sábado, 27 de junho de 2009

Monge indiano, será?

Hoje tive que fazer várias coisas no centro de valinhos. Várias idas e vindas, e em uma delas fui parado por um rapaz simpático, que se dizia monge da Índia. Falou-me que sabia um pouco de português, e que estava em um projeto para a divulgação da Yoga. Ofereceu-me um livrinho (que até pretendo ler) e conseguiu pedir discretamente uma contribuição.

Rapidamente fui convencido. As roupas pareciam realmente com as de um monge, o livrinho parecia interessante, e me surpreendi com a força de vontade para vir da Índia direto para Valinhos. Sem trocados na carteira, fui até uma loja onde ia comprar mais uma coisa, e voltei para dar dois reais ao monge.

Comecei o caminho para casa feliz, alegre por ter ajudado um projeto interessante. Não foram necessários muitos passos para começar a achar força de vontade demais vir da Índia e acabar em Valinhos. Na verdade, não faz sentido algum alguém realmente fazer isso, ainda mais para transmitir os ensinamentos de um cara com nome estranho. Pouco depois comecei a pensar que deve ser fácil fazer uma roupa de monge, ainda mais com a novela das 9 falando do tema (Índia). Não demorou muito para achar o sotaque do tal monge muito mais parecido com o de um latino do que com o de um indiano.

Não sei se fui enganado ou não, se de fato ele era um monge, desses que passam por longos períodos de meditação, que sobrevivem de esmolas, que são sempre simpáticos, que não se apegam as coisas materiais, ou se era um bom imitador de monge que me vendeu um livrinho que valia 50 centavos por 2 reais.

Não sei, mas acho que era monge...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Futebol 3 (racismo)

A recorrência do tema futebol pode incomodar, mas é certo que essa atenção ao esporte é passageira. Mas acontece que acabo de ver uma matéria no Globo Esporte, sobre o jogo de ontem entre Cruzeiro e Grêmio, no qual um jogador do Grêmio teria chamado um do Cruzeiro de Macaco. Um terceiro, também do Cruzeiro teria tomado as dores do companheiro, e dito, através de gestos e palavras, "cor não! Cor não..."

O programa mostrou ainda que o jogador agredido (não cito nomes por não sabê-los mesmo) registrou o ocorrido, e a polícia foi buscar o jogador agressor dentro do ônibus do time. Ele foi liberado depois de dar seu depoimento. O apresentador feliz do Globo Esporte, junto com dois comentaristas (desses sei os nomes, Casa Grande e... droga!) falaram sobre o assunto, dizendo que xingamentos e ofensas são normais no futebol, mas que chamar de macaco era outra coisa. Casa Grande chegou a dizer que "se eu xingo a mãe do Caio (!o nome do outro comentarista!), ele sabe que eu não quis dizer isso. Mas racismo é outra coisa, é um preconceito interno".

Relevando o novo conceito, "preconceito interno", me parece que a questão do racismo ganhou um certo "não me toque". Basta um loiro argentino (fato certamente mais importante do que deveria ser) chamar outro de macaco que um estardalhaço se justifica. Não digo que o jogador não mereça ser punido, mas dizer que outros xingamentos pode, e só esse que não, é uma besteira sem tamanho.

Não imagino o número de ofensas proferidas em um campo de futebol. Certamente muitas delas se referem a outras tantas formas de preconceito, como "sua bicha", "seu viado", "seu cego", e nem por isso se faz o auê que se fez no caso que motivou esse post.

Volto a dizer, não estou dizendo que a questão não mereça atenção, estou apenas tentando mostrar que a questão vai muito mais fundo, e se é para se combater a ofensa, que se combata ela toda, e não apenas um assunto que se tornou tabu. Quantas vezes já vi pessoas com medo de dizer que algo é preto, preferindo a palavra negro, para não ofender. O racismo é estúpido, patético e atrasado, mas assim o é tanto quanto outras formas de preconceito, que se transmitem nas outras ofensas proferidas. Se é para registrar BO e ir tirar jogador do ônibus, que isso seja feito também quando se tratar de um brasileiro.

Dizer que filho da puta pode, mas macaco não, é erro crasso. Falsa moral de um canal bastante habituado a essas bobagens.

domingo, 21 de junho de 2009

Violência no futebol 2

Não sei por que volto a tocar no assunto. Mas ontem aconteceu o derbi de Campinas, Ponte Preta e Guarani, e obviamente ocorreram situações de conflito. Vi apenas os torcedores de ambos os times entrando em choque com a polícia, e um policial saindo de ambulância do estádio. Isso porque nem vi o jogo, nem ouvi noticiários posteriores, mas de certo outros tantos problemas se desenvolveram, tanto no entorno do estádio quanto longe dali.

