Vinha caminhando apressado pela praça central da unicamp (ao lado do ciclo básico). Vinha de bem longe, um tanto cansado de andar, mas a passos rápidos, pois havia várias coisas por fazer, mesmo já tendo resolvido outras tantas. Os compromissos giravam na minha cabeça, os textos, os trabalhos, as futuras provas, o dinheiro, enfim, tudo passava com pressa pelo cérebro agitado.
Mas um som me interrompe. Impede-me de seguir. Paro, feito bobo, no meio do caminho. Pouco a minha frente, um grupo de cinco pessoas toca uma música. Imediatamente todas as coisas pararam de girar, e deram espaço para a doce melodia. Era coisa simples, dois tambores desgastados, um triângulo (costumeiramente irritante), um estranho instrumento a base de côcos e uma flauta de madeira. Mas que juntos, tocavam algo doce, alegre e tranquilizador.
Fingi que planeja desde antes me sentar ali por perto. Sentei e olhei para frente. Vi um dos vários caminhos que partem da praça em direção aos institutos. O caminho era acompanhado por árvores, o sol iluminava algumas das copas, o vento fazia-as dançar, e refrescava meu rosto. Fiquei ali, de repente atônito. Era como se a natureza cantasse! Uma música melódica e leve, e que me enchia da paz.
Por ali fiquei alguns minutos, meia hora no máximo. Nem sei se eram bons músicos, mas tocaram mais do que música. Tocaram a mim. Talvez exatamente por não quererem isso. A simplicidade das músicas, aprendidas ali, na hora mesmo, pareciam a vós da natureza, estonteantemente bela e despretensiosa.
Fui me distanciando, ouvindo a música baixando ao longe... Tudo aquilo que passava pela minha cabeça pareceu reconhecer-se supérfluo...
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