quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Oscar 2009

Pensei em não comentar muito sobre o Oscar. Mas tendo visto três dos grandes nesse dias, preciso fazer algumas considerações.

Não vi Milk, por isso não posso falar sobre o trabalho de Sean Penn, mas Mickey (o Rourke, não o Mouse) está estupendo em O Lutador. Seu trabalho é de uma sinceridade e cumplicidade que não me lembro de ter visto antes. O fato de revisitar situações pelas quais ele mesmo passou não torna o trabalho mais fácil, acredito que o torne mais difícil, na verdade. Vale destaque a trilha sonora do filme, não que merecesse uma indicação ao Oscar, pois são músicas clássicas do Rock anos 80, e isso a torna excitante.

Infelizmente cada uma das categorias em que Dúvida foi indicado já tinham vencedores certos (melhor ator coadjuvante, atriz, atriz coadjuvante e roteiro adaptado), mas a grande injustiça foi deixá-lo de fora da disputa pelo melhor filme. Dúvida é uma obra-prima, com um roteiro magistral e um desfile de atuações incomparáveis. Os indicados a melhor filme são, diga-se de passagem, a grande injustiça desse ano. Dúvida e Batman - O Cavaleiro das Trevas mereciam estar na disputa muito mais do que a história sem graça de Button (que a própria academia reconheceu fraco, ao dar apenas 2 estatuetas), ou o clichê holocáustico de O Leitor.

Mas se o Oscar faz justiça, o fez com Quem Quer Ser Um Milionário? A premiação nas 8 categorias (melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, montagem, trilha sonora, canção original e mixagem de som) são corretas e merecidas. O filme sabe ser um agradável entretenimento sem deixar de tocar em assuntos cruéis e assustadores. Um filme magistral.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Quarta-feira de cinzas

"O mais sólido conhecimento (aquele acerca da total falta de liberdade da vontade humana) é não obstante o mais carente de sucesso: pois ele sempre tem o mais sólido adversário, a vaidade humana"

"Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez - a sí próprio?"

"Talvez esteja pensando naqueles que ama. Cave mais fundo e descobrirá que não ama eles: ama isso sim as sensações agradáveis que tal amor produz em você. Ama o desejo, e não o desejado"

Hoje é quarta-feira de cinzas, dia de silêncio, internalização, reflexão, jejum. Nada mais adequado que Friedrich Nietzsche.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Carnaval

Acabo de assistir a única coisa que me interesso no Carnaval: a apuração. Na verdade vi apenas alguns pedaços, não tenho lá muita paciência. Especialmente depois que a Gaviões levou alguns nove e tanto, e já não tinha mais chances. Ah! Preciso dizer: Mocidade campeã! Não que isso tenha muita importância pra mim, mas o trabalho para fazer um desfile é tão absurdamente grande que ao menos citar o nome da campeã eu devo. Apesar de achar uma tremenda perda de tempo e dinheiro.

Contudo muitas pessoas diriam o mesmo sobre muitos filmes. Logo não vou ficar criticando o Carnaval. Como disse Tom Jobim, "a felicidade do pobre parece a grande ilusão do carnaval", mas da mesma forma poderia ser dito que a ilusão do cinema é a felicidade da classe média, que quer ser alta, mas tem que escolher dias de promoção, e que quer se afastar da baixa, e escolhendo o programa mais "cult".

Ok.
Já há controvérsias demais para um único post.

p.s.: O que mais gosto do Carnaval é que ele abre a contagem regressiva para a Páscoa!

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Oscar 2009

Felizmente não dependo das minhas previsões para viver. Das 24 categorias do Oscar, acertei 9 palpites. Venho fazendo isso há alguns anos, mas ainda cometo alguns erros bobos, como na categoria Atriz Coadjuvante, na qual todos sabiam quem ia ganhar, e principalmente, quem não ia. Eu apostei nessa última como vencedora! Tosco.

Os destaques certamente foram Quem Quer Ser Um Milionário, que levou 8 estatuetas, vencendo até em categorias que não merecia, mostrando que Bollyhood (indústria do cinema indiano) realmente chegou a Hollywood. Não exatamente uma surpresa, mas o Oscar póstumo de Ledger foi, acima de tudo, merecido. E também a cerimônia, enxuta e muito bem apresentada. Foi a primeira vez que não dormi no meio!

Uma noite memorável para os fãs de cinema. Muito melhor que desfile de carnaval!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Palavra Caipira

Ontem fui a um espetáculo da 24ª Campanha de Popularização do Teatro de Campinas, iniciativa muito interessante. A peça, ou melhor, espetáculo cênico musical, se intitulava Palavra Caipira. O suficiente para espantar muita gente. A questão é que, para mim, atrai.

Cresci ouvindo música caipira nos churrascos de família, nunca cheguei a realmente detestar, mas reclama pela diversão da piada. É bem verdade que certas coisas são caipiras em excesso, vamos dizer. Mas ontem percebi o quanto gosto do estilo. O espetáculo é a união entre 3 músicos, cada um de um lugar do país, todos dedicados à música caipira. Todos ótimos instrumentistas e grandes cantadores.