O Galvão Bueno adora falar sobre a paz nos estádios e outras balelas que apenas ele acredita serem verdades. O "derbi da paz", como havia sido combinado pela torcida organizada dos dois times, junto com governantes da cidade, que realmente se reuniram e assinaram documentos dizendo de que a única disputa seria no campo (faz-me rir), acabou sendo como é todo jogo de futebol no país, um péssimo exemplo, tanto de cidadania quanto de organização.

Estádio de futebol não é lugar de PM. Se o Guarani, ou seja lá qual time, é o organizador do evento, deve zelar pela segurança de seus clientes. Assim, certamente diretorias e torcidas organizadas teriam uma relação menos amigável, pois as primeiras sentiriam na pele os desgastes causados pelas segundas.

Enquanto os clubes não se reconhecerem, enfim, empresas, nosso futebol estará fadado a esses péssimos espetáculos, inseguros, de baixo nível, e desinteressantes. Os tempos de amor ao clube e a camisa acabaram. É uma pena, mas se o país quiser um campeonato forte e de valor, precisa caminhar, pois nessa transição entre paixão e empresa, o futebol brasileiro parece ter parado no meio.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Folha de São Paulo

Achava (confesso que sem embasamento) que a Folha de São Paulo era um jornal competente. Pela sua grande repercussão nacional, e por alguns pensadores que por lá escrevem, achava que a Folha representava um jornalismo de credibilidade, sensato e coerente, adjetivos que não se aplicariam a muitos jornais menores e várias revistas.

Mas essa opinião se modificou um pouco quando soube que, em seu editorial, a Folha havia se referido à ditadura brasileira como "ditabranda". Branda foi, para eles que apoiaram os militares. Para os que sofreram, e ainda sofrem, devido aos atos de tortura, não foi branda, e não é ainda hoje.

Como se não bastasse, a Folha escreveu o editorial, que reproduzo na íntegra abaixo:

"Moinhos de vento na USP

Acossada por movimentos políticos munidos de carro de som e bastante tempo ocioso, a Universidade de São Paulo passa por uma nova rodada de protestos e greve.

Nesta semana, a polícia foi chamada duas vezes para impedir o bloqueio de unidades no campus paulistano, uma delas a própria reitoria. A PM afirmou que o policiamento vai continuar enquanto durem os piquetes.

A associação dos docentes da USP julgou a medida "intimidadora", "autoritária" e uma "ameaça à comunidade universitária". Contra ela, reuniram-se 120 membros, que decidiram pela greve, juntando-se a parte dos funcionários e dos alunos. A universidade tem 9.000 docentes.

É de se perguntar se os termos escolhidos pela Adusp não qualificam, com mais propriedade, a atuação da própria entidade e de outras associações universitárias, permeadas por sindicatos e partidos políticos de exígua expressão fora dos campi.

O estatuto da USP determina que cabe ao reitor exercer o poder disciplinar. A invasão da reitoria em 2007, que durou 50 dias devido à falta de pulso da direção, parece ter dado a essa minoria truculenta a sensação de que tudo ali é permitido.

Se é preciso chamar a polícia para conter a barafunda que pressupões depredação de patrimônio público e lesão ao funcionamento da instituição, que seja chamada. A USP funciona com verbas provenientes de impostos pagos por toda a sociedade. Não é um mundo à parte.

Desta vez manifestantes também atacam a abertura de cursos a distância pela instituição. Traduzida, esta reivindicação equivale a tentar impedir que mais estudantes, com renda abaixo da média dos alunos da universidade, possam desfrutar dos serviços educacionais da USP.

O paroxismo mostra a que ponto desceram as agremiações uspianas em seus arranques alucinados contra moinhos de vento. Refresca saber que a imensa maioria da comunidade universitária simplesmente as ignora."

Quando um jornal escreve em seu editorial uma coisa como essa, desmoraliza todo seu trabalho. Nunca li uma notícia da Folha inteira. E nem pretendo ler.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Os 25 melhores

A revista norteamericana "Paste" lançou uma lista com os 25 filmes estrangeiros mais importantes da década. A lista é muito interessante. Trás filmes muito elogiados pelas críticas, e que são constantemente esquecidos nas grandes premiações. Assisti alguns deles, e gostei muito (como o primeiro da lista). Quanto aos que não vi, alguns deles eu já conhecia e tinha o interesse de assistir, alguns poucos eu não conhecia, mas já me interessei!

