sábado, 16 de abril de 2011

Mais, Mas Não do Mesmo, Sobre os Megaeventos Esportivos

Já disse por aqui, mas repito de forma resumida: não sou contra a realização das Olimpíadas e da Copa do Mundo no Brasil porque há problemas mais urgentes, que seriam mais importantes, e mais merecedores da dinheirama investida. Acho essa forma de pensar meio simplista e exagerada. Até porque, essa dinheirama não existiria, se não fossem os eventos, ou seja, não se está tirando dinheiro das áreas importantes, se está apenas investindo em outras áreas, também importantes. Meu problema é que não temos pessoas capacitadas e minimamente confiáveis para liderar e coordenar a realização desses eventos. Os exemplos nesse sentido são inúmeros.

Mas li no blog do Juca Kfouri uma notícia que me levou além na compreensão sobre essa falta de preparo de nossos líderes... Algo que acho ainda mais importante, muito significativo, e que chega perto de decretar de vez que o Brasil não pode receber tais eventos. Muito mais simples do que os aeroportos que, segundo o IPEA, um instituto super reconhecido e do governo, não ficam prontos antes de 2017; o trem-bala, que não consegue nem realizar a licitação; ou o estádio de Abertura da Copa, que recebeu sua milésima data de INÍCIO das obras (primeira quinzena de Maio)...

Muito mais simples que tudo isso foi o ocorrido em São Bernardo do Campo, no torneio Panamericano de Clubes de Handebol. O terceiro colocado do torneio foi o River Plate, um time argentino e amador (!), que venceu de forma histórica, a equipe da Metodista (time profissional, vale frisar). Eis que, na hora da premiação, o River Plate foi barrado, e não pôde entrar na quadra onde havia sido armado um pódio, sob a alegação de que não haveria medalhas para o terceiro lugar (alguém já viu isso?). Com os protestos do técnico e da equipe, a organização se explicou dizendo que até havia medalhas (!?), mas elas estavam trancadas em algum lugar impossível de acessar (Hã?!). Por fim a equipe foi liberada para entrar na quadra, e recebeu uma medalha que sobrara de um evento de natação...

Tirem as próprias conclusões. Digo apenas que, como já devia saber, nossos lideres e governantes não são extraterrestres que vêm de outro planeta (por tanto outra cultura, outra lógica, outros valores e outra educação) para deturpar e bagunçar nossa sociedade. Num mero torneio Panamericano de Handebol, fomos completamente incapazes de cumprir dignamente o papel de anfitriões. E olha que Ricardo Teixeira e Carlos Artur Nuzman (ditadores da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê Olímpico Brasileiro, respectivamente) de certo nem sabiam desse evento, o que deveria ser muito bom, mas que não passou nem perto de resolver... Somos nós. Isso que vemos nessas sombras da caverna, não é nada além de nós.

3 comentários:

  1. então você está afirmando que o simples fato de "sermos brasileiros" já é determinante e suficiente para a incompetência em sediar um grande evento esportivo?

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  2. Não. Não é fato de sermos brasileiros que nos impede de organizar esses megaeventos. Essa seria uma relação extremamente simplista e direta, além de claro, icorreta, que eu de forma alguma pretendia realizar.
    O que quis apontar é que a incompetência, e principalmente a falta de credibilidade, desses grandes diretores dos COI e CBF, tão amplamente conhecidas e mais do que provadas, acabaram por se repetir também em um evento muito menor. Afinal de contas, é ineguável que o ocorrido nesse Campeonato Panamericano de Handebol foi, no mínimo, incompetência. Mas não é difícil acreditar em puro preconceito e bairrismo contra os Argentinos, que tinham todo direito de serem tratados, ao menos, com justiça e igualdade.
    Sabemos bem que toda generalização é complicada. Afora isso, a ideia do post era realmente levantar a discussão, que certamente vai muito longe... Repito que não pretendia dizer que o brasileiro é naturalmente incapaz de organizar eventos desse porte, até porque acredito muito mais nas condições materiais como formadoras dos indivíduos, do que sua suposta naturalidade. Mas questiono sim o porquê de, por vezes, eventos simples criarem tantos problemas...

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