Lá pelas bandas da FEF nada chegou. Tudo corre normalmente, sem nenhum tipo de estranheza. Contudo, às quintas feiras, tenho aula na Faculdade de Educação, e por lá a greve deu as caras. Numa atitude que considero impecável da professora, não esperava tal atitude, ela nos disse que não pararia, por desacreditar do movimento de greve, depois de ter feito várias delas ao longo dos 27 anos de carreira na universidade. Mas disse que todos estavam à vontade para assumirem a greve, parando as ações, e que esses nem falta levariam.
Dito isso, a grande maioria dos alunos saiu da sala, uma vez que um pessoal do movimento estudantil tinha nos convidado para uma conversa sobre a greve, onde todos os alunos da educação deveriam se reunir para discutir. Fiquei por ali cerca de uma hora, ouvindo sobre as reivindicações dos estudantes e outros papos, enquanto a nossa volta, três salas de aula continuavam cheias, com o professor passando o conteúdo normalmente.
As reivindicações são justas, como de costume. Qualquer um que ouça sobre a UNIVESP (Universidade de São Paulo, que pretende disponibilizar cursos de graduação à distância) será contra o projeto. O sucateamento da universidade pública, especialmente dos cursos de humanas, é evidente, está lá para ser olhado (ou não, como no caso absurdo do Instituto de Artes que não tem um teatro). O número reduzido de professores, os baixíssimos salários dos trabalhadores, a falta de estrutura são todas "fato consumado".
Frente a isso, paramos as aulas.
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Quando os funcionários de uma fábrica de carro cruzam os braços, carros deixam de ser produzidos. Quando o mais inútil dos empacotadores para de empacotar, alguma coisa estará sem pacote. Quando alunos deixam de ter aulas, a única coisa que para é seu aprendizado! E isso não afeta em nada as instituições que precisam ser afetadas, não se faz ouvir, não se impõe.
Não estou defendo a alienação e nem sou contra a greve. Mas definitivamente ela precisa ser feita quando tiver função. Ela deve ser último recurso após uma série de tentativas que falharam e, principalmente, ela tem que servir como unificadora e impactante.
Entendo e valorizo aqueles que, mesmo sabendo da dificuldade de se fazer uma greve realmente forte na UNICAMP, lutam, discutem, vão às salas de aula para falar sobre o assunto, participam das assembléias. Eles são gritos de oposição contra coisas que precisam ser barradas e impedidas. Mas até onde seus gritos ecoarão? Quanto à paralisação de aulas afeta a engrenagem educacional, que está errada sim, mas que pouco se importa se alunos tiveram aula ou não, especialmente em lugares como a Faculdade de Educação, onde todos já acham que ninguém tem aula mesmo...
Confesso uma profunda angústia. Concordo plenamente com a manifestação, me oponho veementemente à UNIVESP, acho que a universidade merece melhores condições estruturais, mas olho para o movimento de greve sem conseguir dele me aproximar. Vejo ali um grito, necessário e correto, mas não vejo solução. Vejo reinvidicações coerentes, mas não as vejo sendo atendidas.
Vejo os problemas, mas não vejo como resolvê-los...
Olá querido Flávio!
ResponderExcluirMuito bom você ter trazido esse assunto...
Eu, como já lhe disse, me sinto um pouco perdida diante dessa situação de greve... Como você bem definiu "olho para o movimento de greve sem conseguiur dele me aproximar. Vejo ali um grito, necessário e correto, mas não vejo lução". É exatamnte isso que eu vejo, isso que eu sinto. Mas assim como você e como futura educadora, eu sinto falta das aulas. Não sei se alguém "lá de cima" vai notar o exforço que agente faz abrindo mão delas...
Abraço!
Do
Putz cara, eu to em numa angústia tão grande por conta disso... Eu fico indignado, puto, demotivado (etc.) toda vez que paro pra pensar na falta de respeito, de moral, de escrúpulos, de vergonha na cara e na arrogância de governantes (e reitores coniventes) que usam e abusam de seus poderes para aplicar a suas políticas podres que visam única e exclusivamente o bem-estar da elite capitalista que os mantém no poder. Cada dia que entro mais a fundo nesse assunto consigo enxergar com mais clareza o sucateamento da universidade pública em detrimento da universidade privada "dando as caras". As áreas tecnológicas da universidade já estão praticamente vendidas à iniciativa privada por conta do maciço investimento oferecido por esta. É evidente que o próximo passo seria atacar os cursos de humanas que são os únicos que oferecem resistência a esses ataques. A Univesp, na minha opinião, é o começo do fim. O problema é que não faço a menor idéia de como os estudantes podem barrar esses ataques. O uso da greve como ferramenta contra essas políticas é uma forma pouco eficaz e prejudicial aos próprios estudantes, mas é umas das poucas que surtem algum tipo de efeito. Atos como o da ocupação de segunda feira na USP mostram claramente o desespero de uma minoria que ainda insistem em lutar, mas seus atos são distorcidos pela mídia que os transformam em "desocupados", "burguesinhos vagabundos" (como disse o Datena). Pra mim, atos como o decreto da Univesp do Serra é um crime que dificilmente será barrado. Vejo comentários em vários sites, alunos, professores, pessoas aleatórias, manipulados pela mídia, concentrados em criticar os atos dos "invasores" de reitoria enquanto o crime do governador de São Paulo passa tranquilamente impune da opinião pública.
ResponderExcluirDesculpa pelo desabafo e se escrevi besteira, mas isso está tirando meu sono.
Abraços e mais uma vez parabéns pelo seu blog!
Do!! Valeu pelo comentário!!
ResponderExcluirNaquela quinta, antes de ir embora, até fui conversar em "particular" com uma pessoa do comando de greve, perguntando mais po menos isso, sobre o que fazemos agora que estamos sem aula? Como chamamos a atenção?
Não preciso dizer que saí de lá sem respostas... Mas, infelismente até, penso que saí sem respostas não porque ela não sabia me da-las, mas simplesmente porque não há respostas...
Bjo Do!!
Não precisa se desculpar pelo desabafo Pov's. E, com certeza, você não escreveu nenhuma besteira, infelismente! A situação parece ser bem essa mesmo, você passou pelos vários pontos que influem sobre a situação, com uma grande clareza!
ResponderExcluirO terrível é ver essas engrenagens da máquina, e nos percebemos sem nada nas mãos que seja capaz de para-las. Nem ao menos capaz de trava-las momentaneamente. Isso não deve parar as tentativas, e a invasão da reitoria parece ser uma delas, mas mesmo essas ações parecem gravetos que se partem, sem ao menos arranharem a dura engrenagem metálica.
Antes, situações como essa, tirassem o sono de mais pessoas Pov's...
Obrigado!!
Grande abraço!!
Como não consegui corrigir no comentário, corrijo em um novo: "infelizmente" é com "z" e não com "s"!
ResponderExcluirÓbvio...