Teco Seade toca violão e cuida da percussão com pequenos apetrechos extremamente divertidos, imitando os sons de animais, além de ter a performance mais teatral dos três. Carlos Kbelo e Agnaldo Araújo, além de cantarem muito bem, revezam entre violão, viola caipira, violão de 7 cordas, baixolão e um tipo de cavaquinho do interior com impressionantes 10 cordas. Excepcional.

Duas horas se passaram sem que eu me desse conta. No repertório os grandes clássicos da música caipira, e também composições dos três que surpreendem pela beleza da letra, e pela musicalidade impecável. Eles voltam a se apresentar no clube da Bosch, dia 28 de Março! Vale muito à pena!

Putz! É... Eu gosto de música caipira...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Violência no futebol

Sou corintiano. Já fui mais. De chorar quando meu time perdia para o Palmeiras. Mais por medo das brincadeiras na escola no outro dia, do que pelo jogo em si. Num desses dias meus pais me revelaram algo que mudaria minha visão do futebol para sempre: você não precisa chorar. Eles, ganhando ou perdendo ganham o dinheiro deles, e é muito dinheiro. E você vai ficar ai sofrendo?!

Desde então pude começar a encarar o futebol como ele é: um show, muitas vezes "de horrores", em que 22 pessoas atuam, como se tentassem fazer gols, impedir o adversário de fazê-lo, e recheado de pancadaria para animar a coisa. Bastou isso para vários outros esportes parecerem muito mais interessantes. Hoje torço a distância, e faz muito tempo que não assisto a um jogo por inteiro.

Mas ainda assim, o clássico do fim de semana reverberou pelos jornais, devido aos problemas no estádio e em seu entorno. Com saldo de um morto em Belo Horizonte, e dezenas de feridos pelo país, uns 40 só em São Paulo. Espalhar a culpa é simples: primeiro, os clubes São Paulo e Corinthians, que ao longo da semana deram declarações descuidadas, aumentando clima de guerra; segundo a polícia, que mesmo sabendo que haveriam problemas, não se prepara como deveria, e parece querer que o circo pegue fogo mesmo; e claro, os vândalos-torcedores que insistem em ir aos estádios, e óbvio que com apenas pequena porcentagem do Morumbi para os corintianos eles conseguiram selecionar apenas os piores torcedores, como um exército, que manda apenas a cavalaria, já que a massa toda não entra.

A solução é, teoricamente, simples. Como diz Heloísa Reis, pesquisadora de FEF sobre violência no esporte, "um ambiente hostil gera hostilidade". Para se resolver o problema é preciso transformar o ambiente do futebol, começando por acessos adequados ao estádio, compra de ingressos antecipadamente e a preços acessíveis, boas instalações, especialmente se referindo a banheiros, jogadores minimamente profissionais, policia que tranquilize e não que aumente o pânico. Enfim, um ambiente confortável e agradável certamente diminuirá o problema. E pra isso é preciso apenas um planejamento a longo prazo, adequado e responsável.

E talvez seja exatamente esse o problema desse país, em tudo. Não há um planejamento de longo prazo. Há operações "tapa-buraco" que vão maquiando o problema.

Resta a esperança em acreditar que cada vez mais pessoas não serão enganadas pela maquiagem.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Whose line is it anyway?

Não sou muito lá de comédias. Os pastelões americanos deixam-me especialmente irritados. Assim como coisas do tipo A Praça é Nossa e Zorra Total. É incrível como conseguem fazer quadros péssimos e piadas toscas. Dizer que gosto de humor inteligente seria um tanto prepotente, uma vez que considera que apenas o humor que gosto é refinado, e os outros não. Apesar de ter a certeza que muito concordariam que o programa de sábado da Globo está longe de ser inteligente, prefiro dizer que gosto de humor de referência, e que não apele para os palavrões para fazer rir (como faz constantemente Rafinha Bastos).

Mais fácil do que tentar explicar qual é meu tipo de humor, é dar exemplos. E Whose Line Is It Anyway é o exemplo máximo. Esse é uma série americana que deixou de ser feita há alguns anos. Ela passava na Sony, mas agora acredito que só através do Youtube para ver mesmo. Para mim, o humor é genial. É um programa de improvisação, em que quatro comediantes participam de jogos, que muitas vezes terminam de ser elaborados pela platéia. Aquele Os Improváveis certamente copiaram a idéia desse programa, mas ainda estão muito longe do original americano. Muito!

No Youtube tem alguns quadros com legendas. E caso goste, procure o programa com a participação de Robin Williams. Você pode assisti-lo na íntegra! E eu acho hilário!

Afinal, rir é o melhor remédio, não?

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A maior batalha

Juro ter ficado durante meia hora a escrever e apagar aqui nessa página. O botão que diz "publicar post" já me olha com cara de entediado, e o vídeo que deixei carregando no youtube já está pronto há muito tempo. Cansei...

