domingo, 24 de abril de 2011

Lá e De Volta Outra Vez

Nos anos 2001, 2002 e 2003 chegou aos cinemas a adaptação de uma das mais fantástica aventuras de todos os tempo. Depois de muitos anos de produção, a trilogia O Senhor dos Anéis arrebatou público e crítica. Se tornou o maior vencedor do prêmio Oscar da história (17, se considerarmos a trilogia) e a 6ª série mais rentável da historia do cinema, batendo mega clássicos como Indiana Jones e poderosos filmes pop como Piratas do Caribe e Homem-Aranha (o fato de ter apenas três filmes, e figurar na lista de séries mais rentáveis também vale destaque).
http://www.sedentario.org/cinema-series-tv/as-series-de-filmes-mais-rentaveis-do-cinema-38942

Depois de muitas indas e vindas, incluindo falência da empresa dona dos direitos, e a passagem de Guilermo Del Toro (de O Labirinto do Fauno, uau!) pela direção, as filmagen de O Hobbit finalmente começaram, com Peter Jackson na direção, e grande parte da equipe de volta à produção. Especialmente para os fãs, a expectativa é enorme. E para aumentar a tensão, o diretor criou um videoblog, que acompanhará os anos de realização do filme, até sua estréia, prevista para Dezembro de 2012, a parte 1, e Dezembro de 2013, a parte 2. O vídeo é ótimo, e da um delicioso frio na barriga... Vai ser maravilhoso poder voltar à Terra Média!




Confira o vídeo aqui http://www.omelete.com.br/videos/o-hobbit-videoblog-01/. O único problema, é que está em inglês.

sábado, 16 de abril de 2011

Mais, Mas Não do Mesmo, Sobre os Megaeventos Esportivos

Já disse por aqui, mas repito de forma resumida: não sou contra a realização das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil porque há problemas mais urgentes, que seriam mais importantes, e mais merecedores da dinheirama investida. Acho essa forma de pensar meio simplista e exagerada. Até porque, essa dinheirama não existiria, se não fossem os eventos, ou seja, não se está tirando dinheiro das áreas importantes, se está apenas investindo em outras áreas, também importantes. Meu problema é que não temos pessoas capacitadas e minimamente confiáveis para liderar e coordenar a realização desses eventos. Os exemplos nesse sentido são inúmeros.

Mas li no blog do Juca Kfouri uma notícia que me levou além na compreensão sobre essa falta de preparo de nossos líderes... Algo que acho ainda mais importante, muito significativo, e que chega perto de decretar de vez que o Brasil não pode receber tais eventos. Muito mais simples do que os aeroportos que, segundo o IPEA, um instituto super reconhecido e do governo, não ficam prontos antes de 2017; o trem-bala, que não consegue nem realizar a licitação; ou o estádio de Abertura da Copa, que recebeu sua milésima data de INÍCIO das obras (primeira quinzena de Maio)...

Muito mais simples que tudo isso foi o ocorrido em São Bernardo do Campo, no torneio Panamericano de Clubes de Handebol. O terceiro colocado do torneio foi o River Plate, um time argentino e amador (!), que venceu de forma histórica, a equipe da Metodista (time profissional, vale frisar). Eis que, na hora da premiação, o River Plate foi barrado, e não pôde entrar na quadra onde havia sido armado um pódio, sob a alegação de que não haveria medalhas para o terceiro lugar (alguém já viu isso?). Com os protestos do técnico e da equipe, a organização se explicou dizendo que até havia medalhas (!?), mas elas estavam trancadas em algum lugar impossível de acessar (Hã?!). Por fim a equipe foi liberada para entrar na quadra, e recebeu uma medalha que sobrara de um evento de natação...

Tirem as próprias conclusões. Digo apenas que, como já devia saber, nossos lideres e governantes não são extraterrestres que vêm de outro planeta (por tanto outra cultura, outra lógica, outros valores e outra educação) para deturpar e bagunçar nossa sociedade. Num mero torneio Panamericano de Handebol, fomos completamente incapazes de cumprir dignamente o papel de anfitriões. E olha que Ricardo Teixeira e Carlos Artur Nuzman (ditadores da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Olímpico Brasileiro, respectivamente) de certo nem sabiam desse evento, o que deveria ser muito bom, mas que não passou nem perto de resolver... Somos nós. Isso que vemos nessas sombras da caverna, não é nada além de nós.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A tragédia (midiática) de Realengo

