terça-feira, 24 de maio de 2011

Blitz da Educação: a bobagem nacional

Já achava o projeto JN no Ar uma tremenda bobagem. No último mês antes das eleições, o Jornal Nacional resolveu que iria visitar 30 cidades do país, para conhecer suas situações, em 30 dias. Para isso gastou fortunas com um jatinho e o imenso trabalho de locomover uma equipe de jornalismo, e sua aparelhagem, para algum lugar qualquer. O pobre repórter ficava sabendo na hora do jornal para onde iria, e no dia seguinte tinha que apresentar a reportagem, já pronto para embarcar para outra localidade qualquer. Porque fazer desse jeito, e não com o simples auxílio de emissoras locais, que poderiam fazer uma análise muito mais aprofundada, com um gasto muito menor, não se sabe. Minha opinião: para mostrar que o JN pode.

O projeto fez sucesso (assim como Big Brother faz sucesso) e foi bolado o JN no Ar, Blitz Educação. A proposta agora era visitar uma cidade em cada região do país, e lá visitar a melhor e a pior escola da cidade segundo o IDEB, comparando as duas situações, e buscando as causas. Ainda que, para mim, continuasse sendo apenas um exercício de ostentação, parecia minimamente interessante. Até que, no primeiro dia do projeto, o repórter chama o especialista que os acompanharia durante as viagens, contribuindo para a análise das causas que levaram as tais escolas a serem as piores e as melhores: Gustavo Ioschpe. Para quem não o conhece, basta dizer: assina a coluna de educação da Veja (!).

O número de bobagens proclamadas por esse especialista em educação, ditas tanto nesse Projeto JN no Ar, quanto em sua coluna permanentemente ignorante, é inacreditável. Visitando uma das piores escolas de uma das cidades sorteadas para receber o jatinho da Globo, cujos professores estavam em greve, e que apresentava índice do IDEB de 1,4, se não me engano, Ioschpe se apressou em dizer: o problema dessa escola é muito claro, é a falta de consideração dos professores, que abandonaram seus alunos, que abandonaram a escola, e que estão sempre em greve (não foram essas as palavras, mas foi essa a ideia). Nas imagens, uma estrutura extremamente precária. Como a própria reportagem destacou, a escola fica em um bairro dominado pelo crime, e totalmente sem segurança. Soma-se a isso, a certamente nenhuma valorização do professor, e o zero de apoio dado quanto a materiais, transporte, merenda e etc. E a culpa do caos de quem é? Para o gênio Ioschpe, é do professor...

Aposto que o especialista suspirou de alívio ao montar no jatinho e partir de volta para sua certamente agradável vida de acadêmico, classe econômica B, ou talvez A, agora que convidado pelo Jornal Nacional. Santa hipocrisia.

3 comentários:

  1. Depois dessa preciso repetir incansávelmente que amo suas critícas e a acidez de seus comentários....
    Saudade querido....quando virás almoçar comigo novamente? Beijão...inté

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  2. Incansavelmente, muito obrigado Fer!!
    Eu tentei né! Hehehe Mas quem sabe nessa quinta agora... Bjo!

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