1. “O labirinto do fauno”
2. “O tigre e o dragão”
3. “O escafandro e a borboleta”
4. “Cidade de Deus”
5. “Fale com ela”
6. “A viagem de Chihiro”
7. “Amor à flor da pele”
8. “A vida dos outros”
9. “Amores brutos
10. “Cache”
11. “4 meses, 3 semanas e 2 dias”
12. “O fabuloso destino de Amélie Poulain”
13. “E sua mãe também”
14. “The best of youth”
15. “Ninguém pode saber”
16. “Entre os muros da escola”
17. “Yesterday”
18. “Paradise now”
19. “A queda – As últimas horas de Hitler”
20. “Gomorra”
21. “Oldboy”
22. “Deixe ela entrar”
23. “Volver”
24. “Persépolis”
25. “Maria cheia de graça”

A revista diz ter feito essa lista porque o material cinematográfico produzido nos EUA tem sido muito pobre, e os filmes mais reconhecidos a cada ano, têm sido os estrangeiros.

Nada mais que a verdade.

domingo, 14 de junho de 2009

Viola Enluarada

Ontem falei da música, então resolvi colocar a letra. A composição é dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. No link, uma interpretação belíssima de Leila Pinheiro.

(http://www.youtube.com/watch?v=YM7ctPdNG4o&feature=related)

"A mão que toca um violão
Se for preciso faz a guerra,
Mata o mundo, fere a terra.

A voz que canta uma canção
Se for preciso canta um hino,
Louva à morte.

Viola em noite enluarada
No sertão é como espada,
Esperança de vingança.

O mesmo pé que dança um samba
Se preciso vai à luta,
Capoeira.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!

Mão, violão, canção e espada
E viola enluarada
Pelo campo e cidade,

Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.

Quem tem de noite a companheira
Sabe que a paz é passageira,
Prá defendê-la se levanta
E grita: Eu vou!

Porta bandeira, capoeira,
Desfilando vão cantando
Liberdade.
Liberdade, liberdade, liberdade..."

A música, além de uma letra linda, e melodia graciosa, tem muito significado. Ela foi feita no período da ditadura brasileira, e se tornou um hino da resistência, apesar de hoje ser pouco conhecida.

Eu adoro!

sábado, 13 de junho de 2009

Música Popular Brasileira

Ontem tive a oportunidade de ouvir um dos melhores intérpretes que já vi. Teco Seade é campineiro, mas viveu em outros Estados antes de voltar para cá. Conheci-o no espetáculo Palavra Caipira, que fez parte da Campanha de Popularização do Teatro de Campinas esse ano. Cantou tão maravilhosamente bem a música caipira, que achei que essa fosse sua vida.

Procurando um lugar onde houvesse música ao vivo, me surpreendi ao ouvir a moça do estabelecimento dizendo "hoje temos Teco Seade". Eu conhecia o nome, não sabia de onde. Procurei no youtube, e a imagem me fez lembrar, era mesmo o gordinho que cantava muito bem! Ansioso, fui ao lugar, querendo ver como ele cantaria músicas não caipiras... Acabei ouvindo uma das melhores seleções de MPB, interpretadas de forma renovada e belíssima!

Tive a audácia de pedir uma música, e Teco tocou Viola Enluarada da melhor forma que já ouvi. Mas a interpretação dele de Oceano (Djavan) ganhou a noite! Simples, Teco não é de ficar querendo aparecer, usa um violão bastante simples, uma mesa de som pequena, sem apetrechos adicionais. O show estava marcado para começar às 21h, mas quando cheguei lá, 20h40, ele já estava cantando. Acho que esse é o segredo, ele faz o que gosta, e faz muito bem!

Fora isso, gostaria de falar da riqueza da música popular brasileira. Não sei por conhecimento próprio, apenas imagino, mas me afirmaram que depois que você sai do Brasil, e ouve as músicas de lá, percebe o quanto brasileiro você é. O quanto é rica e bela nossa música, diversificada, inteligente, melódica e alegre.

Incrível como basta uma voz e um violão quando a música que as embasam são verdadeiramente belas!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Brincando de cinema

Desde pequeno brinco de fazer cinema. Divertia-me imaginando os mais variados filmes, sendo os mais diferentes personagens. Na maioria das vezes tinha a companhia de um amigo. Estou certo que imaginávamos coisas totalmente diferentes (como é vasta e bela a imaginação de uma criança), mas fazíamos juntos o filme, seja lá qual fosse o tema.

