
Existe um ser chamado Ricardo Teixeira. Ele é o dono do futebol brasileiro. Já não é de hoje que tenho sérios problemas com essa pessoa. Mas semana passada, ele deu uma entrevista à revista Piauí extremamente esclarecedora.
A reportagem pode ser encontrada facilmente, e na íntegra, no Google. A repórter, Daniela Pinheiro, faz um trabalho fantástico ao transportar para as palavras detalhes que poderiam parecer inúteis, mas que enchem o texto de entrelinhas muito interessantes. Contudo, a reportagem é longa, e certamente poucos terão paciência para ler inteira.
Em suma, que de forma alguma substitui a leitura da “entrevista”, Ricardo Teixeira expõe-se de forma verdadeira, sincera e bastante clara. Refere-se sempre à seleção e a confederação brasileira de futebol com o uso de “eu”, concorda que algo só é verdade se aparecer no Jornal Nacional, come em restaurantes caros, esbanja dinheiro, e não se envergonha em dizer que persegue sim qualquer um que ficar contra ele.
Também se mostra um verdadeiro prodígio nos negócios, tendo sido capaz de tornar a CBF uma organização extremamente rentável, a seleção um objeto fantástico de marketing, e construído uma relação sólida de patrocínio com as maiores empresas multinacionais.
Há uma fala de Teixeira que destaco e reproduzo, para então chegar aonde quero: "Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF? Que porra elas têm a ver com a contabilidade do Bradesco ou do HSBC? Isso tudo é entidade pri-va-da. Não tem dinheiro público, não tem isenção fiscal. Por que merda todo mundo enche o saco?"
Essa frase, somada a toda a entrevista claro, me fez definir algumas ideias e conceitos. Primeiro, a personagem que a entrevista evidencia é pessoa pela qual nutro o mais profundo desagrado. De dar inveja aos mafiosos do cinema italiano, Teixeira é claramente um homem sem escrúpulos, antiético, extremamente mal educando e evidentemente corrupto.
Dono, pleno, indiscutível e inabalável, de algo que não pode ser possuído, o futebol brasileiro, Teixeira evidencia que manda e desmanda, faz e desfaz, controla e manipula tudo, e como bem entender.
Enfim, defender a Copa do Mundo no Brasil, que tem Teixeira como presidente do Comitê Organizador, com poderes soberanos, é aceitar que se entregue um evento tão importante nas mãos desse senhor de índole, para ser extremamente educado, questionável. É como defender que se realize um banquete, em que sabe-se desde muito antes, que quem mais ganhará dinheiro é o chef e seus amigos, que os VIPs comerão do bom e do melhor, e que para o brasileiro, restará as migalhas.
Ps.: o maior problema é que, em terra de miséria, migalhas podem ser bem vindas.
Em tempo: gostei do jogo do Brasil de hoje. Acontece da bola não entrar (por isso acho que número de finalizações deveria colaborar de alguma forma no placar, não sei como, mas ajudaria muito o esporte. Um time não poderia mais entrar com o único objetivo de se defender, como fez o Paraguai). Os pênaltis foram mal batidos, mas também ninguém avisou que eles seriam realizados num campo de futebol de areia. E desafio alguém a montar uma seleção diferente da que montou Mano Menezes, sem clubismo, e sem avaliação "pós resultado ruim".