quinta-feira, 18 de junho de 2009

Folha de São Paulo

Achava (confesso que sem embasamento) que a Folha de São Paulo era um jornal competente. Pela sua grande repercussão nacional, e por alguns pensadores que por lá escrevem, achava que a Folha representava um jornalismo de credibilidade, sensato e coerente, adjetivos que não se aplicariam a muitos jornais menores e várias revistas.

Mas essa opinião se modificou um pouco quando soube que, em seu editorial, a Folha havia se referido à ditadura brasileira como "ditabranda". Branda foi, para eles que apoiaram os militares. Para os que sofreram, e ainda sofrem, devido aos atos de tortura, não foi branda, e não é ainda hoje.

Como se não bastasse, a Folha escreveu o editorial, que reproduzo na íntegra abaixo:

"Moinhos de vento na USP

Acossada por movimentos políticos munidos de carro de som e bastante tempo ocioso, a Universidade de São Paulo passa por uma nova rodada de protestos e greve.

Nesta semana, a polícia foi chamada duas vezes para impedir o bloqueio de unidades no campus paulistano, uma delas a própria reitoria. A PM afirmou que o policiamento vai continuar enquanto durem os piquetes.

A associação dos docentes da USP julgou a medida "intimidadora", "autoritária" e uma "ameaça à comunidade universitária". Contra ela, reuniram-se 120 membros, que decidiram pela greve, juntando-se a parte dos funcionários e dos alunos. A universidade tem 9.000 docentes.

É de se perguntar se os termos escolhidos pela Adusp não qualificam, com mais propriedade, a atuação da própria entidade e de outras associações universitárias, permeadas por sindicatos e partidos políticos de exígua expressão fora dos campi.

O estatuto da USP determina que cabe ao reitor exercer o poder disciplinar. A invasão da reitoria em 2007, que durou 50 dias devido à falta de pulso da direção, parece ter dado a essa minoria truculenta a sensação de que tudo ali é permitido.

Se é preciso chamar a polícia para conter a barafunda que pressupões depredação de patrimônio público e lesão ao funcionamento da instituição, que seja chamada. A USP funciona com verbas provenientes de impostos pagos por toda a sociedade. Não é um mundo à parte.

Desta vez manifestantes também atacam a abertura de cursos a distância pela instituição. Traduzida, esta reivindicação equivale a tentar impedir que mais estudantes, com renda abaixo da média dos alunos da universidade, possam desfrutar dos serviços educacionais da USP.

O paroxismo mostra a que ponto desceram as agremiações uspianas em seus arranques alucinados contra moinhos de vento. Refresca saber que a imensa maioria da comunidade universitária simplesmente as ignora."

Quando um jornal escreve em seu editorial uma coisa como essa, desmoraliza todo seu trabalho. Nunca li uma notícia da Folha inteira. E nem pretendo ler.

2 comentários:

  1. Não vou nem fazer um comentário crítico aqui. A raiva é tanta q prefiro me calar, pois mesmo q eu grite, q eu perca minha voz tentando convencer as pessoas disso ou daquilo vem a mídia ditadora e transforma meu grito em um sussurro insignificante. Me envergonho dos meus governantes, me envergonho da mídia manipuladora, me envergonho do individualismo q domina a razão de ser das pessoas. Claro que ainda tenho esperanças, ainda que nesse momento sejam poucas, pois sem ela nada mais faria sentido. Fico feliz por ver aqui sua visão crítica sobre esse assunto. Mais uma vez lhe dou os parabéns pelo seu blog.
    Um grande abraço do desiludido,
    Alexandre

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  2. A desilusão parece ser algo inseparável daqueles que sonham com um mundo diferente... Como disse o Plininho, lá no IE, a estratégia da elite dominante se divide em duas: ou coopta, ou esmaga. Cabe àqueles que querem um mundo novo, não se deixar cooptar, nem esmagar. E acho que não tem nada mais forte do que a desilusão, essa sensação de impotência, como fator de esmagamento.
    Resta-nos a esperança...

    (em tempo: foi o Rodrigo quem primeiro se revoltou com o editorial, eu apenas compartilhei de seu incômodo).

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