sexta-feira, 22 de maio de 2009

A raiz do problema

Estou fazendo estágio obrigatório em uma escola aqui de Valinhos. Não presenciei o ocorrido, mas me contaram...

Um menino apareceu com o olho roxo, logo na primeira aula do dia. Chorando, foi reclamar com a professora, falando quem havia dado o soco. A professora chamou o outro aluno, questionando. E ele disse: "fui eu sim professora. Ele estava falando como uma bicha do meu lado. Eu falei para ele parar, e como ele não parou dei um soco na cara dele".

A professora mandou os dois para a secretaria que, passando o problema para frente, chamou o pai dos dois. O pai do menino que deu o soco disse estar surpreso, que o filho não era agressivo e que era a primeira vez que aquilo acontecia. E para fechar disse: "mas podem ficar tranquilos, a hora que ele chegar em casa ele vai levar um surra".

Esses garotos estão na quinta série, completando 11 anos. E já tem enraizado, claro e evidente, o preconceito, no caso a homofobia. Esse pai não percebe, que ao dar uma surra no filho, valida sua atitude. Esse garoto vai entender que quem faz coisa errada deve apanhar, e como "agir como bicha" continuará sendo algo errado para ele, novos socos estão aguardando. Ai entra a responsabilidade da escola, que ao invés de discutir o fato, seja com os alunos, seja com a sala, seja com a escola, passa o problema para que os pais cuidem, empurra as mazelas com a barriga, se retira do dever de educadora.

E depois perguntam se o Brasil é um país preconceituoso...

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