No sábado, dia 5, fui ver a montagem da Ópera do Malandro, musical escrito por Chico Buarque, de uma companhia de ballet de Campinas. Fui um tanto receoso, afinal, a história do cronista não combina muito com a dança clássica. Mas o que vi foi muito surpreendente e belo.
É bem verdade que o tal ballet não apareceu. Melhor. Apareceu uma montagem extremamente qualificada do texto genial de Chico. Mais do que reproduzir as falas, a companhia conseguiu compreender o espírito da peça, e por isso incluiu toques muito refinados e interessantes. Além disso, todos estavam ótimos: dançarinos, atores, e principalmente os cantores (que também atuavam) que interpretaram as letras sem melodia do Chico, com graça e perfeição.
O ponto alto, como não podia deixar de ser, foi quando Geni cantou sua música (Geni e o Zepelim). Mais uma vez a interpretação foi perfeita, dessas que tocam e arrepiam.
Ver uma montagem tão boa ajuda, e muito, a curtir o texto genial de Chico. Como sempre acontece com esse poeta e suas músicas, cada vez que vejo (ouço) essa ópera, entendo coisas a mais. E o que entendi ontem é mais uma prova da capacidade desse carioca (não sei se de nascença mas, certamente, de preferência) de criar histórias lindas, profundas e cheia de significados ocultos, que quando entendidos, revelam muito sobre o conto, sobre o país, sobre todos nós.
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