprio corpo, a necessidade de drogas (ainda que legais), a derrocada e destruição de um corpo humano aos singelos 35 anos, tem um único motivo: o esporte de alto rendimento, com suas exigências sobre-humanas, e suas imperiosidades financeiras. Esporte que pegou um menino franzino aos 17 anos no Cruzeiro, e transformou-o em o dobro do que era, menos de 3 anos depois. E estejam certos, não foi um passe de mágica.
Ronaldo é talvez o maior exemplo desse resultado devastador do esporte de alto rendimento, devido a sua importância e fama internacional. Também não passam, totalmente, despercebidas as lesões sem fim dos atletas, masculinos e femininos, da ginástica, nem as mortes de ciclistas. Mas quantos casos não passam sem serem vistos. Casos dos que tentaram, não conseguiram, mas conquistaram as muitas dores, lesões, desgastes...
A Globo promete um espetáculo, e por tanto um espetáculo haverá. Mas eu estarei torcendo apenas para que Ronaldo saia ileso desses 15 minutos. Sair ileso da carreira de atleta profissional, já não é uma possibilidade, para ninguém, há muito tempo.
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