Sou corintiano. Já fui mais. De chorar quando meu time perdia para o Palmeiras. Mais por medo das brincadeiras na escola no outro dia, do que pelo jogo em si. Num desses dias meus pais me revelaram algo que mudaria minha visão do futebol para sempre: você não precisa chorar. Eles, ganhando ou perdendo ganham o dinheiro deles, e é muito dinheiro. E você vai ficar ai sofrendo?!
Desde então pude começar a encarar o futebol como ele é: um show, muitas vezes "de horrores", em que 22 pessoas atuam, como se tentassem fazer gols, impedir o adversário de fazê-lo, e recheado de pancadaria para animar a coisa. Bastou isso para vários outros esportes parecerem muito mais interessantes. Hoje torço a distância, e faz muito tempo que não assisto a um jogo por inteiro.
Mas ainda assim, o clássico do fim de semana reverberou pelos jornais, devido aos problemas no estádio e em seu entorno. Com saldo de um morto em Belo Horizonte, e dezenas de feridos pelo país, uns 40 só em São Paulo. Espalhar a culpa é simples: primeiro, os clubes São Paulo e Corinthians, que ao longo da semana deram declarações descuidadas, aumentando clima de guerra; segundo a polícia, que mesmo sabendo que haveriam problemas, não se prepara como deveria, e parece querer que o circo pegue fogo mesmo; e claro, os vândalos-torcedores que insistem em ir aos estádios, e óbvio que com apenas pequena porcentagem do Morumbi para os corintianos eles conseguiram selecionar apenas os piores torcedores, como um exército, que manda apenas a cavalaria, já que a massa toda não entra.
A solução é, teoricamente, simples. Como diz Heloísa Reis, pesquisadora de FEF sobre violência no esporte, "um ambiente hostil gera hostilidade". Para se resolver o problema é preciso transformar o ambiente do futebol, começando por acessos adequados ao estádio, compra de ingressos antecipadamente e a preços acessíveis, boas instalações, especialmente se referindo a banheiros, jogadores minimamente profissionais, policia que tranquilize e não que aumente o pânico. Enfim, um ambiente confortável e agradável certamente diminuirá o problema. E pra isso é preciso apenas um planejamento a longo prazo, adequado e responsável.
E talvez seja exatamente esse o problema desse país, em tudo. Não há um planejamento de longo prazo. Há operações "tapa-buraco" que vão maquiando o problema.
Resta a esperança em acreditar que cada vez mais pessoas não serão enganadas pela maquiagem.
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