Não há nada para se contestar no discurso da professora Amanda Gurgel (caso ainda não tenha visto o que todo mundo já viu, segue o link http://www.youtube.com/watch?v=7iJ0NQziMrc). Assisti mais de uma vez, tentando olhar "do outro lado", mas não encontrei nenhuma brecha, nenhum ponto a ser questionado. Acho que a razão principal para isso é a colocação feita pela professora, que penso ser a melhor parte da fala, questionando se realmente estão colocando ela na sala de aula, com um giz e uma lousa, esperando que ela salve o Brasil.
A educação sempre foi encarada como panacéia para a resolução de todos os problemas. Fala-se, de forma irritantemente insistente, que o único meio de melhorar a sociedade é através da educação. Todos tem certeza disso, e reforçam esse discurso. Horas, se é assim tão claro, porque não se tomam atitudes para melhorar estrutura tão fundamental.
Lí na Carta Capital algo muito interessante. O escritor da reportagem dizia que muito se fala sobre a profundidade e a complexidade dos problemas da educação, com a única intenção de fazer parecer que realmente é necessário muito tempo para realizar mudanças efetivas, e que tal processo deve ser comandado pelos estudados e conhecedores de tão indecifrável mistério, cabendo à população, como diz Amanda, ter paciência. Acredito que a professora mostra muito bem que os problemas não são apenas muito mais simples do que se pinta, mas também muito práticos, como o completamente inaceitável salário de apenas três dígitos.
O discurso de Amanda é simples, coeso, claro e sem exageros. Não pede auxílio ou piedade, nem se envergonha se assumir-se incapaz de educar, afinal, todo bom materialista sabe, há de haver condições materiais, efetivas para que qualquer processo histórico ocorra, a educação não é diferente disso. E em outro momento muito bom, entrega aos deputados, à secretária da educação, aos acadêmicos (sim, também eu) aquilo que lhes pertence: o constrangimento pela situação da educação no Brasil. A mudança passa sim pelo professor em sala de aula, pelas decisões de um diretor, mas modificações amplas, profundas, têm a ver com vontade política, ações políticas. E que não se leia governo quando escrevo política. Somos todos responsáveis pela situação da educação no Brasil. É por isso que não entendo a euforia em torno do vídeo, no sentido de "finalmente alguém para dizer aos políticos algumas verdades". Ora meu caro, as verdades ditas, foram ditas também para nós.
Vale reproduzir uma breve história contada pela professora Heloisa Hofling: conversando com a moça que trabalha na casa dela, foi questionada: nossa, a carne está ficando tão cara, não para de subir. Será que é culpa da Dilma? Ao que a professora respondeu: antes fosse. Antes a triste situação RE-revelada (afinal, todos nós sabíamos de tudo que ela fala) fosse algo a se dizer aos políticos, a um pequeno grupo, responsáveis pela baderna. Ouvir o discurso e apoiá-lo, apenas, é o que certamente fizeram os políticos sentados à mesa dessa audiência pública... Ouvi-lo, apoiá-lo, e seguir fazendo as mesmas coisas é, infelizmente, o que fazemos todos nós.
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ResponderExcluirGenial!
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