Crescido, minha imaginação se enfraqueceu (batalho constantemente contra isso, mas tenho perdido). Contudo, no último fim de semana, tive a oportunidade de voltar a brincar. Uma vez mais me coloquei a pensar sobre uma história, imaginei as ações, como seriam os personagens, quais seriam as músicas ideais, e como seria ser um dos atores.

Essa nova oportunidade veio cheia de presentes: o primeiro é que pude brincar com vários amigos, e não apenas com um. O segundo é que tudo aquilo que imaginava, ia se tornando real, possível de tocar e, principalmente, de ver! Ver a brincadeira ter um resultado, de três minutos apenas é verdade, mas algo concreto, belo, e feito por nós.

Mas não há presente maior do que a oportunidade de brincar de cinema novamente. Voltar aos tempos em que acreditava que bastava imaginar para que as coisas se tornassem possíveis. Um tempo em que tinha a liberdade de sonhar sem os freios da dificuldade e da impossibilidade. Um tempo em que mergulhava na imaginação sem medo de parecer bobo, ou idiota, sem medo que os transeuntes olhassem entranho, certamente se perguntando "o que eles estão fazendo?", e como é bom poder responder de novo "estou fazendo algo que gosto, estou me divertindo, estou brincando..."

(não posso deixar de agradecer a todos que participaram, que brincaram comigo, e assim tornaram a diversão possível. E principalmente àquele que primeiro encarou as tais barreiras da dificuldade e impossibilidade para me dizer, numa mensagem, recebida logo de manhã de uma sexta qualquer "será que rola fazermos um curta?". Valeu!)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Rubem Alves

O cronista, escritor e educador Rubem Alves esteve na Faculdade de Educação Física na quarta-feira passada (dia 3). Desde então, estou tentando postar algo por aqui sobre a palestra, mas faltou tempo.

Pois bem, ele chegou, todo simpático, todo velinho, pontualmente às 9 horas. E para alcançar o auditório (fechado até então) passou por entre todos nós, cumprimentando e sorrindo. Quando a palavra lhe foi passada a primeira coisa que disse foi: "estou vendo várias pessoas com caderno na mesa e caneta na mão... Peço que guardem tudo". A partir daí conversou conosco, ao longo de 2 horas, sem precisar se levantar, sem apresentação de slides, sem mirabolantes tecnologias desnecessárias. Fiquei pensando comigo "quem tem o que dizer, não precisa de data show".

É bem verdade que ele está um tanto vidrado na morte. Falou diversas vezes sobre a tristeza de estar velho, do quanto é humilhante precisar de ajuda para realizar as tarefas do dia a dia (não que ele precise), e do quanto ele se aproximava do fim da caminhada. Nem por isso deixou de retirar boas gargalhadas de todos nós. Com suas histórias que vinham em uma velocidade tão grande, que por diversas vezes parou para nos perguntar "o que eu estava falando mesmo?".

Do pouco que tomei conhecimento, Rubem Alves parece ser um educador questionador, inquieto e revolucionário. Utiliza muito Nietzsche em seus textos, e penso que pode ser considerado para a educação o que o filósofo alemão é para a filosofia. Rubem não esconde de ninguém suas criticas: se opõe profundamente ao modelo educacional em que vivemos. Quase surta de raiva ao saber os conteúdos que os alunos são obrigados a apreender, sempre indagando "para que serve esse conhecimento?"

Há muito mais de Rubem Alves para se ler e ouvir. Suas ideias soam como um grito de revolta perante as mazelas da educação. Mas não consigo deixar de questionar, e ouso aqui transcrever: as criticas do autor são extremamente interessantes. Concordo com elas, compartilho da indignação perante a educação com ela é hoje, e sei que ela pode ser melhorada... Mas não vejo, ao menos até agora, nenhuma indicação de como isso deve ser feito.

Entendo bem que cada um deva buscar sua forma de educar, e que será ótimo se esse educador tiver como base as ideias de Rubem Alves. Mas para tentar explicar minha inquietação (um tanto indefinida, por mim mesmo) uso como exemplo o momento em que o autor falou sobre o vestibular. Ele falou sobre o caos que ele causa em todas as séries da escola, até mesmo no fundamental. Concordo plenamente. Mas ao falar qual seria então a melhor opção, disse ter concluído que a melhor forma de escolher quem merece entrar na faculdade é o sorteio.

Acho que discordo...