terça-feira, 9 de junho de 2009

Rubem Alves

O cronista, escritor e educador Rubem Alves esteve na Faculdade de Educação Física na quarta-feira passada (dia 3). Desde então, estou tentando postar algo por aqui sobre a palestra, mas faltou tempo.

Pois bem, ele chegou, todo simpático, todo velinho, pontualmente às 9 horas. E para alcançar o auditório (fechado até então) passou por entre todos nós, cumprimentando e sorrindo. Quando a palavra lhe foi passada a primeira coisa que disse foi: "estou vendo várias pessoas com caderno na mesa e caneta na mão... Peço que guardem tudo". A partir daí conversou conosco, ao longo de 2 horas, sem precisar se levantar, sem apresentação de slides, sem mirabolantes tecnologias desnecessárias. Fiquei pensando comigo "quem tem o que dizer, não precisa de data show".

É bem verdade que ele está um tanto vidrado na morte. Falou diversas vezes sobre a tristeza de estar velho, do quanto é humilhante precisar de ajuda para realizar as tarefas do dia a dia (não que ele precise), e do quanto ele se aproximava do fim da caminhada. Nem por isso deixou de retirar boas gargalhadas de todos nós. Com suas histórias que vinham em uma velocidade tão grande, que por diversas vezes parou para nos perguntar "o que eu estava falando mesmo?".

Do pouco que tomei conhecimento, Rubem Alves parece ser um educador questionador, inquieto e revolucionário. Utiliza muito Nietzsche em seus textos, e penso que pode ser considerado para a educação o que o filósofo alemão é para a filosofia. Rubem não esconde de ninguém suas criticas: se opõe profundamente ao modelo educacional em que vivemos. Quase surta de raiva ao saber os conteúdos que os alunos são obrigados a apreender, sempre indagando "para que serve esse conhecimento?"

Há muito mais de Rubem Alves para se ler e ouvir. Suas ideias soam como um grito de revolta perante as mazelas da educação. Mas não consigo deixar de questionar, e ouso aqui transcrever: as criticas do autor são extremamente interessantes. Concordo com elas, compartilho da indignação perante a educação com ela é hoje, e sei que ela pode ser melhorada... Mas não vejo, ao menos até agora, nenhuma indicação de como isso deve ser feito.

Entendo bem que cada um deva buscar sua forma de educar, e que será ótimo se esse educador tiver como base as ideias de Rubem Alves. Mas para tentar explicar minha inquietação (um tanto indefinida, por mim mesmo) uso como exemplo o momento em que o autor falou sobre o vestibular. Ele falou sobre o caos que ele causa em todas as séries da escola, até mesmo no fundamental. Concordo plenamente. Mas ao falar qual seria então a melhor opção, disse ter concluído que a melhor forma de escolher quem merece entrar na faculdade é o sorteio.

Acho que discordo...

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