Realengo agora, é pop. Ou melhor, foi pop - algo como Fiuk e outros assuntos banais. Não que o ocorrido naquela escola seja banal, mas sim pela banalidade com que foi retratada na mídia. Não é de hoje que se sabe que os programas de televisão abusam das tragédias para conseguirem audiência, mas o que vi, ou melhor, o que evitei ver, nessa semana é algo que passa de todos os limites.
Ouvi dizer que no Domingo, no programa do Faustão, uma psicanalista disse que esperava não ver nas capas das revistas a foto do assassino, para que ele não parece um herói. Disse isso na mesma emissora que, no dia seguinte da tragédia, levou uma menininha, aluna da escola, para suportar mais de uma hora de entrevista no programa de Ana Maria Braga (no ar às 8h30 da manhã!). O conteúdo, não sei, não vi. Mas pior do que tratar o assassino como herói (há ignorância e burrice à vontade no mundo), é o tratamento desumano dado às vítimas, com horas de exposição, buscando tirar toda lágrima possível de todo e qualquer indivíduo minimamente envolvido. E claro, também a nossa.
Um desejo tão sanguinário e incompreensível quanto o que levou o jovem a entrar atirando na escola de Realengo. Uma dedicação tão exclusiva, e busca por tantos detalhes, que parecem querer que passemos pelo mesmo sofrimento e tristeza. O Jornal Nacional preparou uma animação de computador! Como se não nos bastasse saber, repetidamente, e via depoiementos assustadores, o que aconteceu dentro da escola. Mas acima de tudo: NÃO NOS INTERESSA O QUE ACONTECE LÁ DENTRO! Caberia à mídia divulgar o fato, alertar a população, discutir o assunto e PROTEGER AS VÍTIMAS, afinal, não são elas as grandes prejudicadas, não são elas que merecem cuidado, atenção e proteção?
Cada vez mais a mídia (ou parte dela, como nos exige o chatíssimo politicamente correto) me parece um repórter que ao mostrar um indivíduo ferido, cutuca-lhe a ferida aberta, só para dizer "olhem como este homem agoniza". Repugnante.

domingo, 10 de abril de 2011


Pensei em chamá-la de rainha da música brasileira, mas certamente ser par romântico de Roberto Carlos jamais foi uma de suas vontades. Pensei em chamá-la de dama da música brasileira, mas é bem verdade que ela não tem muito de dama... Pensei outros nomes, outras formas de classificá-la, mas felizmente não encontrei, porque Elza Soares é daquele tipo de gente que não cabe em classificações.
Conhecia muito pouco sobre a cantora. Conhecia a voz potente e rouca, a feição bizarra, no mínimo, e sabia também que meu pai não gostava dela pois teria sido a responsável por Garrincha, o gênio das pernas tortas, não ter sido ainda maior do que foi.
Arrisquei-me a ir vê-la, em show gratuito, no belo auditório do BNDES, em pleno centro do Rio de Janeiro. Tinha ouvido apenas duas músicas dela, Meu Guri, de Chico Buarque, e Ave Maria do Morro, de Herivelto Martins. As duas estavam no programa da apresentação, e por isso fui. Esperando pelo início, olhei o relógio e pensei "seria bacana se começasse no horário". Dois minutos depois, às 19h em ponto, os músicos entraram. Três carsa para quem eu não daria nada. Sentaram, dois no violão e o outro na percussão, e tocaram uma das melodias mais lindas que já vi. Fantástico.
Ao fim do que achei que era a abertura, os três olham para o lado, e eu que estava na segunda fila, percebi certo frisson. O mais velho dos músicos, maestro do trio, começou então a tocar outra música, que certamente não estava planejada. Novamente belíssima, mas já estava pensando comigo "a estrelinha da Elza deve estar atrasada".
Vejam que rude preconceito. Mas não me xinguem, pois fui suficientemente repreendido quando, ao fim da segunda música, Elza entre no palco de cadeira de rodas. Com a ajuda de dois rapazes, é colocada numa cadeira, no centro do palco. Com dificuldade, explica que tinha torcido o tornozelo, há alguns dias, e que o ciático acabara de travar.
Ainda que fosse difícil, devido ao rosto plastificado de Elza, percebia-se dor e sofrimento. Mesmo assim começou, com Meu Guri, e daí em diante, não vale a pena continuar escrevendo... O que vivi, é inexplicável. O sentimento colocado em cada palavra, a interpretação magistral, os contos e casos extremamente engraçados, e os triste também, a voz rouca, poderosa, que enchia o enorme auditório, mesmo quando ela tirava o microfone da frente da boca. Cantou músicas lindas, contou histórias maravilhosas, e só parou de cantar depois que a organizou mandou acabar o show, pois já eram mais de 21 horas.
Fantástica, simples, poderosa, incomparável, Elza Soares conquistou admirador sincero.