"A maior batalha que nós travamos e contra nós mesmos"

É isso. E como é!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Coisas que nunca fiz

Ontem demorei um pouco para dormir. Não estava exatamente com sono quando fui deitar, mas a tv definitivamente não ajudava. Deitei, depois sentei, levantei, e sentei de novo. Foi quando, com as pernas para fora da cama, pensei: nunca deitei "ao contrário", ou seja, com a cabeça no lugar dos pés. Sei de histórias de pessoas que dormiram com a cabeça em seu devido lugar e acordaram com ela no final da cama. Mas eu nunca tinha feito isso.

A sensação foi ótima. me senti deitado em algo completamente novo. Ao deitar assim, fico bem ao lado da janela, e pude sentir um friozinho de chuva no meu rosto. Olhei em volta, vi a parede que nunca vejo. Ela é a única diferente do meu quarto, pintada, por mim, de um vermelho bem escuro. Senti-me aquecido pela cor forte, e ao mesmo tempo refrescado pelo vento geladinho da janela.

Só não dormi assim por medo do que meus pais diriam ao me encontrar dormindo dessa forma tão... Não normal. Dormi bem do lado certo, é verdade. Mas foi ao mudar de posição, coisa tão simples, que me reencontrei com o meu quarto, pude vê-lo diferente, renovado, vivo.

E você? O que ainda nunca fez??

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O Curioso (e só) caso de Benjamin Button

Acredito ser a primeira vez que escrevo, efetivamente, sobre cinema. Vamos lá...

O Curioso caso de Benjamin Button conta a história de homem que nasce velho, e ao longo do tempo vai rejuvenescendo. Similar a Forrest Gump (o que não é de se estranhar, uma vez que roteirista e diretor são os mesmos) mas de trás para frente, o filme mostra as desventuras de um Benjamin que parece nunca estar satisfeito onde está (característica marcante do contador de histórias interpretado por Tom Hanks).

Benjamin Button é um exercício cinematográfico perfeito. Levado em marcha lenta pelo diretor, o filme permite que se aprecie cada detalhe dos magníficos cenários, e a fotografia nos faz ter a impressão de ver um quadro cuidadosamente pintado a cada nova cena. Não ficam para trás a discreta e adequada trilha sonora, nem o perfeito figurino. Mas o maior destaque é, certamente, a maquiagem, que nos faz realmente ver um Brad Pitt tanto com 70, quanto com 20 e poucos anos.

Irretocável em seus quesitos técnicos, Benjamin Button falha ao acreditar que isso basta. Praticamente sem expressões, talvez para não estragar a maquiagem, Brad e Blanchet dirigem suas atuações no piloto automático, e se a rosto distante de Pitt parece adequado no começo da trama, a impressão de indiferença do ator fica muito acentuada no final. Do mesmo modo, o diretor David Fincher parece ter percebido que, no ritmo inicial, o filme teria mais de 5 horas, e se utiliza de cartões postais para acelerar a passagem de anos, fazendo um final que desrespeita o próprio filme.

Cheio de sub-tramas desnecessárias (como o relógio que anda para trás, a amante de Button, e principalmente, o furacão em Nova Orleans) o caso de Benjamin Button se mostra sim curioso, e é contado com perfeição. Mas confesso ter saído do cinema da mesma forma que entrei. Tomei conhecimento de uma história curiosa, e que me foi contada impecavelmente, mas não tirei dela nada de novo, nenhuma reflexão foi despertada, nenhum questionamento ou dúvida. Aprendi que o tempo passa para todos... Mas isso a vida ensina bem.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

É...

Claro. O grão de areia que ficou indo e voltando no meu olho gerou cerca de 15 micro-cortes. Agora tenho que passar uma pomada altamente desagradável ao longo de 3 dias, 4 vezes ao dia. Meu olho fica todo melecado e enxergo embaçado por horas!

Boa "jeitinho brasileiro"... Boa!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Areia no olho

Já devem fazer uns 10 dias que joguei vôlei de areia. Só para variar, diversos grãos foram parar dentro dos meus olhos. Mas já estou acostumado, lavo bem, pingo colírio e espero pacientemente até que os grãos se dissolvam. Dessa vez parece que um deles não vai se dissolver, e mais uma vez (sim, já tive que fazer isso antes) vou ao oftalmologista para que ele tire o "corpo estanho" do meu olho.

Engraçado como demorei para marcar a consulta. Por longas dez noites tive que esperar ter muito sono para poder dormir, pois só assim o incômodo nos olhos não me impedia de fechá-los. Não sei se me surpreendo com habilidade de adaptação, ou se me espanto com a inércia perante o problema. O incômodo é real, e vem agindo a mais de uma semana. Fui forte e "sem frescura" ao esperar que o problema se resolvesse? Ou fui estúpido e preguiçoso, uma vez que posso descobrir que ao longo dos dias o grão de areia acabou machucando meu olho?

Seríamos nós, seres humanos, BONS por conseguimos nos adaptar às situações difíceis da vida? Ou RUINS pela inatividade perante os problemas?

Vivas, ou insultos ao jeitinho brasileiro?

Bom, da minha parte, ao empurrar o problema com a barriga só ganhei alguns dias a mais com dificuldade para dormir...