quarta-feira, 22 de abril de 2009

O dom de criticar

Sempre fui uma pessoa crítica. Se não soubesse que não é assim que as coisas se dão, diria que nasci crítico, por isso a utilização (irônica) da palavra dom. Isso deve vir do meu pai, que também parece ser crítico desde sempre. Nada passa por ele sem que manifeste sua posição, que na grande maioria das vezes, é contrária a o que foi dito.

Diferente de meu pai, inclusive rateando com ele, penso que certos assuntos já não vale mais a pena criticar. Ao ver o jornal, com uma notícia sobre político corrupto, meu pai logo chia. Reclama, esbraveja, não se conforma. Um tanto irritando digo que se conforme, que é sempre assim. Tome o cuidado de não me considerar um conformista, mas há três motivos para eu reclamar quando ele reclama: primeiro, a reclamação dele não muda nada. Segundo, não gosto de ver meu pai se exaltando, mesmo que seja pouco, mesmo que seja com o político da TV. Terceiro, porque sou filho dele.

Meu tom crítico já me rendeu diversos adjetivos, como mal-humorado, velho, ranzinza, zangado, preconceituoso. Este último parecia passar junto com os outros, em tom de ironia, mas incomodou um tanto mais. Contudo, com a devida ajuda sempre necessária, percebi que era também o mais real. Não percebia que no meu valioso "olhar crítico" muitas vezes se escondeu discriminação. Não sei por quantas vezes, julgando-me crítico respeitável, deixei de perceber e de reconhecer a força e a beleza do outro. Quantas vezes meu olhar distante (como dói dizer "superior") me fez olhar para tudo com pré-conceitos, cometendo assim o erro comum de ao olhar, ver apenas o que desejo para confirmar aquilo que esperava, e não ver realmente.

Difícil perceber isso em mim, ainda pior escrever.

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